Eliz
Minha loba é branca, como um husky siberiano. Uma contradição viva aos meus cabelos vermelho-fogo. Seguro a mochila na boca e corro até a matilha Lycan.
Pela manhã, cheguei cansada, esfomeada e coberta de poeira da estrada. Um sentinela barrou minha entrada logo no início do território. Tive que voltar à forma humana, tapando minha nudez com a mochila, morrendo de vergonha. Expliquei várias vezes quem eu era, que minha mãe me enviou até dona Lêda. Ele confirmou pelo elo mental e, por fim, liberou minha entrada.
A matilha dos Lycans será meu seguro. Nem meu pai, muito menos o Supremo, têm voz aqui. Esse território é imenso, mais organizado e poderoso do que o meu.
Enquanto me conduzem até um quarto de visitas, vou explicando o que houve.
— Ali vai ser seu guarda-roupas. Amanhã, minha filha Lívia e você vão às compras — Tia Lêda brinca com um sorriso.- o meu filho Leon, e o meu companheiro alfa da matilha estarão em casa pra jantar conosco.
Sorrio internamente. Sempre vivi confortável, mas nossa matilha e dentro da floresta sem necessidade de grandes luxos, a matilha dos Lycans fica a poucos quilômetros do território humano, com muitos lugares divertidos pra conhecer que nunca tive oportunidade.
— Certo... minha mãe colocou dinheiro na mochila...
— Você é minha convidada — ela finge estar brava — Vai ser um prazer. Sua mãe é uma amiga muito querida. Nos afastamos quando formamos nossas famílias, mas o carinho continua igual. Agora, vá tomar um banho e desça para comer.
Aceno com a cabeça, agradecendo internamente à deusa e à sabedoria da minha mãe.
Assim que dona Lêda e Lívia saem do quarto, pego o celular na mochila para avisar que cheguei bem. Ela atende no primeiro toque.
— Tudo bem? — ela sussurra. Acho que não quer que ninguém saiba do nosso contato. Meu coração aperta. Agora sou uma clandestina dentro da minha própria família. Tudo culpa daquele Supremo arrogante.
— Tudo. Estou indo tomar banho e depois vou comer. Amanhã, dona Lêda vai me mandar às compras com a Lívia.
— Graças à deusa. O Supremo esteve aqui. Disse que vai te caçar em todos os territórios das nossas matilhas. Seu pai... quase me rejeitou. Mas como você chegou aí tão rápido?
— Mãe, eu me transformei. Minha loba é linda... branquinha.
— Branca, Eliz? Eu tinha certeza. Tem uma meia-lua na testa? Brilhando?
— Não reparei, mãe...
— Ah, filha... deveria ser um momento tão especial, e estamos separadas. Me escute: amanhã, no shopping, compre outro celular. Eles podem rastrear esse. Que a deusa te guie
— Obrigada, mãe. Assim que desligo, quebro o celular. Deixo a antiga Eliz para trás.
Desço. O cheirinho do ensopado de carne me atinge em cheio.
Na mesa, há ensopado, torta de carne, vários petiscos. A maioria de carne, o que eu amo, mas também há frango e peixe. Ao me sentar, todos começam a se servir. Um servo enche a taça de vinho do Alfa.
Alfa tomou um gole da bebida e disse:


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