Liliane
— Vamos Lia, me ajude hoje à noite. Fica comigo, por favor. Me ajuda, você é minha irmã! — segurei a mão dela, tentando persuadi-la.
— Liliane, eu vou ficar de vela para você e o Alaric? Sério?
— Nós só temos um ano de diferença, Lia. Mesmo assim, eu sempre te ajudei em tudo. — implorei.
— Eu vou ficar vendo ele correr atrás de você pela casa tentando te agarrar?
— Não. É justamente para ele não me agarrar que você vai ficar colada comigo.
Lia pareceu usar toda a sua curta paciência naquele momento. Ela me olhou e balançou a cabeça, com uma expressão de quem não acreditava no que estava ouvindo.
— E aí vocês vão se agarrar na cozinha de novo…
— Não foi bem isso que aconteceu.
Ela arqueou a sobrancelha, claramente duvidando.
— Eu não vou me meter nisso, ouviu? — dessa vez ela perdeu completamente o tom brincalhão e briguento de sempre. — Você precisa acordar. Está brincando com a vida de todo mundo aqui. Lembra da nossa avó? Ela ficou órfã porque um Alfa massacrou a família inteira. Nosso pai nunca vai aceitar isso. Se ele descobrir… acabou. Nunca mais vamos nos ver. Você é minha única irmã. Pela deusa, pensa um pouco!
Ela respirou fundo antes de continuar, a voz mais baixa, mas carregada de medo. Algo em mim se retorcendo com suas palavras.
— Já imaginou quando os alfas descobrirem onde as ômegas de ouro vivem? Eles vão matar os machos e levar as fêmeas. Quer ver nossas amigas sendo arrastadas e violadas? Quer ver nossos parentes mortos tentando proteger suas famílias? Então me diga, Liliane… sua felicidade vale esse massacre?
Esse é o erro que um ômega não pode cometer: fazer uma escolha por impulso nesse mundo sobrenatural. Isso já custou a vida de muitos lobos. Foi ensinado e gravado com o sangue dos nossos ancestrais.
A história que ouvimos desde crianças sempre foi a mesma: o dia em que um alfa furioso arrancou a cabeça — ou algum membro — de um parente nosso.
Ver a Luna Artemísia fazer exatamente isso, tranquila e serena, me mostrou que não eram apenas histórias para assustar filhotes. E a maneira como Aquiles chicoteou um grupo inteiro de anciões com facilidade deveria ter me convencido por si só.
Então acorda, Liliane!
Ela estava certa.
— Me desculpa… me desculpa, irmã. — comecei a chorar em soluços.
Ela me puxou para seus braços e passou as mãos pelas minhas costas, como fazia quando éramos pequenas e o mundo parecia mais simples.
— Eu vou tentar… vou aprender a gostar do Alaric. Vou arrancar Aquiles do meu coração, custe o que custar. Eu prometo.
Senti Lia me apertar ainda mais forte, como se tivesse medo de me perder.
Passei o resto do dia chorando no meu quarto. Quando Alaric chegou, lavei o rosto e passei uma maquiagem leve para esconder a vermelhidão. Coloquei uma calça jeans, uma camiseta branca e deixei o cabelo solto para não demorar.
Alaric estava na sala com outro buquê nas mãos. Desta vez, as rosas eram amarelas.
— Obrigada, Alaric.
Ele me puxou e me deu um selinho na frente de todos.
— Vamos dar uma caminhada pela cidade?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...