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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 3

Elena Rossi

O carro desacelerou e parou diante do píer envolto por névoa e silêncio. O som do motor cessou, e o mundo pareceu suspenso por um instante.

Ergui os olhos e vi o mar, um espelho líquido e escuro, onde as luzes douradas dançavam com o movimento lento das ondas. A brisa fria da madrugada passou por mim, levantando uma mecha do cabelo e trazendo o gosto salgado do oceano.

Foi então que o vi.

O iate não era apenas uma embarcação. Era uma declaração de poder.

Imenso, imaculado, branco como um templo, com as laterais iluminadas por refletores e o nome gravado em letras douradas: Erebus.

O reflexo das luzes na água fazia parecer que o navio respirava, como se tivesse uma alma própria, feita de luxo e silêncio. Fiquei quieta por alguns segundos, tentando entender onde estava e o que aconteceria a seguir. Ao meu lado, Lara Moretti observava o iate com uma calma quase antinatural.

— O que é isso? — perguntei, com a voz trêmula.

— É a embarcação do senhor Cavallari. — respondeu, sem emoção.

— Por quê… por que estamos aqui?

— Porque embarcaremos. — disse, como se falasse de algo banal. — Um cruzeiro privado, duração prevista de cinco dias.

Pisquei, sentindo o coração falhando um compasso.

— Cinco dias? Eu… — a voz falhou — eu não posso. Minha …

Lara virou-se lentamente para mim, e o simples movimento bastou para me calar.

— Ainda dá tempo de desistir, senhorita Rossi, depende de você.

O vento soprou, trazendo o som das cordas batendo no mastro, e o estalar da madeira contra o píer.

Olhei para o mar, tentando respirar. A imagem de Sofia me atravessou como uma lâmina, o corpo pequeno preso aos tubos, o som intermitente das máquinas. O coração apertou até doer.

— O que pretende fazer? — Lara repetiu, mais baixo, porém firme.

Fechei os olhos. Quando falei, a voz saiu fraca, mas decidida.

— Eu vou.

Ela assentiu, sem expressão.

— Boa escolha.

O motorista abriu a porta. O ar frio atingiu meu rosto como uma bofetada.

Desci devagar, os saltos tocando o chão de madeira com um som que ecoou mais alto do que deveria. Lara caminhava à frente, dois homens de terno esperavam ao pé da passarela e, quando nos viram, afastaram-se em silêncio.

O coração disparava. Cada passo parecia uma sentença.

Subi a passarela devagar e, quando o pé tocou o convés, algo em mim se quebrou silenciosamente, sem volta.

O interior do Erebus era uma afronta ao mundo que eu conhecia. Mármore branco, corrimãos de aço, lustres de cristal, tudo reluzente e frio. O ar cheirava a cedro, conhaque e dinheiro. Eu me sentia pequena, deslocada, como uma peça fora de lugar em um tabuleiro de luxo.

Lara seguiu por um corredor de madeira escura, iluminado por arandelas douradas. Quando parou diante de uma porta de vidro fumê, virou-se.

— Ele está esperando.

Meu estômago se revirou.

— Ele?

— O senhor Cavallari. — confirmou. — Seja respeitosa.

Assenti, tentando esconder o tremor nas mãos, e empurrei a porta.

O som do mar entrou pelas janelas panorâmicas. O salão era amplo, de linhas simples, silencioso demais. Um homem estava de costas, diante do vidro, observando o horizonte.

A postura era precisa, controlada. O terno negro cortava a silhueta larga dos ombros. Um copo de uísque descansava entre os dedos dele, o som do gelo tilintava num ritmo calmo, quase calculado.

Lara anunciou:

— Senhor Cavallari, a senhorita Rossi chegou.

Ele não respondeu de imediato. Apenas virou o rosto, devagar, como quem confirma algo que já sabia. Depois, virou-se por completo e foi então que seus olhos se fixaram nos meus.

Era um olhar que não pedia, apenas tomava. Um homem de traços firmes, rosto impassível, força contida. Nenhum gesto desperdiçado. Nenhuma palavra fora de lugar.

O homem diante de mim parecia ter sido moldado para o poder.

Os cabelos castanhos, penteados com precisão, refletiam um brilho discreto sob a luz do salão, alguns fios rebeldes caiam sobre a testa como um descuido calculado. O terno italiano, de corte impecável e tecido escuro, desenhava-se sobre um corpo másculo e forte, revelando ombros largos, postura ereta e um domínio silencioso de quem nunca precisou elevar a voz para ser obedecido.

O rosto era esculpido em linhas firmes, o maxilar marcado, a barba rente realçava o contorno severo da expressão.

Nada nele era suave.

Cada movimento, cada respiração, carregava uma precisão quase cruel. Era o tipo de homem que não precisava ameaçar para que o mundo o temesse. O silêncio bastava.

— Então você veio. — A voz dele era baixa, grave, aveludada e cortante ao mesmo tempo.

A palavra “você” chegou antes do meu nome e ele me mediu inteira.

Assenti, tentando disfarçar o tremor da respiração.

— Esperava que não viesse?

Ele caminhou até metade da distância. Não o suficiente para me tocar, apenas o suficiente para me prender.

— Esperava mais medo. — murmurou.

Capítulo 3 -  O Homem Que Comprou Meu Silêncio 1

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