Renato sempre deixava um carro extra no estacionamento à disposição de Sara, então, em situações normais, bastaria chamar o motorista. Mas, naquele momento, não havia tempo para esperar ninguém. Com as mãos ainda trêmulas, pegou as chaves e decidiu dirigir por conta própria. A urgência falava mais alto que qualquer cautela.
Assim que saiu do prédio, entrou no carro e deu partida quase no automático. O coração batia tão forte que parecia impedir qualquer pensamento organizado. Mesmo assim, tentou se concentrar.
Precisava pensar como Constança. Para onde ela iria?
Constança não era o tipo de mulher que fazia algo sem um plano. Muito pelo contrário. Se tinha entrado ali e levado Léo, já devia saber exatamente o que faria depois.
— Pensa… — murmurou para si mesma, com os olhos atentos à rua.
Enquanto dirigia, tentou puxar pela memória tudo o que sabia sobre a sogra, mas percebeu que não sabia de nada. Constança era apenas uma mulher amarga, que só lhe fez mal em todo o tempo que conviveram juntas.
A cabeça de Sara girava entre possibilidades, mas nenhuma parecia certa o suficiente. O medo começava a tomar conta e pensamentos negativos começaram a dominar.
E se estivesse indo na direção errada?
E se estivesse perdendo um tempo precioso?
Ela piscou rapidamente, tentando conter as lágrimas que insistiam em embaçar sua visão.
De repente, sentiu os seios pesarem e o leite começar a vazar. Sempre que aquilo acontecia, era um sinal claro: o filho estava chorando. Aquele reflexo do corpo, tão instintivo, tão ligado a ele, apertou seu peito de um jeito quase insuportável. Sentir aquilo ali, distante dele, só aumentava o desespero, formando um nó na garganta que mal a deixava respirar.
— Aguenta, meu filho… — sussurrou. — A mamãe está indo.
[…]
Do outro lado da cidade, Renato dirigia ainda mais rápido. A mente dele já tinha chegado a uma conclusão antes mesmo de sair do prédio. Ele conhecia a mãe. Conhecia a forma como ela pensava, como agia, como gostava de ter controle.
Com o celular na mão, tentava ligar para a mãe sem parar, insistindo mesmo depois de várias chamadas sem resposta. A cada toque não atendido, o nervosismo aumentava, mas ele não desistia. Até que, em uma das tentativas, a ligação foi finalmente atendida.
— Filho?
A voz de Constança veio calma demais.
Aquilo fez um arrepio percorrer o corpo dele inteiro. Como alguém que acabava de levar uma criança poderia soar tão tranquila? Aquela serenidade só tornava tudo ainda mais perturbador.
— Onde você está e cadê o meu filho? — perguntou, direto, sem disfarçar o estresse.
— Ora… — respondeu ela, com a voz mansa demais, cheia de falsidade. — Então você já sentiu falta do pestinha?
A provocação veio acompanhada de um leve riso, que só fez o sangue dele ferver.
— Não brinque comigo! — gritou, perdendo o controle. — Você passou dos limites mais uma vez.
— Limites? — ela repetiu, com um riso baixo e irônico. — Engraçado você falar disso agora, filho, depois de tudo o que já fez.
Tentando não perder o controle, Renato fechou os olhos por um segundo.
— Para com isso e me diz onde você está.
— Calma… — disse ela, num tom quase divertido. — Estou aqui com o “seu” filho.
A ênfase na palavra fez seu corpo estremecer.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou, já sentindo a raiva crescer.
Constança soltou um suspiro teatral.
— Sinceramente, Renato… você nunca parou para olhar direito para esse menino? — disse, com sarcasmo. — Porque, para mim, ele não se parece nem um pouco com você.
O silêncio do outro lado da linha foi intenso.
— E eu fico me perguntando… — continuou ela, sem deixar de ser venenosa — como você pode ter tanta certeza de que essa criança é mesmo sua.
— Chega! — ele explodiu, furioso. — Não fala mais uma palavra sobre isso, ou eu não respondo por mim.
— Por quê? — provocou. — Está com medo de começar a duvidar também?
Renato apertou o celular com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

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