Tess manteve as costas rígidas como uma tábua, mas sabia que Finn estava ajudando elas. Então apenas apertou os lábios e permaneceu em silêncio.
Sem dizer nada, ele pegou sua mão direita livre e depositou nela duas pequenas pílulas.
Os dois se moveram em silêncio, sem nem o som de um suspiro entre eles.
Mas Layla era a prioridade agora.
Qualquer mágoa que ela ainda guardasse teria de esperar. Tess se virou e, com cuidado, deu o remédio para a menina.
Layla, sempre obediente, abriu a boca e engoliu sem reclamar.
Só então Tess soltou o ar que vinha prendendo. O calor que antes tomava seu rosto desapareceu, dando lugar à frieza habitual.
Por mais que seu instinto rejeitasse Finn, ela não podia negar que ele tinha ajudado. Ainda assim, nenhum gesto de bondade seria capaz de apagar o passado. Com uma expressão fria, se afastou rapidamente.
Um pequeno favor, por mais sincero que fosse, estava longe de saldar dívidas antigas.
A silhueta dela recuou alguns passos.
Um lampejo de emoção cruzou o olhar de Finn, mas num piscar de olhos ele a alcançou.
“O remédio não faz efeito imediato”, disse ele, secamente.
Suas palavras a fizeram parar.
“Vou ajudar você.”
...
Dentro do quarto do hotel.
“Traga uma toalha morna”, ordenou Finn.
Ele desenrolou Layla com cuidado. A garotinha, antes tão viva, agora parecia pálida e sem forças, o pequeno estômago emitindo sons ocasionais.
Tess lhe entregou a toalha e se ajoelhou ao lado da cama, tocando a testa da filha.
Ainda quente. Mas dentro do normal.
Ela soltou um suspiro contido, embora o peito continuasse apertado.
“Layla?”, murmurou.
Normalmente, ao ouvir o nome, a bebê sorria e tentava agarrar seus dedos. Mas agora permanecia imóvel, os olhos fechados, sem reação.
Tess sentiu o corpo inteiro tensionar, o coração tomado pelo pânico. E se perdesse a filha?
Engoliu em seco e aumentou a temperatura do aquecedor. As mãos tremiam enquanto ela limpava o corpinho da menina com delicadeza.
O remédio ainda não fez efeito? Por que ela está tão fraca?
A visão de Tess começou a escurecer até que uma mão pousou suavemente sobre a dela.
“Não tenha medo.”
Tess se sobressaltou e puxou a mão de volta.
Finn sentiu o calor desaparecer da sua palma e, estranhamente, o peito pareceu esvaziar junto.
Baixou o olhar para a própria mão, suspensa no ar.

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