Uma onda de humilhação e frustração tomou conta do peito de Tess, mas o pensamento em Layla, ainda doente e precisando de seus cuidados, fez com que ela respirasse fundo e mantivesse a cabeça baixa.
“Não trouxe meu celular”, murmurou, quase num sussurro.
“Como é que é? Ficou muda, é?”, zombou um dos rapazes, alto o bastante para atrair atenção.
O riso explodiu ao redor, como fogos de artifício. A rua se encheu de vozes debochadas, cada vez mais altas.
Tess tentou se acalmar, se esconder dentro de si, mas era impossível. Um círculo de curiosos já havia se formado, e olhares vinham de todos os lados.
Alguns espectadores chegaram a olhar com pena, até reconhecerem Craig. Então desviaram o olhar e se apressaram em ir embora.
“Sem celular? Então fala seu número!”, exigiu, impaciente, empurrando o ombro dela com força.
Tess cambaleou, quase caindo.
Deu alguns passos para trás antes de se equilibrar novamente. Craig não se importou. Continuou agitando a tela brilhante do celular bem diante de seu rosto.
“É surda também, é?”, ele berrou.
Um dos capangas, percebendo o sinal, avançou e tentou agarrar o cabelo de Tess.
Os olhos dela se arregalaram. Reagiu por instinto.
No meio da confusão, sua máscara foi arrancada.
A rua barulhenta ficou em silêncio.
Só a música alta que vinha do bar próximo continuou tocando.
Os olhos de Craig se arregalaram. O torpor do álcool sumiu num instante.
“Você é...”, começou ele.
Tess se abaixou rápido, pegou a máscara do chão e a colocou de volta num único movimento.
Manteve o rosto escondido, evitando qualquer olhar.
Aproveitou o momento de espanto e tentou escapar.
Mas antes que pudesse dar um passo, uma mão agarrou seu braço. “Ei, pessoal! Cumprimentem minha esposa!”, gritou Craig, segurando-a firme, os olhos brilhando de euforia.
Quem imaginaria que um rosto tão bonito estava escondido sob aquelas roupas simples? Mesmo com a cicatriz leve no rosto, ela era deslumbrante. Ele se sentiu como se tivesse ganhado na loteria.
Craig fez sinal para o mesmo capanga que havia puxado Tess e deu-lhe um tapa estalado no rosto. “Como se atreve a machucar minha esposa?”
Assustada com a ação repentina, Tess olhou instintivamente para o rapaz que havia acabado de levar o golpe.
O rosto do sujeito, magro e ossudo, ficou vermelho e inchado na hora.
“Me solta!”, gritou Tess, o pânico subindo à garganta.
Ela não podia se envolver com aquele tipo de gente. Sabia que o próximo tapa podia ser no rosto dela.
Com um puxão forte, se desvencilhou e disparou pela calçada.
Craig não ia deixá-la fugir tão fácil. Correu atrás sem pensar.
De repente...
Um carro de luxo freou bruscamente na calçada, os faróis cortando a escuridão como lâminas afiadas.
Craig travou, recuando um passo.
Assim que viu o carro, parou completamente. Não se atreveu a dar outro passo.
Não... Não pode ser... Finn?
E, no exato momento em que ela se perdia entre as sombras, o homem que entrava no bar parou de repente. Guiado por instinto, virou-se. Mas tudo o que viu foram silhuetas indistintas se movendo na penumbra.
As sobrancelhas se juntaram enquanto ele examinava as figuras, até que o olhar se deteve numa mulher carregando uma criança.
Uma mãe... levando um bebê a um bar?
Finn esfregou a testa e desviou o olhar, o rosto impassível.
Quando entrou, o local já estava quase vazio. Funcionários limpavam o chão às pressas.
“Sr. Lock, deseja o salão privado de sempre?”
O discreto gerente do bar se aproximou com um sorriso bajulador e um aceno respeitoso.
“Segundo andar.”
Finn tinha uma reunião de negócios marcada ali.
O gerente logo providenciou alguém para acompanhá-lo até o andar de cima.
Ao contrário da agitação lá embaixo, o segundo andar parecia um lounge privado... Silencioso, refinado, distante da atmosfera de bar.
No instante em que Finn apareceu, todos os olhares se voltaram para ele.
Ele nem havia se sentado ainda quando um homem próximo endireitou-se imediatamente.
“Sr. Lock”, disse o homem, levantando-se com uma expressão piedosa.
Finn lançou-lhe um olhar frio, sereno como um lago que esconde uma tempestade.
“O Sr. Holden pediu que eu o esperasse aqui”, explicou o homem. “Mas, infelizmente, sofreu um acidente de carro a caminho. Enviou suas desculpas e pediu para remarcar.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida e presa, ela voltou para se vingar