Como queriam dar um fim àquilo o mais rápido possível, Renato e Sara seguiram direto para a delegacia. Odete também foi com eles, ainda abalada, mas determinada a contar tudo o que havia acontecido.
Durante o depoimento, Sara ficou com a voz embargada em alguns momentos, enquanto Renato complementava cada detalhe. Quando apresentaram as imagens da câmera da babá eletrônica, qualquer dúvida deixou de existir.
Mesmo com todo o dinheiro e influência que possuía, tentando acionar advogados e contatos, nada foi suficiente para livrar Constança da gravidade do que havia feito. A situação era séria demais, ainda mais porque Renato, por sua vez, não poupou esforços. Estava decidido a ir até o fim. Queria que a mãe respondesse por cada ato. Sequestro de incapaz, invasão de domicílio, agressão…
Mesmo com toda a pressão e tentativas de reverter a situação, Constança não conseguiu responder em liberdade. A decisão foi clara: permaneceria detida até o julgamento.
Aquilo, para ela, era pior do que qualquer agressão física, porque atingia diretamente o seu orgulho. Ver-se naquela situação, exposta, sem controle e sendo julgada por todos, era algo que jamais imaginou enfrentar.
Não demorou muitos dias para o julgamento ser realizado. Com as provas apresentadas, os depoimentos e as imagens que não deixavam margem para dúvidas, o veredito veio de forma unânime. Constança foi condenada a mais de uma década de prisão pelos crimes de sequestro de incapaz, invasão de domicílio, agressão e desacato às autoridades.
Quando a sentença foi lida, ela perdeu completamente o controle. Levantou-se bruscamente, tomada por revolta, e começou a gritar, xingando todos ao redor — do júri ao próprio juiz, sem poupar ninguém. As palavras foram disparadas com raiva e desprezo, e ecoaram pelo tribunal, transformando o momento em um verdadeiro escândalo.
O juiz tentou conter a situação, pedindo silêncio, mas ela não cedeu. Continuou exaltada, interrompendo, apontando, ameaçando, como se ainda acreditasse que poderia reverter tudo na base da imposição. A cena foi tão grave que o próprio juiz registrou o comportamento dela como agravante, acrescentando mais alguns anos à pena.
Após a sentença, os policiais se aproximaram e a contiveram à força. Mesmo sendo conduzida para fora, ela continuava gritando, tentando se soltar, completamente descontrolada.
Constança foi retirada do tribunal sob custódia e conduzida imediatamente ao presídio, onde começaria a cumprir sua pena.
A viatura seguiu em silêncio durante boa parte do trajeto. Do lado de dentro, Constança permanecia com o olhar erguido, a postura rígida, como se ainda estivesse acima de tudo aquilo. Nem as algemas, nem o uniforme dos policiais, nem o destino que a aguardava pareciam, naquele primeiro momento, ser suficientes para fazê-la baixar a cabeça. Ela ainda se agarrava à ideia de que aquilo era temporário, de que, de alguma forma, sairia dali.
Quando o portão do presídio se abriu com o rangido pesado de ferro, a realidade começou a se impor de forma mais concreta. O ambiente era frio, sem qualquer traço de conforto. Os corredores longos, o som metálico das grades se fechando, as vozes distantes… tudo contrastava com o mundo ao qual estava acostumada.
Mesmo assim, caminhou com o queixo erguido, tentando manter a mesma postura altiva, como se aquilo ainda pudesse protegê-la.
Ela foi conduzida até a ala onde cumpriria a pena. Uma agente abriu a cela e fez um gesto para que entrasse. Constança deu um passo à frente e então parou, porque, naquele instante, algo mudou.
Sentada em uma das beliches, com o corpo relaxado e o olhar atento, estava Lorena. Assim que viu Constança entrar, ela ergueu o rosto lentamente e abriu um sorriso cheio de sarcasmo.
— Olha só quem resolveu aparecer… — disse, cruzando os braços com calma. — Demorou, hein?
A expressão de Constança vacilou pela primeira vez. Não foi algo grande, nem explícito, mas suficiente para revelar que aquilo não fazia parte dos seus planos.
— Você? — murmurou, sem esconder a surpresa.
Lorena deu de ombros, ainda com um sorriso provocador.
— Eu mesma — disse, levantando-se e se aproximando da mulher. — Sempre sonhei com esse momento — continuou, inclinando levemente a cabeça. — Eu sabia que era apenas questão de tempo até a gente se encontrar.
Constança respirou fundo, tentando recuperar a postura.
— Isso não vai durar — disse, ainda tentando sustentar sua superioridade. — Eu não pertenço a esse lugar.

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