Vanessa Bragança
Troquei a saliva com dificuldade enquanto subia os degraus do jato. Adrian vinha logo atrás — não sei se para me amparar ou para me impedir de fugir. Eu realmente queria me afastar da família; não havia mentido para meu pai. Todos me avisaram para me afastar de Gabriel Santos. O motivo deles pouco tinha a ver com meu bem-estar e muito com diferença de status e de dinheiro. Ainda assim, estavam certos; eu estava errada. Não estou pronta para ouvir críticas.
Quero que meu captor confie em mim e me permita voltar para minha família quando perceber que sou confiável.
O jato tinha oito poltronas em tom creme — quatro de um lado, quatro do outro — e, ao fundo, uma pequena cabine com cama de casal, onde Adrian me acomodou.
— Descanse um pouco. Temos três horas de voo — disse ele.
— Obrigada, — respondi.
Deitei-me, segurei o travesseiro e comecei a pensar. Adrian vestia uma calça jeans e uma camisa preta de manga curta; mesmo com roupa simples, destacava-se: rosto de traços bem marcados, olhar sério, corpo todo músculos, e que se transformava em lobo.
Se um humano comum me afundou o rosto a socos, me deu uma concussão, imagine o que Adrian poderia fazer quando estivesse com raiva. Não, eu não ia testar essas águas.
Preciso que ele confie em mim e me liberte o mais rápido possível. Eu Confiar? Agora já não é mais para mim. Nunca mais.
No meio desses pensamentos, acabei cochilando.
— Vanessa, chegamos — ouvi sua voz baixa e grave me chamando.
Levantei-me e passei a mão no rosto, conferindo a bandagem. Adrian estendeu a mão e descemos. Só então percebi que mais três homens nos acompanhavam no voo.
Cumprimentei-os com um leve aceno e entramos em um carro. Já não fazia ideia de onde estávamos.
O carro nos levou a uma mansão. Eu saí da casa do meu pai justamente por detestar esse tipo de lugar: enorme, frio e impessoal.
Adrian subiu as escadas e mostrou onde seria meu quarto. Estilo clássico — móveis brancos, detalhes dourados, um criado-mudo de cada lado com abajur, uma janela que deixava entrar ar e oferecia boa vista, e um banheiro anexo.
Uma empregada entrou com uma bandeja: suco, alguns biscoitos e meus remédios.
— Senhora, sou Vera. O alfa Adrian passou o horário dos seus medicamentos. Precisa de mais alguma coisa? — disse ela.
Sentei-me em uma poltrona com a bandeja e comecei a beliscar os biscoitos.
— Eu sou Vanessa. Obrigada pelo lanche — respondi.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...