Já era tarde da noite quando Alessandro chegou em casa. Assim que entrou, tirou o casaco com calma e caminhou pela sala com um sorriso satisfeito no rosto. A conversa com Renato ainda ecoava em sua mente, e quanto mais pensava naquilo, mais satisfeito ficava.
Cem milhões de dólares. A quantia era tão absurda que parecia até irreal.
Passou a mão pelos cabelos e soltou uma pequena risada, imaginando quantas portas aquele dinheiro abriria. Negócios novos, viagens e uma vida sem precisar provar mais nada para ninguém.
— Finalmente… — murmurou para si mesmo.
Caminhou até o quintal da casa e abriu a porta de vidro que dava acesso à área da piscina. O ar da noite estava fresco, e o silêncio do lugar deixava tudo ainda mais tranquilo.
Andou devagar pelo deck de madeira e parou perto da piscina, olhando o reflexo das luzes na água.
— Quem diria… — disse sozinho, balançando a cabeça. — No final das contas, foi até fácil demais.
Ele começou a andar de um lado para o outro, completamente distraído pelos próprios pensamentos.
— Cem milhões… — repetiu, quase saboreando o número. — Com esse dinheiro, minha vida vai mudar de vez.
Deu uma pequena risada.
— Como um homem fica tão idiota por uma mulher a ponto de abrir mão de tanta grana assim?
Enquanto falava, não percebeu que havia alguém ali. Sentada discretamente em uma espreguiçadeira mais afastada, Sara estava no escuro, observando tudo em silêncio. Ela havia saído para tomar um pouco de ar depois do jantar e acabou ficando ali, perdida em pensamentos.
Mas, ao ouvir a voz de Alessandro… tentou prestar atenção em cada palavra.
Quando ele virou finalmente o rosto na direção das espreguiçadeiras, seus olhos se encontraram com os dela. Por um segundo, ele congelou. O sorriso que estava em seus lábios desapareceu no mesmo instante, mas ele soube ser rápido em se recompor.
Disfarçou, ajeitou a postura e caminhou na direção dela como se nada tivesse acontecido.
— Ainda acordada? — perguntou, com naturalidade.
Sara demorou um segundo para responder. Ainda estava tentando entender o que havia acabado de ouvir.
— Não consegui dormir — disse por fim, mantendo a voz calma.
Ele parou ao lado da espreguiçadeira e colocou as mãos nos bolsos, olhando rapidamente para a piscina.
— Acontece às vezes — comentou. — Aposto que é por estar com muita coisa na cabeça.
Com atenção, ela o observou por alguns segundos em silêncio. A forma como ele havia se recomposto rápido demais não passou despercebida.
— Você parece estar de bom humor — comentou.
Soltando uma pequena risada, ele respondeu:
— Pareço?
— Está sorrindo sozinho no quintal no meio da noite — respondeu ela. — Então imagino que sim.
Por um instante, ele ficou em silêncio, como se estivesse pensando no que responder.
— Tem razão — disse, por fim. — Os negócios na cidade estão começando a fluir.
Sara estreitou levemente os olhos.
— Verdade?
— Sim. Parece que as coisas finalmente começaram a dar certo para mim.
— Que bom, fico muito feliz por você.
Ele puxou uma cadeira próxima e se sentou.
— Sabe de uma coisa? — perguntou. — Acho que as coisas vão ficar boas para você também.
Confusa com o que acabou de ouvir, ela estreitou os olhos e o encarou com mais atenção.
— Como assim?
Alessandro sustentou o olhar dela por alguns segundos antes de responder.
— Sabe aquele amigo meu que eu disse estar voltando para o Brasil? — disse naturalmente. — Eu o vi hoje.
— Sério… — murmurou, sentindo uma pontada de ansiedade. — E como foi?
Alessandro inclinou o corpo um pouco para a frente, aproximando-se dela.
— Pode ter certeza de que eu também me sinto surpreso com tudo isso — respondeu, com um pequeno sorriso. — A verdade é que, no começo, eu tinha segundas intenções em relação a você.
Sara não desviou o olhar.
— Mas depois de tudo o que vi você passar… — ele fez uma breve pausa — não sei exatamente o que aconteceu. Em algum momento, nasceu dentro de mim uma vontade muito forte de te proteger.
As palavras mexeram com ela de uma forma inesperada. Porque, por mais que ainda tivesse suas dúvidas sobre ele, não podia negar que Alessandro havia realmente sido a única pessoa que estendeu a mão quando ela estava completamente sozinha.
Sem querer, acabou se lembrando de Renato. Por um instante, seu coração apertou. Ela havia desejado tantas vezes ser protegida daquela forma por ele. Ter alguém ao seu lado que a defendesse, que acreditasse nela, que estivesse disposto a segurá-la quando tudo desmoronasse.
Mas nada disso aconteceu.
— Eu nunca vou esquecer o que você fez por mim — disse com a voz trêmula.
Vendo que ela parecia sensível, Alessandro estendeu o braço e tocou levemente a sua mão.
— Acho melhor você ir descansar — disse calmamente. — Vai precisar de energia para arrumar suas malas.
Sara assentiu.
— Tem razão.
Ela se levantou da espreguiçadeira.
— Boa noite.
— Boa noite, Sara — respondeu ele.
Caminhando em direção à casa, sua mente ainda estava cheia de pensamentos, e por isso nem percebeu o olhar que Alessandro manteve fixo em suas costas enquanto se afastava. No instante em que a porta de vidro se fechou atrás dela, a expressão dele mudou completamente.
O sorriso gentil desapareceu e, em seu lugar, surgiu um olhar frio.
— Tola… você não perde por esperar — sussurrou.

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