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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 235

Renato sempre deixava um carro extra no estacionamento à disposição de Sara, então, em situações normais, bastaria chamar o motorista. Mas, naquele momento, não havia tempo para esperar ninguém. Com as mãos ainda trêmulas, pegou as chaves e decidiu dirigir por conta própria. A urgência falava mais alto que qualquer cautela.

Assim que saiu do prédio, entrou no carro e deu partida quase no automático. O coração batia tão forte que parecia impedir qualquer pensamento organizado. Mesmo assim, tentou se concentrar.

Precisava pensar como Constança. Para onde ela iria?

Constança não era o tipo de mulher que fazia algo sem um plano. Muito pelo contrário. Se tinha entrado ali e levado Léo, já devia saber exatamente o que faria depois.

— Pensa… — murmurou para si mesma, com os olhos atentos à rua.

Enquanto dirigia, tentou puxar pela memória tudo o que sabia sobre a sogra, mas percebeu que não sabia de nada. Constança era apenas uma mulher amarga, que só lhe fez mal em todo o tempo que conviveram juntas.

A cabeça de Sara girava entre possibilidades, mas nenhuma parecia certa o suficiente. O medo começava a tomar conta e pensamentos negativos começaram a dominar.

E se estivesse indo na direção errada?

E se estivesse perdendo um tempo precioso?

Ela piscou rapidamente, tentando conter as lágrimas que insistiam em embaçar sua visão.

De repente, sentiu os seios pesarem e o leite começar a vazar. Sempre que aquilo acontecia, era um sinal claro: o filho estava chorando. Aquele reflexo do corpo, tão instintivo, tão ligado a ele, apertou seu peito de um jeito quase insuportável. Sentir aquilo ali, distante dele, só aumentava o desespero, formando um nó na garganta que mal a deixava respirar.

— Aguenta, meu filho… — sussurrou. — A mamãe está indo.

[…]

Do outro lado da cidade, Renato dirigia ainda mais rápido. A mente dele já tinha chegado a uma conclusão antes mesmo de sair do prédio. Ele conhecia a mãe. Conhecia a forma como ela pensava, como agia, como gostava de ter controle.

Com o celular na mão, tentava ligar para a mãe sem parar, insistindo mesmo depois de várias chamadas sem resposta. A cada toque não atendido, o nervosismo aumentava, mas ele não desistia. Até que, em uma das tentativas, a ligação foi finalmente atendida.

— Filho?

A voz de Constança veio calma demais.

Aquilo fez um arrepio percorrer o corpo dele inteiro. Como alguém que acabava de levar uma criança poderia soar tão tranquila? Aquela serenidade só tornava tudo ainda mais perturbador.

— Onde você está e cadê o meu filho? — perguntou, direto, sem disfarçar o estresse.

— Ora… — respondeu ela, com a voz mansa demais, cheia de falsidade. — Então você já sentiu falta do pestinha?

A provocação veio acompanhada de um leve riso, que só fez o sangue dele ferver.

— Não brinque comigo! — gritou, perdendo o controle. — Você passou dos limites mais uma vez.

— Limites? — ela repetiu, com um riso baixo e irônico. — Engraçado você falar disso agora, filho, depois de tudo o que já fez.

Tentando não perder o controle, Renato fechou os olhos por um segundo.

— Para com isso e me diz onde você está.

— Calma… — disse ela, num tom quase divertido. — Estou aqui com o “seu” filho.

A ênfase na palavra fez seu corpo estremecer.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou, já sentindo a raiva crescer.

Constança soltou um suspiro teatral.

— Sinceramente, Renato… você nunca parou para olhar direito para esse menino? — disse, com sarcasmo. — Porque, para mim, ele não se parece nem um pouco com você.

O silêncio do outro lado da linha foi intenso.

— E eu fico me perguntando… — continuou ela, sem deixar de ser venenosa — como você pode ter tanta certeza de que essa criança é mesmo sua.

— Chega! — ele explodiu, furioso. — Não fala mais uma palavra sobre isso, ou eu não respondo por mim.

— Por quê? — provocou. — Está com medo de começar a duvidar também?

Renato apertou o celular com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Eu nunca esqueci que você é minha mãe — disse, firme. — Mas também não vou fechar os olhos para tudo o que você fez de errado só por causa disso.

A respiração dele pesou.

— E o que você fez hoje, não tem justificativa nenhuma.

Houve uma pausa.

— Você invadiu a minha casa, aterrorizou a Odete e levou o meu filho. E ainda acha que pode me dar lição de moral?

Do outro lado, Constança soltou um suspiro impaciente.

— Você está exagerando.

— Não… — ele cortou. — É a última vez que eu vou perguntar. Onde está o meu filho?

Antes que ela respondesse, Renato ouviu o choro do outro lado da linha. Era Léo. Ele tinha certeza. O som atravessou tudo e acertou direto seu peito, tirando o ar por um segundo.

— Léo… — murmurou, quase sem perceber.

Do outro lado, o choro aumentou.

— Vou desligar — disse Constança, com a mesma frieza. — O pestinha está chorando e eu preciso calar a boca dele.

— Não faça isso, mãe! — Renato implorou, e sua voz falhou de um jeito que raramente acontecia.

Houve um pequeno silêncio, mas a resposta veio no mesmo tom duro.

— Não estou fazendo isso por você, filho, vai por mim. Eu te amo muito e não quero te ver sofrer.

O choro do bebê continuava, abafado, e aquilo era insuportável.

— Tudo o que quero… — continuou, lentamente — é mostrar para aquela imunda da sua mulher como é dolorido ficar longe de um filho que tanto ama.

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