Artemísia
Encerro a ligação com a sensação de dever cumprido. Felipe permanece sentado na beira da minha cama.
— Quer que eu vá embora?
Dou-me conta da situação em que me encontro: posso dizer que sim e pedir que vá embora agora, mas de que adiantaria? Ainda teria que cumprir um ano me deitando com ele, porque, claro, há uma cláusula em que ele ganha um filhote com linhagem pura da minha família; assim como um garanhão que recebe a égua premiada. Essa sou eu.
Quando ele me lança um olhar minucioso, como se realmente me desse a escolha, percebo que tenta me ler com o que acabou de descobrir ao me ver hackear e achar uma assassina. Ao que parece, ele mantém algum resquício de controle.
— Adiantaria de alguma coisa te mandar embora hoje? — pergunto. — Acaso eu ainda não seria obrigada a estar contigo?
— Então não faça apenas por obrigação. Considere que me conheceu aqui, que deseja conhecer o seu corpo e os seus limites tanto quanto eu anseio por mostrar‑te — ele responde.
Caminho até ele devagar; ele se levanta. Minha respiração fica pesada, o coração acelerado.
— Então faça‑me esquecer de tudo isso apenas por hoje, Felipe. Amanhã você vai embora; não quero conversar amanhã. Afinal, nossa vida já está decidida.
— Diga exatamente o que quer de mim hoje, Artemísia — a voz dele, rouca e contida, vibra no quarto.
— Quero que me faça esquecer aquele maldito contrato.
Ele rosna — como se eu o tivesse ofendido — mas os lábios encontram os meus com violência brutal.
— Sua primeira vez? — pergunta entre beijos.
— Sim.
— Vai doer, mas logo seu corpo se acostumará — diz, enquanto suas mãos, que apertavam minha cintura a ponto de doer, suavizam; os beijos carnudos agora parecem carícias. O hálito quente e o sabor de menta me envolvem.
— Sentirá prazer também, Temi — promete.
Prendo o ar quando ele levanta minha blusa lentamente. Estou no meu quarto, à vontade; não uso sutiã ou top por baixo. Em segundos, a blusa está no chão, deixando meus seios expostos. Ele começa a sugá‑los.
Um suspiro brota da minha garganta; passo a mão por seu pescoço e pelos cabelos. As mãos dele passeiam pelo meu corpo, chegam ao cós do short, abrem o botão e o zíper, e o descem devagar. Seus olhos fixam‑se na minha calcinha, que começa a ser baixada gentilmente. Um frio percorre minha espinha.
— Relaxe, deixe seu corpo acostumar com meu calor, Temi — ele ordena.
Fecho os olhos.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...