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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 233

Renato dirigia devagar pelas ruas da cidade, sem pressa de chegar a lugar nenhum, enquanto Sara estava no banco do passageiro, com o rosto levemente virado para a janela, observando a paisagem passar de um jeito que já não fazia havia muito tempo. Havia algo diferente naquele passeio, algo simples e ao mesmo tempo novo demais para ser ignorado. Era a primeira vez, desde que tinham se acertado de verdade, que saíam sozinhos para algo que não envolvia consulta médica, exames, farmácia, compra para o bebê ou qualquer outra obrigação.

Não havia urgência, nem agenda, nem um motivo prático servindo de desculpa para estarem juntos. Era apenas aquilo: ela e ele, no carro, andando sem rumo certo, como duas pessoas que finalmente estavam aprendendo a se gostar de novo sem o peso constante da dor entre elas. E talvez fosse justamente isso que a deixava tão leve. Ela não sentia o coração apertado ao olhar para Renato. Não sentia vontade de erguer um muro ou pensar demais antes de respirar perto dele. Apenas estava ali, plenamente feliz.

Renato lançou um olhar rápido para ela e depois voltou a atenção para a rua. Mesmo em silêncio, percebia a mudança na postura da esposa. Depois de tudo o que haviam vivido, vê-la daquele jeito, mais tranquila, era como receber um pedaço de paz que ele já tinha achado que nunca voltaria a ter. Passou a mão no volante e deixou escapar um pequeno sorriso antes de perguntar, num tom casual:

— Onde você quer ir?

Desviando os olhos da janela, Sara o encarou por um instante, como se a pergunta a pegasse desprevenida.

— Eu? — perguntou, com um leve sorriso.

— Sim, você — respondeu ele. — Hoje quem manda é você. Pode escolher qualquer lugar.

Ela deixou o olhar vagar pela rua outra vez, pensativa. A cidade estava bonita naquele horário. As pessoas caminhavam pelas calçadas, alguns casais saíam das cafeterias, crianças corriam na praça por onde tinham acabado de passar, e por algum motivo tudo parecia mais vivo. Talvez não fosse a cidade. Talvez fosse ela.

— Não sei — admitiu, sincera. — Faz tanto tempo que eu não saio assim… sem ter alguma obrigação… que até desaprendi a escolher.

Renato a observou por alguns segundos, sem deboche, apenas entendendo o peso daquela frase.

— Então a gente vai reaprender — disse ele. — Sem pressa.

Sara sorriu de leve. Gostava quando ele falava daquele jeito, sem forçar, ou transformar tudo em algo grande demais. Ele estava diferente. Mais contido, atento, mais disposto a construir do que simplesmente tomar. E isso fazia toda a diferença.

— Podemos só andar mais um pouco? — sugeriu ela. — Estou gostando de olhar a cidade.

— Claro.

Renato reduziu um pouco mais a velocidade, como se quisesse obedecer ao clima que ela pedia. O carro seguiu por avenidas mais largas, depois por ruas arborizadas, e Sara foi acompanhando tudo com os olhos. Em determinado momento, viu uma floricultura que tinha um painel antigo na frente, depois uma padaria cheia, uma banca de revistas, um casal de idosos de mãos dadas esperando o sinal abrir. Pequenas coisas comuns, mas, para ela, havia um encanto quieto em tudo aquilo. Era como se tivesse passado tempo demais sobrevivendo aos próprios conflitos e, agora que podia respirar, começasse a notar o mundo de novo.

— Você está muito quieta — comentou Renato, depois de alguns minutos.

Ela se virou para ele e sorriu.

— Acho que estou aproveitando.

— O passeio?

— Isso também, mas… — ela hesitou por um segundo, escolhendo as palavras — acho que estou aproveitando a sensação de normalidade.

A resposta o fez entender perfeitamente o que ela queria dizer. Durante muito tempo, tudo entre eles tinha sido intenso, doloroso e difícil demais. Quase nunca havia espaço para uma felicidade simples. Estar ali, dirigindo sem rumo com a esposa ao lado, podia parecer algo pequeno para qualquer outra pessoa, mas para ele significava muito.

— Eu também estou — confessou.

O silêncio que veio em seguida não foi desconfortável.

Depois de algum tempo, Renato virou à esquerda e entrou numa avenida mais tranquila, de onde se via parte do rio que cortava a cidade. O reflexo do sol na água chamou a atenção de Sara, que se inclinou um pouco para olhar melhor.

— Nossa… eu não sabia que havia um lugar tão lindo como esse na cidade.

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