Quando viu o estado no qual a esposa e o filho se encontravam, Renato não pensou duas vezes. Se aproximou rapidamente, envolvendo os dois em um abraço, como se quisesse protegê-los de tudo ao redor. Seus olhos passaram por Léo com atenção, verificando cada detalhe, cada reação do bebê, buscando qualquer sinal de que ele estivesse bem.
— Calma… já passou — sussurrou, mais para si mesmo do que para Sara, enquanto apoiava a mão na cabecinha do filho.
Sara ainda tremia, abraçando Léo com força, como se tivesse receio de que alguém pudesse tirá-lo de seus braços novamente.
— Ele está bem… — disse ela, com a voz embargada, mas ainda insegura. — Eu cheguei a tempo.
Aliviado ao ver que o bebê começava a se acalmar no colo da mãe, Renato comentou.
— Sei que pensou em fazer o que era certo, mesmo assim, correu o risco de vir até aqui sozinha.
Enquanto aquela cena acontecia, Constança ainda permanecia no chão, completamente descomposta, com o cabelo desalinhado, o rosto marcado. Seus olhos incrédulos estavam fixos nos dois.
Ela não conseguia aceitar que o filho a ignorou daquele jeito. Era ela quem precisava de ajuda, ela quem foi agredida ali.
— Renato… — chamou, com a voz falha.
Porém, ele não respondeu, pelo contrário, continuou ali, segurando Sara e o filho, como se o mundo se resumisse a eles.
— Renato… — insistiu, mais fraca. — Me ajuda.
Aquela súplica, que em outro momento teria tido algum peso, agora parecia distante.
Ele fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, antes de finalmente olhar na direção dela.
Mas o que havia naquele olhar não era preocupação, era distância e frieza.
— Você que provocou tudo isso… — disse. — Agora aguente as consequências.
— Pelo amor de Deus, você não tem pena da sua própria mãe? — disse ela, com a voz falha, tentando se recompor.
— E você teve pena do meu filho? — retrucou, elevando a voz. — Olha o que você provocou.
Ela apontou para Sara, ainda incrédula.
— Mas ela me bateu!
— E você mereceu — declarou, sem hesitar.
O impacto da resposta a deixou sem reação por um instante.
— Então não se faça de vítima… porque você nunca foi.
Constança abriu a boca para responder, mas, antes que conseguisse formar qualquer argumento, o som de sirenes invadiu o local, quebrando o silêncio. Era a polícia.
O barulho se aproximou rapidamente, até que viaturas pararam do lado de fora. Em poucos segundos, a porta se abriu e os policiais entraram, atentos à cena.
Renato se afastou de Sara e do bebê apenas o suficiente para ir até o comandante.
— Ela invadiu o meu apartamento, trancou uma funcionária e levou o meu filho sem autorização — explicou, direto, ainda tomado pelo nervosismo.
O policial assentiu e se aproximou de Constança, que ainda tentava recuperar a postura.
— Senhora, vamos precisar que a senhora se levante.
Ele estendeu a mão para ajudá-la, e ela aceitou, ainda visivelmente abalada, mas tentando manter a dignidade. Assim que ficou de pé, lançou um olhar altivo na direção de Sara, como se ainda acreditasse que tinha controle sobre aquela situação.
Mas aquilo durou pouco, o policial a segurou pelo braço, girando-o e, em um movimento rápido, colocou a algema em seu pulso.
Naquele instante, a expressão de Constança mudou completamente.
— O que é isso? — ela questionou com o olhar indignado.
O policial manteve a dureza no olhar, sem se abalar com a postura dela.
— Senhora Constança Salles, a senhora está presa por invasão de domicílio e subtração de incapaz — declarou, de forma clara e direta. — A senhora tem o direito de permanecer em silêncio…

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