Liliane
Esperei tanto por esse momento. Meus dezoito anos marcariam o dia em que eu conheceria minha loba, cercada pela minha família, em uma celebração que planejei por anos. Mas o destino foi cruel. Agora, uma fada a manteria encantada, impedindo minha transformação até que meus filhotes nascessem. Posso ouvir sua voz, sentir sua presença… mas não posso me transformar.
Eliz colocou em meu pescoço o colar de Luna do Sul, uma joia magnífica. Nada delicada, suas pedras grandes e imponentes chamavam atenção e exalavam poder.
A fada Ania ergueu as mãos, mantendo as palmas abertas uma diante da outra enquanto murmurava um encantamento. Uma luz suave surgiu entre seus dedos, pulsando lentamente. Ela voltou as palmas para mim, e a energia me envolveu como um vento gelado.
— Está feito, lobinha. Quando se recuperar do parto, retirarei a magia.
Pisquei, perplexa, fechando os olhos enquanto me concentrava. Pela primeira vez, a voz da minha loba invadiu minha mente.
Companheiro… Ande, Liliane! — ela implorou, desesperada.
Senti meu corpo reagir, e minhas pernas começaram a se mover.
— Espera! Eu ainda nem terminei a maquiagem! — Vanessa gritou, gesticulando com pincel e estojo nas mãos atrás de mim.
O cheiro de Aquiles era tão poderoso, tão viciante, que juro que meus pés queriam correr sozinhos.
A loba rugia dentro do meu peito, desesperada por ele. Um uivo escapou sem que eu conseguisse segurar. Eu sabia que ela havia assumido o comando, pois comecei a enxergar as cores ao redor de forma mais intensa, mais nítida.
Enquanto descíamos as escadas, meu ventre aqueceu e uma dor fina começou a se instalar. Senti minha calcinha molhar rapidamente. Um pânico súbito me atravessou: e se eu estivesse perdendo nossos filhotes?
Mas a loba rosnou suavemente em minha mente:
— Eu cuido de nossos filhotes. Eles estão ótimos.
O alívio me tomou. Antes que eu percebesse, chegamos ao salão de festas, onde os convidados já nos aguardavam.
Sem pensar, corri e pulei. O som do vestido rasgando até o alto da coxa ecoou, e caí direto no colo de Aquiles. Minhas pernas o envolveram com força, prendendo-o entre elas.
— Companheiro. — A palavra escapou da minha boca como um comando, carregada de desejo e de uma possessão selvagem.
Nos olhos de Aquiles, vi seu lobo responder.
— Companheira.
Sua voz carregava instinto e posse.
O som reverberou dentro de mim, intensificando meu calor. Meu corpo inteiro formigou como se uma corrente elétrica o percorresse.
Aquiles
Senti no exato momento em que a loba dela emergiu. Finquei os pés no chão e controlei meu lobo. Ele queria montá-la desde o primeiro dia em que a viu, mas eu o forçava a recuar a cada investida dolorosa.
Seu cheiro chegou antes mesmo que ela aparecesse no salão. Seus olhos, agora em tom âmbar, brilhavam enquanto ela caminhava em minha direção com determinação, demonstrando o quanto sua sensibilidade lupina a afetava.
Liliane tomou impulso e pulou no meu colo. Alívio e admiração se misturaram em meu peito.
— Companheiro. — Sua loba me reivindicava ali, diante de todos, com ousadia.
Meu lobo ficou orgulhoso.
— Companheira. — respondi, apertando-a contra mim, sentindo o conforto de tê-la em meus braços.
O Rei Lucien apenas ergueu o grande livro, sabendo que nenhum de nós prestaria atenção em qualquer discurso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...