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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 210

Artemísia

— Aprecio que tenha vindo pessoalmente verificar, Rei Lucien. Assim posso lhe mostrar como cheguei a essa decisão.

Abri na tela os gráficos com todos os números e estimativas de natalidade e mortalidade ao longo dos séculos.

— Esse estudo é muito detalhado. Talvez eu devesse fazer algo parecido na alcateia do palácio. Com certeza você não começou isso esta semana.

Minha loba respirou aliviada; assim como eu. Nunca se sabe o quanto pode alterar sua vida com a visita desse ser.

Deixei-o analisando os arquivos enquanto peguei alguns morangos. Meu estômago finalmente havia se acalmado, mas uma fraqueza súbita fez minhas pernas bambearam pela falta de energia.

Sentei-me na cadeira à frente dele. Lucien permanecia inclinado sobre o computador, examinando tudo com atenção.

— O Rei aceita? — perguntei, oferecendo a vasilha com os morangos. Ele não me avisou que viria, então não queria formalidades.

— Não, obrigada.

Assenti e levei um à boca.

— Comecei essa pesquisa há dois anos. Na verdade, estava tentando encontrar a cura para o que chamam de maldição dos machos de Garras de Gelo. E ainda estou procurando, aliás.

— Então, pelo que entendi, você escolheu miscigenar o sangue em vez de aceitar um número drasticamente reduzido.

Ele não desviava os olhos da tela.

Engoli devagar antes de responder:

— Ainda procuro outra saída. Mas, no momento, essa é a única alternativa que garante que os lobos com o poder do gelo não entrem em extinção.

Ele se recostou na cadeira, o cenho franzido. O olhar ia da tela para mim, como se pesasse os números.

— Seu avô aprovou sua decisão?

— Sim. É o mais sensato a se fazer. Como o senhor mesmo pode ver.

— Hum… — Ele estreitou os olhos. — Vai contar o restante sozinha ou precisa de ajuda, Artemísia?

Senti a aura dominante dele pressionar meu peito, uma pressão na minha cabeça.

— Certo… mas que fique claro que minha decisão foi baseada nos dados que o senhor acabou de analisar.

Ele retirou sua dominância.

— Não se preocupe. Eu me lembrarei.

Mordi o lábio. O que eu estava prestes a dizer soava como loucura até para mim.

— E se… a linhagem das ômegas douradas realmente existir?

Os olhos dele mudaram. Brilharam de um jeito que não soube decifrar. Curiosidade? Irritação? Fascínio?

— Minha avó contava histórias sobre elas. Nunca levei muito a sério. Sempre achei que fossem apenas lendas…

Penso na melhor forma de falar sem me descredibilizar profissionalmente.

— Histórias repetidas por gerações às vezes carregam memórias. Memórias dos nossos ancestrais. Vou seguir essa pista nos próximos dias.

Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa. O tom ficou mais grave.

— Você tem noção do caos que seria se anunciassem a existência dessas fêmeas?

Desviei o olhar.

— O mesmo que aconteceu com minha mãe. Elas seriam caçadas sem descanso. Eu preciso da sua ajuda.

— Seja mais específica. Em que exatamente?

Coloquei outro morango na boca, mastiguei e engoli vagarosamente, ganhando tempo.

— Ainda não pensei nessa parte.

Ele riu, descrente.

— Algo que não envolva trancafiar a fêmea e obrigá-la a parir meu Rei.

Seu sorriso diminuiu. Foi exatamente o que ele fez com minha mãe.

— Você se ressente disso? — perguntou em tom quase leve. — Se não fosse por mim, você não existiria.

Estreitei os olhos, filho de uma puta. Pena não poder dizer o que penso.

— Talvez seja melhor ninguém saber dessa parte da conversa, meu Rei. Por favor.

Ele sustentou meu olhar por alguns segundos. Parecia ciente doseus pensamentos e não se importava nem um pouco.

— Não contarei. Talvez tudo não passe de lendas, no fim. Vou acalmar meus anciãos — no momento, eles acreditam que você está mais louca que Eliz e Adam juntos.

— Obrigada.

bônus 70 Entre devaneios e realidade. 1

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