Felipe
Observo, atônito, a ômega servir mais uma bandeja de risoles. A mesa já estava recheada: uma torta inteira de carne desfiada, quibes dourados, empadinhas de camarão cremoso e de carne com cheddar, além de coxinhas de carne de sol com queijo, ainda soltando um aroma irresistível.
Minha fêmea parece afogar a mágoa na comida; o golpe de hoje a deixou realmente irritada.
— Eu ainda posso…
— Não quero ouvir, se for começar com aquela conversa que sempre termina com tudo pegando fogo de novo. — Ela aponta o dedo para mim, o rosto furioso.
— Foi só uma ideia. — Dei de ombros e roubei um pedaço da torta dela. — Ainda não desistiu?
— Claro que não. Deve haver algo que eu possa usar para convencer aquelas fêmeas. — Ela fala, mordendo a empada, formando um grande fio de queijo.
A fêmea que nos servia estava no balcão, fingindo enxugar o mesmo copo por um tempo suspeitosamente longo. Eu podia jurar que cada vez que ela se aproximava, a saliva quase escorria pelo canto da boca… ou era impressão minha? Baixava o olhar a cada segundo, rezando mentalmente para a deusa: “Por favor, que Temi não arranque a mão de outra loba por minha causa… ou pior, que ela não ache que sou culpado e resolva me punir no lugar dela.”
— Não vai comer, companheiro? — Ela arqueia uma das sobrancelhas perfeitamente delineadas, fazendo o pelo do meu pescoço se arrepiar.
— Claro, estava só deixando você se servir primeiro. — Pego a empada de camarão cremoso e mordo.
— Me dá um pedaço. — Havia mais quatro na mesa, mas ela estava aprontando das suas.
Ofereço a empada, e ela inclina o corpo até mim, fazendo um barulho de prazer ao mastigar a coxinha, que faz meu sangue correr imediatamente para o sul.
— Realmente muito gostoso. — Ela me olha, claramente não falando mais da empada.
Sinto minhas orelhas arderem de vergonha. Será que minha fêmea vai dar um show particular aqui?
— Experimenta da minha agora. — Ela me deu um pedaço do seu salgado. Quando voltou, bateu na jarra de suco, ensopando minha camisa.
— Artemísia, que diabos?
A ômega chegou imediatamente ao meu lado com um pano, esfregando-me, e vi um sorriso tentando escapar nos cantos dos lábios de Artemísia.
— Ah, que desastre estou hoje, querido. Tire a camisa. — Seu cheiro adocicado me envolveu.
Estreitei os olhos para Artemísia enquanto a ômega esfregava minha camisa mais do que secava, sentindo seu cheiro adocicado de excitação atingir nossos olfatos sensíveis.Que diabos ela queria afinal.
— Já era, tire a camisa… essa mancha não tem mais conserto. — Comenta Artemísia, sorrindo de um jeito que engana qualquer um que não a conheça.
Tiro a camisa e vejo a pupila da ômega se dilatar, o coração dela acelerando.
— Estou indo para a pousada; se quiser, pode ficar aqui e terminar sua refeição.
Saio antes que a louca me mande tirar as calças também, para provar seu ponto.
— Eu vou com você, querido. — Ela se vira para a atendente corada e pisca um olho para a fêmea. — Amanhã voltamos. Obrigada pela sua atenção.- escuto ela dizendo, enquanto saio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...