Vanessa Bragança
— Eu quero ter filhos. Só não quero deixar para Deus o meu controle de natalidade. Meu corpo vai ficar parecendo uma sanfona. Além disso, quero tempo para me cuidar, respirar, me divertir.
Balancei a cabeça, incrédula. Busquei paciência ; afinal, ele existia e era a prova viva de que nem tudo o que eu conhecia estava correto.
— Eu sou cristã. Minha mãe era cristã e toda a minha família é cristã. Eu não vou deixar uma deusa que eu não conheço decidir meu controle de natalidade.
Não faltava mais nada na minha vida: conseguir um lobisomem que queria se reproduzir como um coelho.
O rosto sério dele, me encarando furioso, começou a me deixar nervosa. Cruzei os braços e me afastei devagar, como quem recua diante de uma fera selvagem.
— Não faz isso, droga! — ele falou alto, num tom firme, claramente chateado.
— Isso o quê? — perguntei, encolhendo-me instintivamente.
— Isso! — fez um gesto com a mão, apontando para mim de cima a baixo, antes de se sentar à beira da cama.
— Você já deveria saber que, mesmo querendo te estrangular, eu jamais encostaria um dedo em você, Vanessa.
Adrian passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Eu sei… quer dizer… eu tenho instinto de sobrevivência, e você sabe — repeti o gesto dele, evidenciando o tamanho muito maior que o meu.
— E o que você queria? Que eu fosse um humano fraco? — Os olhos dele me fitavam, questionadores.
— Aos seus olhos, todos os humanos são fracos? É isso mesmo, Adrian?
Ele bufou, apoiando o rosto na mão — o polegar no queixo, o indicador sobre os lábios — como quem media as palavras. Mas eu já sabia a resposta.
— Quando eu chegar às suas terras, com a sua gente, é assim que serei tratada? Supremo, Adrian? — O título que ele mencionara soou amargo na minha boca. Eu não queria viver me sentindo menor.
O olhar dele desviou para a parede, como se houvesse algo muito interessante ali.
Saí do quarto, batendo a porta.
— Meu Jesus Cristo, dai-me paciência.
Peguei as chaves do carro e marchei até a garagem, o único lugar que me acalmava nessas horas. Um homem de Adrian — que agora eu sabia ser um lobo — me interceptou no caminho.
— Luna, eu vou acompanhá-la.
— Não é necessário, obrigada.
Tentei abrir a porta do carro, mas ele me bloqueou.
— Quem foi? — perguntei, e o lobo me olhou constrangido. — Quem deu essa ordem? Fala.
— O Supremo.
— Esta é a minha casa. Aqui, só eu e o meu pai damos ordens, ouviu bem?
Tentei abrir a porta novamente. Ele me bloqueou outra vez.
— Que inferno! — gritei, minha paciência já esgotada.
— Ajax, pode deixar que eu assumo daqui — disse Adrian.
O lobo se afastou.
— Você não pode fazer isso… — falei quase num sussurro, baixando a cabeça sem nem saber por quê.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...