— Eu não sabia de nada disso… — disse Sara, depois de alguns segundos de silêncio.
Odete assentiu levemente, como se já esperasse aquela resposta.
— Eu imaginei mesmo que não.
Ela voltou a mexer nas coisas sobre a bancada, enquanto continuava falando:
— Aposto que o senhor Renato está tentando te poupar de qualquer notícia ruim.
— De qualquer forma… mesmo que a Lorena seja uma péssima pessoa, eu não desejo que algo aconteça com o bebê dela e do Renato.
Ao ouvir aquilo, Odete abriu a boca para responder imediatamente, mas se conteve. Pensou por alguns segundos nas palavras que deveria usar.
— Olha, querida… vou ser bem sincera com você.
Sara a encarou, esperando.
— Eu sei que não devemos desejar o mal de ninguém… Mas, se isso acabar acontecendo, pode ter certeza de uma coisa: também seria para o seu bem.
Sara franziu o cenho.
— Meu bem?
— Isso mesmo.
Antes de continuar, Odete suspirou.
— Eu sei que não deveria dizer algo assim… ainda mais para uma mulher que também está esperando um filho. Mas a verdade é que esse bebê da Lorena só traria mais intrigas e conflitos entre você e o Renato.
Sem responder nada, Sara permaneceu em silêncio, apenas absorvendo aquelas palavras.
— Aquela mulher é uma demônia — continuou Odete. — E tenho certeza de que usaria essa criança como arma para separar vocês dois. Ela já provou que é capaz de qualquer coisa. Então imagine o que faria tendo um filho no meio dessa história.
— Ela nem precisaria fazer isso… — respondeu Sara depois de um tempo. — Porque eu e o Renato não temos mais nada.
Ao perceber o tom melancólico na voz dela, Odete se aproximou devagar.
— Vocês não se resolveram?
Sara balançou a cabeça.
— Não. E tenho certeza de que isso não vai acontecer.
Odete franziu o cenho, preocupada.
— Por quê, Sara?
Ela ergueu os olhos para a mulher, ainda incrédula com a pergunta.
— Você ainda me pergunta o porquê? Pelo amor de Deus, Odete… Por acaso você não se lembra de como ele me mandou embora daquela fazenda?
Ela desviou o olhar por um instante, como se a lembrança ainda fosse difícil de encarar.
— Eu nunca fui tão humilhada na minha vida como naquela noite. Ele não só me expulsou… — acrescentou, em voz mais baixa. — Como também deixou bem claro que eu não significava nada para ele.
— Eu sei que você deve ter se sentido péssima — disse Odete com cuidado. — Mas também precisa lembrar que ele foi enganado.
Sara respirou fundo antes de responder.
— Independentemente do que aconteceu… ele não me deu o direito de me defender.
Ela desviou o olhar, tentando conter a emoção.

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