Como só esperava pelo sim de Sara, quando o obteve, Renato não perdeu mais tempo. Na mesma hora, decidiu resolver tudo que precisava, começando pelos papéis do casamento, como se tivesse medo de que qualquer demora pudesse colocar aquilo em risco.
Depois disso, saiu em busca de um anel, não qualquer um, mas o mais bonito que encontrasse, algo que realmente tivesse a ver com ela.
Entrou na joalheria e ficou ali por um bom tempo, andando de um lado para o outro, observando cada detalhe das peças, tentando imaginar qual delas faria Sara sorrir de verdade. Não era uma escolha simples, e pela primeira vez em muito tempo, ele parecia preocupado em acertar em algo que não envolvia dinheiro, mas sentimento. Quando finalmente decidiu, saiu dali satisfeito, com uma sensação boa no peito por ter encontrado um anel que, na sua cabeça, combinava perfeitamente com ela.
Assim que atravessou a rua em direção ao carro, que havia deixado estacionado um pouco mais afastado, à sombra, notou alguém escorado na lataria. De longe, não conseguiu identificar quem era, mas à medida que se aproximava, o contorno foi ficando mais nítido, até que reconheceu a figura. Era sua mãe.
Vê-la ali fez um incômodo imediato surgir, um daqueles pressentimentos que ele já conhecia bem. Ainda assim, decidiu não recuar.
— O que faz aqui? — perguntou, direto, assim que se aproximou.
Constança se virou ao ouvir a voz dele e, ao reconhecê-lo, abriu um sorriso imediato. Os olhos chegaram a brilhar, como se aquilo significasse mais do que realmente parecia.
— Filho… — disse, com a voz levemente emocionada.
Mas Renato não se comoveu nem um pouco.
— Perguntei o que faz aqui? — repetiu, seco, ignorando completamente o tom dela.
A mudança no olhar dele foi suficiente para apagar parte do entusiasmo dela. Constança se endireitou, alisando a roupa de forma quase automática, tentando recuperar a postura.
— Vi o seu carro e fiquei me perguntando onde você estava — explicou. — Como não te encontrei em lugar nenhum, resolvi ficar aqui e te esperar.
— Estou com pressa — respondeu ele, já seguindo em direção à porta do carro, sem dar espaço para prolongar aquilo.
Antes que pudesse abrir, Constança se moveu rápido e entrou na frente dele, bloqueando seu caminho.
— Pelo amor de Deus, Renato… não nos vemos há tantos meses e é assim que me trata?
Ele soltou um riso curto, sem humor algum.
— E como quer que eu te trate, dona Constança? — devolveu, carregando a ironia no tom.
Ela engoliu em seco, sentindo o golpe, mas não recuou.
— Talvez com um pouco menos de frieza… — respondeu, mais contida. — Para mim, isso já seria muito.
Sem acreditar no cinismo da mãe, Renato soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto numa tentativa de conter a irritação que ameaçava crescer. Precisava se controlar, precisava manter a cabeça no lugar. Aquele era um dia importante demais para deixar que qualquer coisa — principalmente ela — estragasse.
Ainda assim, a simples presença de Constança ali já era o suficiente para mexer com tudo.
— A senhora só pode ter amnésia, Constança — disse, frio, sem sequer disfarçar o incômodo no olhar.
— Filho, pelo amor de Deus, pare de me tratar com essa frieza, eu sou a sua mãe, você esqueceu? Não devia guardar mágoas, já faz tanto tempo que tudo aconteceu…

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