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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 221

Renato Salles

Já fazia um tempo que chegar em casa não parecia mais o mesmo.

Eu sempre fui do tipo que gostava de estar só. Curtia o silêncio, gostava do meu espaço, das minhas coisas no lugar. Se olhasse bem para a minha vida antes, ela seguia uma rotina simples — chegava na fazenda, era servido pelos funcionários, resolvia o que tinha que resolver e pronto. Sem complicações. Sem ninguém esperando por mim do outro lado da porta.

Mas agora essa rotina não era mais a mesma.

A casa parecia grande demais. Cada cômodo vazio demais. O silêncio de que eu tanto gostava começou a pesar de um jeito que eu não sabia explicar. Era um silêncio diferente, não o tipo tranquilo que eu conhecia, mas o tipo que incomodava, que ocupava espaço, que ficava ecoando mesmo quando tentava ignorar.

Tentei ignorar aquilo durante meses, mas cheguei ao ponto de perceber que aquele lugar nunca mais seria como antes. Ficar ali parecia um pesadelo. E o pior era saber que fui eu mesmo que criei aquela situação.

Não conseguia mais entrar no escritório sem lembrar de Lorena e de tudo que ela havia armado. Nem no quarto eu tinha paz. A cama que antes dividia com Sara virou um peso, manchada por meus próprios erros.

E eu sabia que, do mesmo jeito que eu me sentia desconfortável ali, Sara também sentia. Naquele lugar, ela havia passado pelas piores humilhações de sua vida.

Como eu não enxerguei isso antes? Como ainda tive coragem de sugerir que ela voltasse para lá?

Estava cansado. Não o tipo de cansaço que sumia após uma boa noite de sono, mas o tipo que ficava grudado no corpo e não sairia de mim até que eu resolvesse aquela situação.

Fui até o quarto com a intenção de dormir, mas deitei na cama e fiquei encarando o teto por não sei quanto tempo. Me virei de bruços e fechei os olhos com força, tentando desligar. Mas a cabeça não colaborou. Ficou rodando em cima das mesmas coisas, das mesmas palavras.

Já sabendo o que precisava fazer, me levantei, peguei o celular e procurei entre os contatos um nome: Kelly.

Eu sabia o quanto ela era profissional e bem-sucedida no que fazia. E sabia também que, quando ouvisse o que eu estava disposto a fazer, ela se empolgaria.

Disquei o número e não demorou para que atendesse.

— Renato Salles? É mesmo você? — A voz dela soou desacreditada.

— Olá, Kelly. Como vai?

— Estou bem melhor agora, ouvindo a sua voz. — Deu para sentir o sorriso do outro lado da linha. — Quanto tempo, não é mesmo?

— Sim, já faz um tempo que não nos falamos.

— Fiquei sabendo que se casou. Não tive a oportunidade de te parabenizar ainda.

— Obrigado.

— Agora me diz, a que devo a honra da sua ligação?

— Vamos direto ao assunto. — Respirei fundo. — Quero vender a fazenda.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha.

— Qual fazenda?

— A minha.

— A que você mora?

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