Quando saiu do apartamento de Sara, Renato se sentia cansado e com o psicológico bem abalado. Cada passo que dava pelo corredor do prédio parecia mais pesado do que o anterior. Sua cabeça latejava, e os pensamentos se atropelavam dentro de sua mente sem lhe dar um segundo de paz.
Entrou no carro e fechou a porta com força. Por alguns segundos, ficou ali parado, segurando o volante com as duas mãos, olhando fixamente para o painel como se tentasse organizar tudo o que havia acontecido.
Sara estava viva, só aquela constatação já deveria ser suficiente para trazer algum alívio. Durante dias, acreditou que a havia perdido para sempre. Imaginou o pior, culpou-se mil vezes por não ter conseguido protegê-la… e agora ela estava ali, bem próxima, com o filho deles crescendo dentro dela.
Mas, mesmo assim, algo dentro dele não estava em paz, o olhar dela não saía de sua cabeça. Ela ainda não confiava nele.
Passando a mão pelo rosto, soltou um suspiro pesado.
— Droga… — murmurou para si mesmo.
Sentindo que precisava organizar a vida, ligou o carro, mas, ao invés de ir para a fazenda, decidiu passar no hospital para ver Lorena. Sabia que ela deveria estar bastante abalada com o que aconteceu e, por mais que reconhecesse a dor que ela sentia, precisava colocar os pingos nos is, pois ela havia mentido.
Lorena havia ultrapassado todos os limites. A mentira sobre o bebê, as manipulações, as insinuações que havia feito… tudo aquilo havia contribuído para destruir ainda mais uma situação que já era complicada por si só.
Estacionou o carro no hospital e ficou alguns segundos dentro dele antes de descer. Passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como se tentasse se preparar para o que estava prestes a fazer. Sabia que aquela conversa não seria fácil.
Saiu do carro e entrou no hospital, caminhando diretamente até a recepção. Perguntou por informações sobre ela e a recepcionista respondeu:
— Quarto 312, senhor. Terceiro andar.
— Obrigado.
Ele entrou no elevador e, quando chegou ao andar indicado, caminhou procurando pelo quarto. Ao encontrar a porta, bateu duas vezes antes de abrir.
Do lado de dentro, ouviu a voz fraca de Lorena:
— Pode entrar…
Ele girou a maçaneta e entrou, encontrando-a sentada na cama, com o rosto pálido e os cabelos bagunçados. Ao vê-lo, seus olhos se arregalaram levemente, como se não esperasse aquela visita.
— Renato… — murmurou, surpresa.
Ele fechou a porta atrás de si e permaneceu alguns segundos em silêncio, observando-a.
— Eu te liguei tantas vezes, te mandei dezenas de mensagens — disse ela, já começando a chorar. — Você me ignorou o tempo todo, sem pensar no que eu poderia estar sentindo.
Não precisava observar muito para perceber o drama que ela estava disposta a fazer sobre aquilo, mas ele permaneceu imóvel, olhando para ela com expressão dura. Aquela tentativa de inverter a situação só fazia sua paciência diminuir ainda mais.
— Eu disse que não poderia ficar aqui — disse ele, frio.
Mesmo notando a frieza no olhar dele, ela insistiu.
— Como pôde ser tão insensível… ainda mais quando o assunto se tratava do seu filho?
No instante em que ela disse aquilo, Renato sentiu um gosto amargo subir pela boca. Tudo o que queria era confrontá-la e dizer que já sabia de tudo. Que aquela história não passava de uma farsa. Que ele já conhecia cada detalhe da mentira que ela havia inventado.
— Meu filho? — repetiu, em tom neutro.
Ela assentiu rapidamente.
— Sim… nosso filho. Você viu tudo o que eu estava passando e, mesmo assim, preferiu me deixar aqui sozinha. Foi insensível demais.
Ele cruzou os braços, observando cada movimento dela.
— Se você tivesse ficado aqui, talvez eu tivesse conseguido me manter mais calma… e quem sabe teria salvado o nosso bebê — ela continuou.
— Olha… — ele começou, percebendo que já não conseguiria manter o tom calmo por muito mais tempo.
Deu alguns passos pelo quarto, respirou fundo e voltou a encará-la.
— Você quer saber de uma coisa?
Lorena o observou, confusa, enquanto ele se aproximava da cama.
— Eu vim até aqui pensando em amenizar as palavras com você… — continuou, com a voz cada vez mais dura. — Mas percebo uma coisa agora.
A frase a deixou desconcertada.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que, quanto mais eu te ouço falar… mais sinto ódio e nojo de você.
— Renato…
— Achou mesmo que conseguiria sustentar essa mentira por muito tempo?
Lorena franziu o cenho, fingindo não entender.
— Do que está falando?

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