Charles destravou o celular por instinto. Uma mensagem de um antigo colega apareceu na tela, alguém com quem ele já foi bem próximo no trabalho. Havia uma foto anexada.
Era Tess, em pé no saguão do Grupo Lock, cercada de curiosos que apontavam e cochichavam.
Uma pontada aguda atravessou o peito de Charles.
Se não fosse por ele, Tess não teria sido humilhada por Finn.
Ela tinha ido tão longe... Tudo por causa dele.
Mesmo já tendo visto a foto antes, olhá-la de novo o sufocava da mesma forma.
“Quero ter alta”, disse, de repente.
Chamou a enfermeira, o semblante coberto por sombras.
Ela piscou, surpresa com a brusca mudança nele.
Sentiu-se desconfortável, mas recusou o pedido. “Sinto muito, Sr. Jackman. Aquela moça foi bem clara... O senhor só pode ter alta quando estiver totalmente recuperado.”
Ao ouvir aquilo, a mão de Charles, que já segurava a maçaneta, recuou devagar.
...
Enquanto isso, Tess vagava pelas ruas, cabeça baixa, derrotada.
O celular tocava no bolso, uma vez, depois outra.
Com a testa franzida, ela finalmente colocou o aparelho no modo silencioso.
Era Charles ligando.
Ela já havia recusado várias vezes. Por fim, desistiu de tentar impedir.
Apertando Layla contra o peito, protegeu a menina do sol forte do meio-dia, que podia machucar sua pele delicada.
Mais cedo, Tess havia tentado se candidatar a uma vaga de faxineira em um hotel. Mas bastava os empregadores verem o bebê nos braços dela para rejeitá-la de imediato... Alguns nem disfarçavam o incômodo.
Ela ergueu o olhar para o sol escaldante. Tudo parecia mais pesado sob aquele calor.
Se não conseguisse um emprego até o fim do dia, onde dormiriam?
Antes da entrevista, Tess havia contado o dinheiro que lhe restava.
Mesmo o hotel mais barato só daria para duas ou três noites. E isso sem contar a comida.
Ela podia ficar sem comer direito, mas Layla, não. E o que Bessie lhe deu já estava acabando.
Perdida em pensamentos, não percebeu o carro de luxo que veio em alta velocidade, desviando perigosamente perto dela.
Assustada, Tess puxou Layla para mais perto e recuou para a calçada.
Mas o carro não foi embora. Começou a dar voltas ao redor dela.
Uma. Duas vezes. Não era coincidência.
Ela semicerrou os olhos na direção do motorista. Quando viu o rosto familiar torcido em um sorriso debochado, todo o corpo dela se enrijeceu.
Tess apertou Layla contra si e abaixou a cabeça, tentando sair dali sem ser notada.
Tarde demais. A porta do carro se abriu com força, bloqueando o caminho.
“Olha só quem é! O mundo é pequeno, hein?”, zombou uma voz aguda.
Eu disse a todos que estava grávida. Será que Tess descobriu?
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