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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 207

Artemisia

Tremi. Não sei se de medo ou de vergonha. Puxei o lençol e me cobri.

— E o que isso mudaria no nosso caso, Felipe? Tenho certeza de que você não chegou à minha cama virgem.

Falei enquanto me enrolava no lençol e me levantava.

— Tenho vinte e oito anos, Artemisia. Houve outras fêmeas, mas nenhuma foi importante para mim.

Ele bufou, irritado, me observando como um gato encara o rato. Nem se deu ao trabalho de cobrir a própria nudez.

Peguei o diagnóstico e a receita dentro da bolsa e estendi para ele.

— Sinto muito que suas amantes não tenham significado nada para você.

Felipe tomou os papéis da minha mão e os analisou com atenção.

— Você disse que queria que eu fosse ao médico. Está aí.

Depois de ler, ele ergueu o olhar, visivelmente constrangido.

— O que exatamente você sente? Porque você estava… úmida. Seu corpo estava pronto. Eu me certifiquei disso todas as vezes em que estivemos juntos…

A voz dele perdeu a firmeza.

Respirei fundo.

— Eu e Aquiles não somos fruto de uma traição, como todos comentam. Somos filhos... de um estupro. E ela acha que eu preciso de terapia, mas a médica era humana. Não sei os efeitos em mim como loba, irei a uma curandeira assim que possível.

Ele ficou imóvel, continuei explicando.

— Minha mãe tentou enterrar essa história. Só alguns mais velhos sabem. Eu e Aquiles descobrimos aos dezoito anos. Ela tentou nos poupar.

Felipe sentou ao meu lado.

— Me desculpe…

— Não há o que desculpar. Eu era virgem, não tinha como você saber. E só procurei a ginecologista porque você estranhou. Caso contrário, eu continuaria achando que era normal.

Ele me olhou decidido.

— Procure os melhores profissionais. Contrate quem for necessário. Quero alguém no nosso território até você estar bem.

— Eu vou providenciar. Mas prefiro consultas online. Já tive interações demais nesses dias.

Ele assentiu, ainda me estudando.

— E o Aurin?

— Eu fui apaixonada por ele na adolescência.

Mas Aurin espera a companheira dele. Nunca me olhou como algo além de uma irmã.

O silêncio ficou pesado.

—Entendo. E por mim, Temi?

O olhar dele carregava algo que eu ainda não podia oferecer.

— Eu sinto desejo. Como nunca senti antes.

O maxilar dele travou. Seu corpo ficou tenso.

Respirei fundo e comecei a vestir o pijama, fugindo daquele olhar sombrio.

— Por enquanto, isso basta — ele murmurou. Não sei se para si mesmo ou para mim.

Duas batidas fortes na porta me fizeram sobressaltar.

— Temi! Me ajuda!

Corri para abrir.

Liliane estava praticamente escarranchada no meu irmão. Ele parecia aflito; ela, sorria como uma boba, com as faces coradas denunciando que estava bêbada.

Entendi imediatamente o dilema de Aquiles. Ele não resistiria dez minutos com ela implorando daquele jeito.

— Oi, Luna… — a voz dela embolava. — Parece que não demos sorte no casamento do seu irmão. Nenhuma de nós vai namorar.

Ela levantou o dedo como se estivesse fazendo uma declaração solene.

— O que eu faço com você, sua maluquinha?

Liliane se levantou e começou a desabotoar o vestido, que caiu no chão. Tirou o sutiã e o lançou no canto do quarto.

— Eu não fiz nada. Literalmente nada.

Deitou na minha cama e se cobriu, dando tapinhas ao lado para que eu me deitasse também.

— Escuta, Luna… Depois do seu irmão me dar orgasmos magníficos sem sequer entrar em mim… Quer dizer, ele usou a língua e foi maravilhoso…

Humm. As coisas estavam pegando fogo — e duvido que esfriem tão cedo. Aquiles realmente está apaixonado.

bônus 67 Desejo não é amor 1

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