“O mais perigoso não foi o que aconteceu, mas o que ficou faltando.”
Elena Rossi
Só quando ouvi o som da porta se fechando, anunciando que Damian já estava longe, meu corpo decidiu se mover.
Joguei o lençol em volta de mim, improvisando nele uma dignidade temporária, e saltei da cama com um impulso que não combinava com a sofisticação do quarto. Corri até a porta e a fechei depressa, como se o mundo lá fora pudesse invadir o pós-acontecimento sem bater.
O som da chave trancando a porta fez com que eu conseguisse finalmente soltar o ar que estava preso nos meus pulmões. Fiquei parada ali por um instante, com as costas encostadas na porta, e o lençol agarrado ao corpo como se uma pequena parte da minha vergonha fosse cair no chão se eu relaxasse os dedos.
Respirei fundo.
Por breves segundos fiquei sem pensar em absolutamente nada, mas o meu cérebro parecia disposto a brincar comigo e logo um pensamento surgiu em minha mente.
O que foi que eu fiz?
O impulso de andar surgiu antes mesmo que a lógica aparecesse. Comecei a caminhar de um lado para o outro, atravessando o quarto como se pudesse achar respostas entre o tapete persa e o vidro da janela.
— Não… não pode ser — murmurei, mas a frase não tinha convicção suficiente para sobreviver no ar.
Meus olhos correram pelo quarto como se ele pudesse contar o que eu não lembrava: a cama desfeita, o perfume dele no ar, meu peito subindo rápido demais, mais rápido do que o cansaço justificava.
Lembranças não são fatos, são sensações. E as minhas começaram a vir como flashes, como quem acende luzes intermitentes em um corredor escuro: O jantar, o piano, a dança dele, o beijo, o meu gemido contra o pescoço dele.
Fechei os olhos com força, como se pudesse expulsar o resto, mas o resto não precisou de convite.
O toque da água quente no banheiro… o vapor subindo… as mãos dele na minha cintura me levantando… me abrindo… e a boca dele…
Minha respiração falhou. O lençol escorregou um pouco, e eu o puxei de volta contra o peito como se isso bastasse para me proteger da memória.
Caminhei até o banheiro antes de pensar no que estava fazendo.
A porta estava aberta, e o vapor ainda pairava no azulejo, impregnado de uma intimidade que só eu e ele sabíamos, ou melhor, que só ele sabia, já que eu ainda tentava remontar minha participação.
No centro dos azulejos, a toalha que Damian havia deixado cair. Eu passei por ela, sem coragem de olhar duas vezes. Coloquei minhas mãos sobre a pia de mármore e encarei minha imagem através do espelho, deixei o lençol cair no chão e o que vi, fez o meu coração acelerar ainda mais.
Meu corpo pálido estava marcado, não de forma violenta, mas de forma inegável. Havia vestígios na pele como se alguém tivesse escrito uma história ali usando apenas a boca e as mãos.
Na clavícula, um roxo que parecia mais uma mordida lenta do que um descuido. No ombro, arranhões leves, quase vulgares na sua sinceridade, como se tivessem sido feitos por dentes impacientes demais. A região dos seios estava especialmente sensível, e bastou o tecido do lençol roçar o mamilo para que eu estremecesse, surpresa com o próprio corpo. Ali também havia pequenas marcas ao redor, como se a boca dele tivesse testado limites que minha memória ainda se recusava a entregar.
Nas costelas, marcas de dedos que denunciavam onde alguém havia segurado com força para me manter perto, ou quieta, ou entregue.
Quando o lençol escorregou mais, vi outra marca na parte interna da coxa, um chupão arroxeado, desenhado com a precisão de quem não se distrai.
Respirei fundo, sentindo um tipo de sensibilidade que não era dor, mas era como se cada centímetro tivesse sido acordado durante a noite. Coloquei os dedos sobre uma das marcas, como se tocando eu pudesse lembrar com nitidez. O local ainda estava quente, ou talvez fosse minha imaginação, não sabia mais distinguir e foi quando o flash veio inteiro.
Damian me girando no salão. Minha boca encontrando a dele sem pedir permissão. Os braços dele ao redor da minha cintura. A mesa ficando para trás como um cenário descartável. E então, o mais perigoso:

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