Ainda sem acreditar no que acabava de ouvir, Sara se afastou um pouco, como se precisasse de espaço para organizar os próprios pensamentos.
— Casar? — repetiu, confusa.
— Sim.
Ela passou a mão pelos cabelos, ainda tentando entender.
— Mas nós já estamos morando juntos.
— Eu sei — respondeu ele, com calma. — Mas, para mim, isso não é suficiente. Eu quero me casar de verdade com você, entende? Não quero só dividir a mesma casa, eu quero ser seu marido. Quero que isso seja claro para todo mundo.
Ainda assimilando, ela o encarou por alguns segundos.
— Renato… não precisamos da validação de ninguém. Se estamos bem, vivendo juntos, isso já basta para mim.
Ele balançou a cabeça.
— Mas para mim, não.
A resposta veio direta.
— Você é importante demais para eu fazer as coisas de qualquer jeito. Eu quero entrar numa igreja com você, quero olhar nos seus olhos e prometer, diante de Deus e de todo mundo, que vou te amar e te respeitar. Quero fazer tudo certo dessa vez e quero que você use uma aliança no dedo, não como um símbolo para os outros… mas como um compromisso meu com você.
O silêncio que se formou foi intenso.
Sara sentiu o coração acelerar, não pela pressão, mas pela sinceridade. Renato não estava impondo nada, estava oferecendo.
— Eu já errei demais — continuou ele, mais baixo. — Sei que te dei todos os motivos para não acreditar em mim. Mas é justamente por isso que eu quero fazer diferente. Não quero te esconder atrás de desculpas, nem viver algo pela metade. Quero construir uma vida com você do jeito certo.
Sara desviou o olhar por um instante, sentindo as emoções se misturarem.
— Não acha que está indo rápido demais? — murmurou, um pouco confusa.
— Talvez — admitiu ele. — Mas não quero mais perder tempo, além disso, já moramos juntos e temos um filho.
Ela respirou fundo, tentando manter o controle.
— Renato… não precisamos nos casar apenas por isso.
— Eu sei — interrompeu. — E é exatamente por isso que estou te pedindo isso.
O olhar dele a prendeu.
— Não é por impulso. Não é empolgação do momento. Eu pensei nisso muito. E quanto mais eu penso, mais certeza eu tenho.
Ela ficou em silêncio, porque, no fundo, aquilo mexia com ela mais do que gostaria.
— E se a gente oficializar esse casamento e não der certo? Vai ser uma burocracia enorme desfazer tudo… — disse ela, ainda hesitante.
— Por que você já está pensando no pior, quando temos tudo para dar certo? — rebateu, sem tirar os olhos dela.
— Não é isso… — tentou se explicar, mas as palavras não vieram.
Então, Renato aproveitou a oportunidade para insistir.
— Eu já disse para você confiar em mim. Eu quero fazer tudo do jeito certo, mas preciso que você também queira.
— Eu quero — respondeu ela, rápido demais. — Pelo amor de Deus, não pensa que eu não quero me casar com você — acrescentou, mais calma, tentando organizar os pensamentos. — É só que… eu tenho medo do futuro.
Ele se aproximou um pouco mais, sem invadir seu espaço.
— É o presente que a gente está vivendo agora que vai definir o nosso futuro, Sara — disse, com calma. — Então deixa que o que você sente de bom fale mais alto do que o medo.
Sara ficou em silêncio por alguns segundos após ouvi-lo. Quando notou que o olhar dele não vacilava, sentiu mais confiança, o que trouxe uma calma que ela não esperava sentir. Havia firmeza, cuidado, paciência, algo que ela não via nele antes. Era como se, finalmente, Renato estivesse aprendendo a esperar por ela e aquilo fez diferença.

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