Então era isso, o trunfo deles. A queda de Charles agora era um jogo.
Tess já tinha cumprido pena... Não se intimidava com nada, muito menos com dinheiro. Dinheiro era dinheiro, e ela não ia desperdiçar depois de tudo o que Charles tinha acabado de passar.
Sem hesitar, ela enfiou o maço inteiro no bolso do paletó dele.
Era o mínimo que podia fazer para dar algum sentido àquela humilhação.
As pessoas que até segundos atrás riam de Charles agora a observavam boquiabertas.
Ela estava realmente ajudando ele? Assim, sem mais nem menos?
Tess, pela primeira vez, percebeu o quanto Charles era pesado. Ele podia parecer magro, mas aquele homem alto desacordado não eram brincadeira de carregar sozinha.
Por sorte, alguns advogados mais jovens ainda tinham um pingo de decência. Em silêncio, se aproximaram e a ajudaram a tirá-lo dali.
Ela não ergueu os olhos em momento algum... Ignorou completamente os olhares curiosos e calculistas à sua volta.
“Quem é essa mulher?”, murmurou a mulher de vermelho, estreitando os olhos. “Charles tem namorada?”
O olhar de Peter se fixou na silhueta de Tess se afastando.
Ela estava vestida de forma simples, com roupas discretas e uma máscara escondendo o rosto, mas, mesmo assim, a elegância natural, sutil e feminina que emanava dela era inconfundível. Aquela combinação de graça contida e algo misteriosamente atraente fez o interesse dele acender.
“Então o senhor certinho não era tão puro assim”, murmurou, com um meio sorriso. “Tava escondendo um caso o tempo todo, é?”
“Agora fiquei curioso pra ver o que tem por baixo dessa máscara.”
O ciúme lhe queimou o peito, e ele rangeu os dentes com raiva.
Os olhos da mulher de vermelho, antes provocantes, perderam o brilho aos poucos. Uma sombra de inquietação tomou conta do olhar dela enquanto observava Tess desaparecer pelo corredor. Em seguida, seu olhar se desviou para um canto mais escuro da sala e seu estômago se revirou de nervoso.
Finn tinha mandado dar uma lição em Charles.
Se algo desse errado, a culpa seria toda daquela mulher que apareceu rápido demais.
Do outro lado do salão, meio coberto pela penumbra, estava um homem que exalava frieza e autoridade, como um iceberg moldado em forma humana. De onde ela estava, conseguia ver apenas o perfil: traços afiados, expressão impassível.
Os olhos de Finn permaneciam fixos em Tess, o olhar profundo e gélido como um poço sem fundo. O ar ao redor parecia congelar.
Atrás dele, Zane permanecia imóvel, quase se fundindo com as sombras.
“Siga ela”, ordenou Finn, a voz baixa, arrastada, com um tom de deboche perigoso.
Ele soltou um leve riso, frio e ameaçador.
Zane estremeceu, depois saiu rapidamente sem dizer uma palavra.
Enquanto isso, do lado de fora do bar, Tess enfrentava seu próprio problema.
“Moço, pode me ajudar, por favor?”, pediu baixinho, lutando para sustentar o peso de Charles.
O motorista do táxi, felizmente, era gentil. Saiu do carro na hora e a ajudou a colocá-lo no banco de trás, ajeitando-o com cuidado.
O peso saiu dos ombros dela, literalmente, e Charles soltou um fraco suspiro.
“Namorado, é?”, brincou o motorista. “Deixou ele bravo e o cara foi afogar as mágoas?”
Tess deu um sorriso sem graça, prestes a explicar, mas parou no meio do gesto... A expressão de Charles se contraiu de repente, o rosto tomado por dor.
Depois de um tempo, se deixou cair em um canto, abraçando os próprios joelhos, e sussurrou mentalmente... Layla, por favor, não acorda agora. Ainda não.
A mulher lançou um olhar breve. “Hemorragia estomacal”, respondeu, num tom neutro.
“Ele ingeriu álcool demais de uma vez só... Qualquer pessoa teria passado mal assim.”
A testa da enfermeira se franziu, e a voz ganhou um tom repreensivo. “Brigar é uma coisa, agora colocar a própria saúde em risco? Isso já é demais.”
“Sinto muito... Não foi nossa intenção causar problema”, disse Tess, com a voz baixa.
O pedido de desculpas ficou preso na garganta, mas ela não tentou se justificar. A culpa a dominava, e ela abaixou a cabeça, aceitando a bronca em silêncio.
Percebendo a sinceridade dela, a enfermeira suavizou o tom. “A cirurgia correu bem. Ele só vai precisar ficar em observação por alguns dias.”
Tess assentiu rápido, várias vezes seguidas.
Pouco depois, Charles foi trazido de volta. Ainda estava pálido e exausto, mas o rosto começava a recuperar um pouco de cor.
Tess foi até a recepção cuidar das despesas do hospital, usando parte do dinheiro que havia colocado no bolso dele. Contou o necessário e guardou o restante, torcendo para que desse pra se virarem nos próximos dias.
Já era tarde... A noite mergulhada em silêncio. As únicas luzes vinham do vermelho do letreiro de emergência e do verde pálido das saídas de segurança.
Tess caminhava sozinha pelo corredor vazio, o som do próprio coração ecoando no peito.
De repente, sentiu alguém parar bem atrás dela.
“Sra. Lock.”
Tess se sobressaltou e girou depressa. No instante em que viu quem era, um frio cortante percorreu sua espinha.

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