Vendo que a mãe havia desligado, Renato tentou ligar novamente no mesmo instante, mas a chamada foi direto para a caixa postal. Aquilo fez o seu desespero crescer ainda mais. Ele passou a mão pelo rosto, tentando manter o controle, mas a mente já corria sem direção.
Sem saber o que fazer por conta própria, pegou o celular e ligou para um de seus subordinados, a quem havia solicitado que levantasse possíveis lugares onde Constança poderia estar.
A ligação foi atendida no segundo toque.
— Senhor Salles, eu já estava prestes a ligar para o senhor — disse o homem do outro lado.
Renato nem respirou direito antes de responder:
— Então me diz que conseguiu alguma coisa.
— Sim, senhor. Eu consegui identificar que a sua mãe adquiriu dois imóveis na cidade nos últimos meses. É possível que ela esteja em um deles.
Renato fechou os olhos por um segundo, sentindo uma pontada de alívio.
— Me passe os endereços agora.
— Já estou enviando.
Em menos de um minuto, as informações chegaram. Renato abriu o mapa rapidamente e digitou os dois endereços. O coração bateu ainda mais forte quando percebeu que estava relativamente perto de um deles.
— Que Deus me ajude — murmurou.
Já ia dar partida, quando o celular tocou novamente. Era a sua esposa.
Ele atendeu na mesma hora.
— Renato… por favor, me diz que tem alguma notícia do nosso filho — disse ela, com a voz trêmula.
Tentando transmitir segurança mesmo sem tê-la por completo, ele respirou fundo antes de responder:
— Ainda não, meu amor, mas eu já tenho um caminho. Descobri dois imóveis que minha mãe comprou recentemente, e eu estou muito perto de um deles.
Houve um pequeno silêncio do outro lado, seguido de uma respiração falha.
— Você acha que ele está lá?
— Eu não tenho certeza, mas é a melhor chance que temos agora.
— Me manda o endereço — pediu ela, apressada.
Ele hesitou.
— Sara…
— Renato, eu não vou ficar parada esperando — interrompeu, direta, apesar da emoção. — Ela está com o nosso filho e sabe lá Deus o que pretende fazer com ele.
Ele fechou os olhos por um instante. Sabia que não adiantava discutir com ela, ainda mais quando o assunto era o filho.
— Eu vou te mandar a localização — disse, por fim. — Mas me espera para irmos juntos.
— Não se preocupe comigo, só vamos encontrar o Léo.
A ligação foi encerrada.
— Meu filho… — sussurrou, com os olhos marejados.
A cena foi mais do que ela podia suportar, por isso, qualquer tentativa de manter a calma desapareceu naquele instante.
O instinto falou mais alto.
Ela se afastou da janela rapidamente e começou a procurar ao redor, olhando para os lados, para as paredes, para o chão, qualquer coisa que pudesse servir de entrada.
Uma porta ou uma janela aberta. Precisava encontrar qualquer brecha para conseguir tirar o filho dali o mais rápido possível.
Sem pensar mais, correu até a lateral da casa e encontrou uma porta, aparentemente trancada. Puxou a maçaneta com força, mas nada.
— Abre… abre… — sussurrava, já com as mãos tremendo.
Olhou ao redor, procurando algo que pudesse utilizar, e encontrou um pedaço de madeira encostado perto da parede. Pegou sem hesitar e, com toda a força que conseguiu reunir naquele momento, acertou a porta.
O impacto fez um som estridente, que fez a porta se abrir.
Ela empurrou a porta com força e entrou na casa, com o coração disparado, a respiração pesada, o corpo inteiro tomado por uma urgência que não permitia hesitação. No mesmo instante, deu de cara com Constança no meio da sala, os olhos arregalados demonstravam claramente surpresa ao vê-la ali.
— Como você…? — começou a mulher, sem entender.
Mas Sara não estava ali para responder, ou muito menos para dar qualquer explicação.
Todo o seu foco se prendeu a uma única coisa.
Seu filho, que chorava nos braços de Constança, inquieto, vermelho, visivelmente desconfortável. Aquela imagem foi suficiente para fazer tudo dentro dela ferver.

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