“Nem toda perda vem de alguém que foi embora… algumas das escolhas que fizemos quando tivemos a chance de ficar.”
Alessandro permaneceu em Toscana.
Não era por falta de vontade de estar ao lado de Beatrice, nem por indiferença à viagem que ela havia planejado com as meninas, mas porque, com a ausência de Damian, alguém precisava assumir o comando, e ao ocupar temporariamente a presidência da empresa.
Alessandro entendeu que carregar o nome Cavallari ia muito além de status ou poder, significando tomar decisões difíceis, sustentar responsabilidades mesmo quando o coração estava longe e, acima de tudo, proteger não apenas um império… mas a própria família.
Ainda assim, nem mesmo a rotina intensa de reuniões, relatórios e decisões estratégicas era suficiente para afastar completamente seus pensamentos dela.
Beatrice Cavallari.
O nome surgia com facilidade, quase automático, invadindo sua mente nos intervalos mais inesperados.
E foi exatamente no meio de uma tarde carregada de compromissos, com papéis espalhados sobre a mesa e a luz entrando pelas janelas amplas do escritório, que o telefone vibrou discretamente.
Ele nem precisou olhar para saber quem era. Atendeu no mesmo instante.
— Já chegou? — a voz dele saiu mais suave do que pretendia, carregada de uma expectativa que ele não fez questão de esconder.
Do outro lado, o riso de Beatrice veio leve, vivo, acompanhado pelo som distante de vozes animadas e música.
— Acabamos de entrar no parque… e você deveria ver a cara da Sophia.
Alessandro fechou os olhos por um breve segundo, inclinando-se levemente na cadeira, permitindo-se, por aquele instante, sair completamente do ambiente ao redor.
— Eu queria estar aí.
— Eu sei — ela respondeu, com uma suavidade que não trazia cobrança, apenas compreensão — mas você está exatamente onde precisa estar.
Ele soltou uma respiração baixa, passando a mão pelo rosto antes de sorrir sozinho.
— Quando eu voltar… nós vamos. Só nós dois. Sem reuniões, sem responsabilidades… e eu vou em todos os brinquedos que você quiser.
— Todos? — ela provocou, divertida.
— Todos — ele confirmou, sem hesitar — inclusive aqueles que eu vou me arrepender no segundo em que entrar.
O riso dela veio mais alto dessa vez.
— Eu amo você.
E, por um segundo, tudo pareceu parar.
— Eu também amo você — ele respondeu, com uma firmeza tranquila, como se aquela verdade já estivesse completamente enraizada dentro dele.
Quando a ligação terminou, Alessandro permaneceu em silêncio por alguns segundos, ainda com o telefone na mão, como se estivesse segurando um pedaço daquele momento.
E então… uma leve batida na porta.
— Pode entrar.
A secretária de Damian surgiu com uma pasta nas mãos, caminhando com a eficiência de quem já conhecia cada detalhe daquela rotina.
— Senhor Venturi, estes são os contratos que precisam da sua assinatura ainda hoje.
Alessandro assentiu, recebendo os documentos, mas antes de abrir qualquer página, antes de voltar completamente para o papel que agora ocupava… ele fechou os olhos.
E pensou nela novamente. No casamento que se aproximava, no futuro que estavam construindo juntos.
— Obrigado — disse, abrindo a pasta com um sorriso discreto, mas real.
Em outro canto da cidade, Maria ainda tentava se adaptar à nova realidade que surgia de forma inesperada, onde James deixava de ser apenas o homem discreto ao volante, aquele que fazia parte do cenário sem nunca realmente ocupá-lo, para se tornar alguém que a observava com intenção, que a desestabilizava com pequenos gestos quase imperceptíveis, que a fazia perder o ritmo da própria respiração com um simples olhar… e, principalmente, que a fazia corar de uma forma que ela já não conseguia esconder, por mais que tentasse.
O relacionamento entre os dois crescia de maneira silenciosa, cuidadosa, quase como se ambos ainda estivessem aprendendo a caminhar naquele território novo, medindo palavras, testando limites, descobrindo aos poucos até onde podiam ir.
Mas não para Margareth.
— Eu vou ser madrinha — ela declarou, entrando no ambiente como uma tempestade elegante, cruzando os braços com a autoridade de quem não fazia sugestões… apenas estabelecia fatos.
Maria engasgou literalmente.
— Madrinha de quê?! — perguntou, arregalando os olhos, completamente despreparada.
Margareth arqueou uma sobrancelha, como se a pergunta fosse, no mínimo, absurda.

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