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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 190

Vanessa Bragança

— Eu quero ter filhos. Só não quero deixar para Deus o meu controle de natalidade. Meu corpo vai ficar parecendo uma sanfona. Além disso, quero tempo para me cuidar, respirar, me divertir.

Balancei a cabeça, incrédula. Busquei paciência ; afinal, ele existia e era a prova viva de que nem tudo o que eu conhecia estava correto.

— Eu sou cristã. Minha mãe era cristã e toda a minha família é cristã. Eu não vou deixar uma deusa que eu não conheço decidir meu controle de natalidade.

Não faltava mais nada na minha vida: conseguir um lobisomem que queria se reproduzir como um coelho.

O rosto sério dele, me encarando furioso, começou a me deixar nervosa. Cruzei os braços e me afastei devagar, como quem recua diante de uma fera selvagem.

— Não faz isso, droga! — ele falou alto, num tom firme, claramente chateado.

— Isso o quê? — perguntei, encolhendo-me instintivamente.

— Isso! — fez um gesto com a mão, apontando para mim de cima a baixo, antes de se sentar à beira da cama.

— Você já deveria saber que, mesmo querendo te estrangular, eu jamais encostaria um dedo em você, Vanessa.

Adrian passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Eu sei… quer dizer… eu tenho instinto de sobrevivência, e você sabe — repeti o gesto dele, evidenciando o tamanho muito maior que o meu.

— E o que você queria? Que eu fosse um humano fraco? — Os olhos dele me fitavam, questionadores.

— Aos seus olhos, todos os humanos são fracos? É isso mesmo, Adrian?

Ele bufou, apoiando o rosto na mão — o polegar no queixo, o indicador sobre os lábios — como quem media as palavras. Mas eu já sabia a resposta.

— Quando eu chegar às suas terras, com a sua gente, é assim que serei tratada? Supremo, Adrian? — O título que ele mencionara soou amargo na minha boca. Eu não queria viver me sentindo menor.

O olhar dele desviou para a parede, como se houvesse algo muito interessante ali.

Saí do quarto, batendo a porta.

— Meu Jesus Cristo, dai-me paciência.

Peguei as chaves do carro e marchei até a garagem, o único lugar que me acalmava nessas horas. Um homem de Adrian — que agora eu sabia ser um lobo — me interceptou no caminho.

— Luna, eu vou acompanhá-la.

— Não é necessário, obrigada.

Tentei abrir a porta do carro, mas ele me bloqueou.

— Quem foi? — perguntei, e o lobo me olhou constrangido. — Quem deu essa ordem? Fala.

— O Supremo.

— Esta é a minha casa. Aqui, só eu e o meu pai damos ordens, ouviu bem?

Tentei abrir a porta novamente. Ele me bloqueou outra vez.

— Que inferno! — gritei, minha paciência já esgotada.

— Ajax, pode deixar que eu assumo daqui — disse Adrian.

O lobo se afastou.

— Você não pode fazer isso… — falei quase num sussurro, baixando a cabeça sem nem saber por quê.

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