Luna Vanessa
O pediatra sorriu.
— Na verdade, Luna, você já não é tão humana quanto pensa desde que foi mordida pelo lobo.
Franzi o cenho.
— Como assim? Vou começar a me transformar na lua cheia?
Ele soltou um leve riso.
— Isso é improvável… mas não impossível. Alguns humanos possuem um gene latente — geralmente porque, em algum momento da linhagem, um lobo se envolveu com uma humana. Quando mordidos, esse gene pode ser ativado. Só um exame genético poderia confirmar.
Mas, mesmo sem isso, o simples fato de ter sido marcada pelo seu companheiro e manter intimidade com ele já altera sua natureza. Você não é mais totalmente humana. Provavelmente viverá tanto quanto ele… e seu envelhecimento vai desacelerar no mesmo ritmo.
Olhei para Adrian, que apenas deu de ombros, cínico.
— Você sabia disso, não é?
Ele nem tentou negar.
— Foi escolha da deusa. Você já era minha desde o momento em que coloquei os olhos em você.
Era para eu ficar irritada; afinal, ele não me contou essa parte quando insistiu em me morder.
Mas, naquele instante, vendo-o todo bobo, completamente encantado… apenas cocei a nuca.
No fundo, eu já estava mordida. Presa. Envolvida até a alma com esse lobo safado.
Soltei um suspiro.
— Certo. Então vou tirar leite para alimentar esse lobinho guerreiro.
O orgulho estampado no rosto de Adrian aqueceu meu peito. Ele permaneceu ao meu lado, me fazendo companhia enquanto eu enchia os recipientes.
Quando terminei, entreguei-os ao pediatra.
Ele os analisou, satisfeito.
— Você tem bastante leite. É uma pena que eles não possam ficar juntos… Seria muito importante para Ragnar receber leite materno. O hospital ainda é novo, e Liliane é a primeira mãe a dar à luz aqui…
Não deixei que ele terminasse.
— Eu posso ficar. Adoraria fazer isso por ele. Posso até morar perto da Liliane… ou ela conosco, até que ele passe a se alimentar de sólidos.
E, pelo jeito, os avós também adorariam ter Ragnar por perto.
O médico lançou um olhar para Adrian, esperando alguma reação.
Mas meu lobo apenas me observava… com pura adoração.
Deixando claro, sem dizer uma palavra, que a decisão era minha.
A porta se abriu devagar, e Aquiles surgiu no batente.
Os olhos dele foram direto para os recipientes nas mãos do pediatra… depois para mim. tinha escutado nossa conversa.
Ele entrou em silêncio, abraçou a adrian e depois a mim.
— Obrigado...
A voz saiu mais rouca do que o normal.
Cruzei os braços, sem saber muito bem o que esperar. Aquiles sempre carregava aquele ar firme, quase impenetrável. Mas, naquele momento…parecia um pouco perdido.
Ele parou à minha frente.
Então abaixou levemente a cabeça.
— Eu não tenho como pagar isso.
Engoli seco.
— Não é sobre pagar, Aquiles…
Ele me interrompeu, balançando a cabeça.
— É, sim. — os olhos dele se ergueram, firmes — Você está fazendo pelo meu filho o que… — a voz falhou por um instante, mas ele continuou — o que a própria mãe dele não pode agora.
Aquiles respirou fundo, passando a mão pelo rosto antes de continuar:
— Ragnar vai crescer forte por sua causa. Vai ter uma chance melhor… por sua causa.
Ele deu um passo para trás, como se estivesse se recompondo.
— Eu não esquecerei isso.
Dessa vez, não havia postura de alfa. Orgulho ou distância.
Só um pai.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...