Quando chegou à fazenda, Renato sentiu algo estranho no peito. Seu corpo estava cansado, mas sua mente estava ainda mais.
Assim que entrou na casa, foi recebido por Eliene, que logo estranhou a aparência abatida do patrão.
— Boa noite, senhor.
— Boa noite.
Ela hesitou por um instante antes de continuar.
— Eu não sabia que o senhor chegaria agora. Quer que eu prepare alguma coisa especial?
— Não. Só leve alguma coisa para eu comer no quarto — respondeu, já caminhando em direção ao corredor.
— Senhor… — chamou Eliene.
Ele parou e se virou imediatamente.
— O que foi?
— Sei que o senhor está cansado e que tem muitas coisas para resolver… mas é que, como a Lorena não está por aqui, a casa ficou um pouco desorganizada.
Renato ficou em silêncio por um instante, refletindo. Então respondeu:
— A Lorena não vai voltar mais.
Eliene arregalou levemente os olhos.
— Por quê?
Antes que percebesse, já havia feito a pergunta.
— Porque não há espaço para pessoas como ela nesta casa — respondeu direto. — Então, enquanto eu não arranjar alguém para colocar no lugar dela, você fica no comando da casa.
— Eu? — perguntou, surpresa.
— Sim. Acha que consegue cuidar disso?
Ela abriu um sorriso tímido.
— Claro, senhor.
Renato assentiu e seguiu pelo corredor até o quarto.
Assim que entrou, foi direto para o banheiro, tirou a roupa e abriu o chuveiro. Sem hesitar, entrou debaixo da água fria.
Sentia que o banho gelado ajudava a aliviar um pouco o peso que carregava. Ficou ali por alguns minutos, deixando a água cair sobre o rosto e os ombros, tentando silenciar os pensamentos que insistiam em voltar.
Depois do banho, vestiu uma roupa qualquer e se jogou na cama.
Alguns minutos depois, ouviu batidas na porta.
— Pode entrar.
Eliene apareceu com uma bandeja nas mãos.
— Trouxe alguma coisa para o senhor comer.
— Obrigado — respondeu ele, sentando-se na cama.
Não tinha apetite algum, mas sabia que precisava comer alguma coisa para conseguir enfrentar o dia seguinte. Enquanto comia distraidamente, pegou o celular para ver as mensagens que havia ignorado ao longo do dia.
Entre elas, havia várias da mãe. Mensagens longas, com pedidos de desculpa e até algumas súplicas para que ele voltasse a falar com ela.
Ele passou os olhos rapidamente por todas elas, mas sem responder nada, bloqueou o telefone e o deixou de lado sobre a cama.
Naquele momento, não tinha forças para lidar com mais nenhum problema e sabia que o arrependimento de Constança não era real.
Após comer um pouco, saiu para a varanda do quarto e se sentou em uma das cadeiras, olhando para a escuridão da noite. O calor ainda era intenso, e o silêncio da fazenda parecia contrastar com a confusão que tomava conta de sua mente.
Aquele havia sido um estressante e longo dia e, embora soubesse que precisava dormir, simplesmente não conseguia.
Seus pensamentos voltavam o tempo todo para a mesma pessoa: Sara.
Tudo parecia ter se transformado em um grande nó impossível de desatar. Passando a mão pelo rosto, soltou um suspiro cansado. Foi então que o som do celular tocando no quarto quebrou o silêncio.
Renato se levantou e voltou para o interior do cômodo, pegou o aparelho sobre a cama e, ao olhar a tela, viu o nome de seu advogado no Canadá.
Franziu levemente o cenho e atendeu imediatamente.
— Senhor Salles, como está?

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