Renato permaneceu alguns segundos parado, avaliando a situação. Depois, puxou a cadeira e se sentou, mas não tocou no copo.
— Agora chega de jogos.
Alessandro apoiou o cotovelo na mesa e encostou o queixo na mão, observando-o com interesse.
— Olha só para você, Renato.
— De quê está falando?
— Da sua arrogância.
O sorriso dele aumentou.
— Mesmo quando está desesperado… ainda tenta parecer no controle.
Renato se inclinou levemente para frente.
— Diga logo o que quer.
Alessandro o encarou por alguns segundos, como se estivesse saboreando aquele momento.
Então, recostou-se na cadeira.
— Antes de chegarmos a essa parte… — disse calmamente — quero que você me responda uma coisa.
Franzindo o cenho, Renato questionou:
— O quê?
Dando um gole em sua bebida, Alessandro o encarou calmamente.
— Até onde você estaria disposto a ir… para ter a sua querida Sara de volta?
Sem hesitar, ele respondeu:
— Até onde for preciso.
Alessandro ergueu levemente as sobrancelhas, como se aquela resposta tivesse sido exatamente o que ele esperava ouvir.
— Interessante… — murmurou, girando o copo entre os dedos. — Sempre admirei esse seu lado obstinado.
— Pare de enrolar.
Como quem finalmente decidiu ir direto ao ponto, soltou um pequeno suspiro.
— Muito bem. Vamos falar de negócios. Eu sei que você anda muito bem financeiramente. Os lucros da sua empresa dispararam nos últimos meses.
Renato o encarou sem piscar.
— Você sabe muito bem o motivo disso. É mérito meu — respondeu com frieza.
Um sorriso torto surgiu nos lábios de Alessandro.
— Pois é… mérito seu.
Ele inclinou um pouco o corpo sobre a mesa, aproximando-se.
— Mas também preciso confessar uma coisa.
Renato permaneceu em silêncio.
— Já fui prejudicado várias vezes por sua causa. Perdi oportunidades… negócios importantes… tudo porque você sempre aparecia antes.
— Não me venha com essa história novamente.
— Estou falando sério — disse Alessandro, agora sem o sorriso. — Durante anos eu tive que assistir você levar tudo.
Ele apontou discretamente para Renato.
— Os contratos, os investidores, o reconhecimento. — Fez uma pausa curta. — E, claro… as mulheres também.
— Você perdeu tudo isso porque nunca foi bom o suficiente. Se tivesse se esforçado mais, teria seu lugar ao sol.
A frase saiu direta. Por um segundo, Alessandro ficou em silêncio, então soltou uma pequena risada.
— Viu só? — murmurou. — É exatamente essa sua arrogância que sempre me irritou. Por isso pensei que está na hora de equilibrar um pouco as coisas.
— Pare de me enrolar e me diga logo. O que você quer? — perguntou por fim, sem paciência.
— Cem milhões.
Renato não demonstrou reação imediata. Apenas manteve os olhos fixos nele, calculando mentalmente. Era muito dinheiro, mas não era impossível para ele. Sua empresa gerava receita suficiente para cobrir aquele valor em alguns meses. Seria um golpe duro em seu patrimônio… mas não o destruiria. Porém, como estavam negociando, ele decidiu protestar.
— Você realmente acha que vou pagar isso?
Alessandro deu de ombros.
— Não sei, depende do quanto você ama a Sara e aquele bastardinho que ela espera.
Ao ouvir o modo desprezível com que Alessandro falava sobre seu filho, Renato mordeu o lábio com força. Ele precisou segurar as laterais da cadeira para não se levantar e partir para cima dele ali mesmo. Por um segundo, chegou a imaginar suas mãos no colarinho de Alessandro, derrubando aquela expressão arrogante que ele insistia em manter no rosto. Todavia, sabia que não podia perder o controle, não naquele momento, se havia ido até aquele bar, era porque precisava resolver aquilo.

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