“O amor pode nos tornar fortes. Mas também nos ensina exatamente o que temos medo de perder.”
O salão continuava cheio de luz, música e conversas elegantes. Para todos os convidados, aquela ainda era apenas uma noite de celebração.
Mas para Elena Rossi, algo havia mudado poucos minutos antes. Porque algumas palavras têm o poder de permanecer ecoando muito depois de serem ditas.
E enquanto caminhava sozinha em direção ao corredor silencioso do hotel… Elena começava a perceber que talvez não estivesse tão preparada quanto imaginava para enfrentar o passado de Damian Cavallari.
O silêncio que se instalou entre as duas durou apenas alguns segundos, mas pareceu mais longo.
Dentro de Elena, uma onda desconfortável de insegurança começou a se formar, silenciosa e inesperada. Ela odiou o fato de que aquelas palavras haviam encontrado algum lugar dentro dela. Mesmo assim, manteve o rosto impassível.
— Imagino que Damian tenha seguido em frente — respondeu finalmente, com uma calma que exigiu mais esforço do que queria admitir.
Valentina inclinou ligeiramente a cabeça novamente, como se estivesse considerando aquela resposta com interesse.
— Que resposta elegante — disse ela. — Você aprende rápido.
A forma como ela disse aquilo soou quase como um elogio. Mas havia deboche suficiente na voz para tornar a frase tudo, menos gentil.
Os olhos de Valentina percorreram Elena mais uma vez, dessa vez com uma curiosidade quase cruel.
— É admirável — continuou ela, em tom leve. — A forma como você tenta parecer tão segura.
A esposa do empresário ao lado de Elena agora estava completamente silenciosa, claramente sem saber se deveria permanecer ali ou fingir que não estava ouvindo absolutamente nada.
Elena respirou fundo, tentando controlar o nó que começava a se formar no peito.
Ela não iria ceder. Não para aquela mulher.
— Eu não preciso tentar — respondeu Elena, mantendo a voz firme.
Por um breve segundo, o silêncio pairou novamente.
Valentina então riu. Não alto. Mas o suficiente para deixar claro que havia achado a resposta… divertida.
— Ah, eu gosto de você — disse finalmente. — De verdade.
Ela pegou a taça de champanhe que um garçom passava naquele momento e girou o líquido dourado dentro do cristal com um movimento lento.
— Damian sempre teve um talento peculiar para escolher mulheres interessantes.
Os olhos dela voltaram para Elena. E dessa vez havia algo mais frio ali.
— Parabéns pela conquista — disse ela.
A palavra conquista soou deliberadamente calculada.
Então Valentina se inclinou um pouco mais perto. Tão perto que apenas Elena podia ouvir o que veio em seguida.
— Só tome cuidado para não perdê-lo.
Valentina então se afastou como se absolutamente nada tivesse acontecido e o sorriso elegante voltou ao rosto, junto com a postura impecável.
— Foi um prazer finalmente conhecê-la, Elena.
E com a mesma elegância com que havia chegado, Valentina se virou e começou a caminhar pelo salão, desaparecendo lentamente entre os convidados.
Elena permaneceu parada por um momento sentindo o coração bater acelerado dentro do peito. A insegurança que aquela mulher havia provocado se espalhava silenciosamente dentro dela, como uma rachadura que ela ainda tentava entender.
A esposa do empresário ao lado dela finalmente soltou uma pequena respiração constrangida.
— Senhorita Rossi, você está bem?
A pergunta veio com cuidado, quase hesitante, como se a mulher ao lado dela tivesse receio de estar invadindo um momento que claramente não lhe pertencia.
Elena demorou alguns segundos para responder.
O salão continuava vibrando ao redor delas mas, naquele instante, tudo parecia distante demais, como se o som estivesse chegando de um lugar muito longe.
Por um momento teve a sensação estranha de que o ar do salão havia se tornado pesado demais para respirar. Então forçou um sorriso, enquanto sua mão deslizou instintivamente até o ventre, quase sem que ela percebesse o gesto.
A palma repousou ali com delicadeza, como se buscasse algum tipo de equilíbrio que seu corpo naquele momento parecia incapaz de encontrar.
— Estou… — respondeu finalmente, a voz mais baixa do que o normal. — Só preciso de um pouco de ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário