Assim que viu Constança entrar daquele jeito, Odete sentiu um frio atravessar o corpo. A mulher não tinha apenas chegado sem avisar; havia invadido o apartamento com a arrogância de sempre, como se tudo ali ainda estivesse sob o seu controle.
— O que a senhora está fazendo aqui? — perguntou, assustada, apressando o passo atrás dela.
Constança nem se deu ao trabalho de parar.
— Não te devo satisfação.
Ela caminhava pela sala com o queixo erguido, lançando olhares rápidos e críticos ao redor, como se estivesse avaliando cada detalhe do lugar. O salto fino batia no chão irritantemente com força, enquanto os olhos dela procuravam alguma pista de onde o bebê poderia estar.
— A senhora não pode entrar assim — insistiu Odete, já nervosa.
Constança soltou uma risada curta, sem humor.
— Claro que posso. Essa casa é do meu filho, e você não passa de uma empregadinha de merda que devia saber o seu lugar.
A agressão verbal saiu como um tapa, mas Odete respirou fundo e tentou se manter firme. Já tinha engolido muita coisa daquela mulher no passado, mas ali era diferente.
— Eu vou chamar o senhor Renato — disse ela, virando-se por um instante em direção ao aparador, onde havia deixado o telefone.
— Acha que eu não sei que ele saiu com aquela porca? — disparou Constança, sem diminuir o passo.
Odete travou por um segundo, tomada pela indignação.
— Não fale assim da Sara.
Constança se virou apenas o suficiente para lançar um olhar venenoso por cima do ombro.
— Eu falo como eu quiser. Aquela imunda destruiu a relação que eu tinha com o meu filho e ainda teve a audácia de ter um bebê e dizer que é dele.
Odete sentiu o coração acelerar. A vontade de responder à altura era grande, mas o desespero de ver a mulher andando livremente pelo apartamento falava mais alto. Ela precisava impedir que Constança chegasse perto do menino.
— A senhora precisa ir embora agora — disse, tentando alcançá-la antes que dobrasse o corredor. — Isso aqui não é lugar para esse tipo de escândalo.
— Escândalo? — Constança repetiu, parando finalmente. — Você ainda não viu escândalo nenhum.
E, antes que Odete conseguisse fazer mais alguma coisa, a mulher voltou a andar, dessa vez mais decidida, seguindo em direção ao corredor dos quartos. Odete correu atrás, aflita, sem saber se pegava o telefone ou se tentava barrá-la fisicamente. No fim, acabou fazendo o que o instinto mandou: foi atrás dela.
— Dona Constança, pelo amor de Deus, pare! O bebê está dormindo!
— Melhor ainda — respondeu ela, fria. — Assim eu posso olhar para ele sem aquela sonsa da mãe por perto.
Ouvir aquilo fez Odete sentir uma raiva tão grande que, por um segundo, quase voou para cima do pescoço de Constança.
— Não fale dela desse jeito! A Sara é uma mulher maravilhosa. A senhora devia estar feliz pelo seu filho ter encontrado uma mulher de valor para estar com ele.
Constança parou diante da porta do quarto de Léo e virou-se lentamente.
— Feliz? Meu filho era feliz antes dessa imunda aparecer. Antes de se tornar um homem obcecado, disposto a jogar o próprio nome no lixo por causa de uma qualquer.
— A única qualquer aqui é a senhora! — rebateu Odete, sem vacilar.
Constança a encarou por um longo segundo. Logo em seguida, sorriu. Um sorriso frio e perverso que até seus olhos pareceram mudar de cor.
— Você está muito atrevida para uma funcionáriazinha que não tem onde cair morta.
— Vá embora, dona Constança! — ordenou.
Mas a mulher apenas a ignorou, girando a maçaneta da porta.
Odete avançou.
— Não!

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