Eliz
O barulho lá fora indicava que Adam enfim chegara. Desta vez eu realmente tinha um herdeiro para colocar nos braços dele. Gostaria de dizer que a emoção era a mesma, mas não era — meu peito explodia de orgulho e ansiedade para vê-lo conhecer nosso pequeno.
Ele entrou e os olhos vasculharam o ambiente até pararem em mim com Adrian nos braços. A janela aberta trazia uma brisa suave e a claridade do entardecer parecia nos abraçar. Ele ficou me observando como se apreciasse a cena; um sorriso lento se abriu. Veio até nós, encostou delicadamente a testa na minha e me deu um beijo — lento, casto, leve, como se temesse me quebrar. As mãos dele pousaram nas mantas que cobriam Adrian; ele tremia de um jeito que eu nunca tinha visto. Quando percebi, as lágrimas já rolavam pelo meu rosto.
Coloquei Adrian no colo dele. O pequeno sentiu o calor dele e se aconchegou.
— Você demorou... — disse eu.
— Eu estava patrulhando de clã em clã, atrás da minha companheira sumida. — Ele falou, mas continuava sorrindo, embriagado com a visão do pequeno.
— Não está bravo? — arrisquei.
Ele soltou um suspiro que virou uma risada leve, fresca e jovial.
— Não estou bravo, estou grato. A deusa me deu uma Luna capaz de resolver os problemas junto comigo: corajosa, inteligente e forte.
— Diz isso porque não me ouviu gritar algumas horas atrás. — Falei, um pouco envergonhada.
— Você foi perfeita. — A voz rouca e os olhos marejados dele me emocionaram ainda mais. Ele ajeitou uma mecha de cabelo solta — o que não adiantou muita coisa, pois eu estava uma bagunça. — Eu amo cada pedacinho seu, Eliz. Amo nossa família e juro protegê-los com a minha vida. Todos eles.
Passei vinte e quatro horas em observação no abrigo. Depois fui liberada.
Adam segurava Adrian e nos despedimos de Gladis; seguimos para o nosso lar. Eu estava tão cansada que, em vez de levá-lo ao berçário, coloquei-o ao meu lado na cama.
Cochilava quando um rosnado alto me acordou. Uma ômega assustada corria em direção contrária, como quem foge pela vida. Quando Adam se virou, o lobo estava nos olhos dele.
— Igor! Não faça isso. Ela me ajuda com meus filhotes e eu tenho carinho pela ômega. — Tentei intervir.
Ele não respondeu; estava claro que não ligara para o que eu disse.
— Meu filhote. — A voz grossa do lobo respondeu.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...