Quando percebeu que ele realmente estava indo embora, Lorena se levantou da cama às pressas e correu até a porta. O desespero era evidente em seu rosto.
— Renato, espera!
Saiu atrás dele pelo corredor do hospital. O som apressado dos seus passos ecoou no piso, misturado aos chamados que tentava fazer.
— Renato!
Mas, mesmo com os gritos, ele não parou. Então, ela apressou os passos, até que conseguiu alcançá-lo.
— Espera, por favor! — disse, segurando o braço dele, ofegante. — Eu assumo… assumo que menti — disse, tentando recuperar o fôlego. — Menti sobre esse filho ser seu.
Renato parou de andar no mesmo instante e virou-se lentamente para encará-la, com o olhar ainda duro.
— Então finalmente resolveu dizer a verdade?
Ela abaixou a cabeça por um segundo, sentindo o peso daquelas palavras.
— Eu estava desesperada… — murmurou. — Desesperada por sua atenção.
— Não — ele interrompeu, frio. — Você estava me manipulando.
— Não foi bem assim — comentou. — Eu sempre gostei de você, sempre! Desde quando éramos bem jovens, mas você nunca olhou para mim como eu queria. Quando cheguei à sua casa naquela noite, eu abracei a oportunidade e confesso que, mesmo sabendo das consequências, me arrisquei.
Ela levantou os olhos, já cheios de lágrimas.
— Fiz isso porque sempre foi o meu sonho saber como era ser tocada por você.
Renato soltou uma risada amarga.
— Meu Deus, quanto mais você fala, mais tenho raiva de você, sabia? — confessou.
Lorena deu um passo mais perto.
— Renato, por favor… me escuta.
Ele permaneceu imóvel, mas a expressão em seu rosto não suavizou.
— Eu nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto — continuou ela, com a voz tremendo. — Eu só queria que você ficasse comigo.
— Usando uma criança inocente?
Ela não respondeu, então o silêncio entre os dois se tornou pesado.
Depois de alguns segundos, Renato falou novamente:
— Você tem ideia do estrago que causou com essa mentira?
Lorena apertou os lábios.
— Eu sei… — sussurrou.
Ele passou a mão pelo rosto, claramente tentando conter a raiva.
— Não, você não sabe. Por sua culpa, a Sara me odeia e eu não sei se um dia ela vai me perdoar pelo que fiz.
— A Sara? — Os olhos dela se estreitaram, surpresos, pelo nome que foi citado. — Você a encontrou?
— Isso não é problema seu, Lorena.
— Tudo bem — respondeu resignada. — Eu sei que o que fiz foi errado… mas eu não tenho para onde ir. Sempre morei na fazenda… essa cidade é a minha casa. Eu não posso simplesmente sair daqui.
— Devia ter pensado nisso antes.
— Olha — ela insistiu. — Se você não me quer mais na fazenda… eu entendo — continuou, tentando encontrar alguma saída. — Mas me deixe ao menos trabalhar em outro lugar. Talvez, no seu apartamento aqui na cidade.
Assim, ele saiu dali, deixando-a completamente sozinha no corredor.
Por alguns segundos, ela permaneceu parada, olhando para o vazio, como se ainda esperasse que ele voltasse, mas ele não voltou.
Quando finalmente percebeu que não havia mais nada que pudesse fazer naquele momento, fechou o punho com força, sentindo a raiva crescer dentro do peito.
Estava perdida, sem saída e sem ninguém.
Respirou fundo, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair, e encostou a cabeça na parede fria do corredor.
— Eu não vou embora… — sussurrou, entre os dentes.
Seus olhos se endureceram.
— Eu vou ficar aqui, perto de você… até que perceba que está cometendo o maior erro da sua vida.
Quando voltou para o quarto, Lorena fechou a porta atrás de si e caminhou lentamente até a pequena mesa ao lado da cama, onde sua bolsa estava.
Abriu a bolsa com mãos impacientes e começou a procurar por algo específico. Depois de alguns segundos mexendo entre os objetos, seus dedos finalmente encontraram o que queria, um molho de chaves.
Ela o puxou para fora e o segurou diante dos olhos por alguns instantes. Sabia exatamente qual delas era a chave do apartamento que Renato tinha na cidade.
Apertando o pequeno metal entre os dedos, um pensamento começava a se formar em sua mente.
Renato quase nunca aparecia naquele apartamento, e o lugar permanecia vazio na maior parte do tempo. Aquilo era exatamente a oportunidade que ela precisava. E justamente por isso, poderia ser a sua chance.
Quando recebesse alta do hospital, iria direto para lá. Ficaria naquele lugar o tempo que fosse necessário, até encontrar uma maneira de se aproximar dele outra vez.
Seus olhos se estreitaram levemente.
— Você pode até querer me afastar… — murmurou para si mesma, apertando a chave na palma da mão. — Mas eu não vou desistir de você tão fácil.

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