Os lábios de Finn se comprimiram em uma linha fina, um traço de desagrado passando por seu rosto.
“Recuperar-se de um ferimento grave leva meses, quem dirá de um acidente de carro. Se o seu chefe está pensando em adiar demais a reunião, temo que o Sr. Lock não vá comparecer.”
Zane deu um passo à frente, o semblante severo, concluindo a frase por ele.
O secretário do Grupo Holden entrou em pânico, agitando as mãos depressa.
“Não, não! O Sr. Holden disse... Três dias! Mesmo que precise vir de cadeira de rodas, ele estará aqui em três dias, conforme prometido! Ele está arrasado por ter desmarcado dessa vez. Enquanto tiver fôlego, virá pessoalmente se desculpar. Por favor, Sr. Lock, dê-nos mais uma chance de continuar essa parceria.”
Manteve a cabeça baixa, temendo ouvir a recusa que destruiria todas as suas esperanças.
Afinal, Brody Holden havia se esforçado ao máximo para conseguir aquela reunião com o Grupo Lock, uma oportunidade raríssima.
Mas o destino tinha outros planos.
“Três dias”, repetiu Zane, após lançar um olhar a Finn em busca de sinal.
Ergueu três dedos e disse, com voz firme e definitiva: “Se ele não aparecer em três dias, o acordo está cancelado.”
“Sim, claro!” O rosto do secretário se iluminou de alívio.
Finn se levantou lentamente, o porte imponente, enquanto seu assistente e os seguranças se posicionavam ao seu redor.
Mas, assim que chegaram à porta, o grupo parou de repente.
Finn ficou imóvel, o olhar fixo em um pequeno objeto caído no chão, logo à frente.
Um frasco de remédio.
Algo o fez parar.
Deu alguns passos à frente, os sapatos brilhando sob a luz, e se abaixou para pegá-lo.
Era um frasco de remédio infantil contra diarreia.
Imediatamente, a imagem de uma mulher passando apressada pela multidão voltou à sua mente.
Aquela estranha sensação de familiaridade o dominou de novo.
A mão de Finn se fechou em torno do frasco.
“Zane”, disse ele, em voz baixa e firme: “Descubra quem deixou isso cair.”
Zane piscou, confuso por um instante.
Um frasco de remédio? Por que o Sr. Lock estava dando tanta importância a isso?
“Se eu estiver certo”, acrescentou Finn: “Pertence a uma jovem mãe com uma criança.”
Nesse momento, a compreensão surgiu no olhar de Zane. Ele se lembrou do rosto delicado que viu antes... Se era sobre ela, então era algo sério.
Ele entrou em ação, ordenando que a equipe procurasse alguém com aquela descrição e solicitasse as imagens das câmeras de rua ao departamento municipal.
Logo, um vídeo chegou ao seu tablet.
Zane reproduziu a gravação e confirmou... A Sra. Lock foi quem deixou o frasco cair.
Tess estava totalmente focada em encontrar o remédio o mais rápido possível com Layla no colo. Ela segurava o celular, iluminando o chão com a lanterna, examinando cada pedacinho da calçada.
“É isso que está procurando?”, perguntou uma voz.
Uma mão apareceu no campo de visão dela... Segurando exatamente o frasco que ela buscava.
“Sim!” Os olhos de Tess se iluminaram enquanto ela o pegava rapidamente, erguendo o olhar com gratidão. “Obrig...”
As palavras morreram em sua garganta.
Finn?
O homem arqueou uma sobrancelha, ignorando deliberadamente o espanto no rosto dela.
“E então? Não vai dar pra ela?”, perguntou, a voz grave e rouca, carregada pelo vento frio na rua silenciosa.
Tess despertou do choque e recuou apressadamente.
A testa franzida, cada movimento seu emanava resistência diante do homem à sua frente.
Finn estendeu a mão por instinto para ajudá-la, mas hesitou e a recolheu, fingindo indiferença.
O tempo estava passando. Tess, em desespero, nem voltou ao hotel... Apenas apertou Layla contra o peito e tentou, com mãos trêmulas, abrir o frasco.
Mas o nervosismo a fazia suar; e os olhinhos cerrados da filha a deixavam ainda mais aflita. Tentou girar a tampa várias vezes, sem sucesso.
Finn deu um passo à frente. O leve perfume de sua colônia a envolveu quando ele, firme e delicado, tomou o frasco das mãos trêmulas dela.

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