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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 5

Elena Rossi

Eu não sei quanto tempo dormi. Talvez uma hora, talvez nenhuma.

O balanço do mar me embalava num quase-transe, mas a mente não descansava. As vozes voltavam em fragmentos, Lara, o contrato, as regras, Sophia no hospital e o nome dele repetindo dentro da minha cabeça como uma maldição: Damian Cavallari.

Quando um som suave de três batidas discretas na porta, me arrancou da cama, o coração disparou.

Levantei devagar, ainda com o corpo pesado. A luz dourada da tarde filtrava-se pelas cortinas de linho, banhando o quarto numa calma mentirosa.

Abri a porta.

Um homem de terno escuro, provavelmente um dos seguranças do iate, estava parado ali. O rosto impassível, os olhos baixos, sem me encarar diretamente. Nas mãos, segurava uma caixa preta, envolta por uma fita de cetim vermelha.

— Entrega para a senhorita Rossi. — disse apenas.

Assenti, sem entender.

Peguei a caixa. O peso era leve, o perfume que saía dela, inebriante, notas de lírios e âmbar, delicadas e provocantes. Antes que eu dissesse qualquer coisa, o homem inclinou a cabeça e se afastou pelo corredor silencioso.

Fechei a porta e coloquei a caixa sobre a cama. O coração batia rápido, por um instante, hesitei, depois, puxei a fita e levantei a tampa.

O ar pareceu escapar dos meus pulmões.

Ali, cuidadosamente dobrado, repousava um vestido de seda vermelha.

Um vermelho profundo, como vinho derramado ou sangue sob o luar. Toquei o tecido com a ponta dos dedos, frio, leve, escorregadio, tão fino que parecia líquido. O decote era ousado, em V profundo, com duas alças delicadas que se cruzavam nas costas nuas. A cintura marcava de forma precisa, e a fenda lateral subia até o meio da coxa, prometendo mais do que mostrava.

Um vestido feito para chamar atenção. Feito para ser visto. Feito para obedecer a um olhar que já me possuía antes mesmo de me tocar.

Debaixo dele, um conjunto de lingerie: renda e seda vermelha, rendas finas que pareciam obra de arte. O sutiã era pequeno, estruturado apenas o suficiente para sugerir mais do que cobrir. A calcinha… minúscula. Quase um convite indecente.

Senti o rosto corar imediatamente.

Por reflexo, fechei a caixa, como se esconder aquilo pudesse fazer o gesto desaparecer.

Mas algo brilhou no fundo. Um pequeno cartão, dobrado ao meio.

Peguei-o.

A caligrafia era firme, elegante, masculina. Três linhas apenas.

“Vista o que está na caixa e esteja no salão às 20:00 horas. Não se atrase.”

Nenhuma assinatura, mas eu não precisava dela. A letra era tão precisa quanto o dono do navio.

Respirei fundo, encostando-me à parede. O relógio do quarto marcava 19:12, eu tinha exatamente quarenta e oito minutos.

O que aconteceria se eu não fosse?

A resposta surgiu em minha mente, fria e imediata: Sophia.

Fui até o espelho. O rosto refletido ali parecia outro, olheiras suaves, pele pálida, olhos grandes e cansados. Meu cabelo, ruivo e desgrenhado, caía sobre os ombros como um lembrete de quem eu tinha sido antes daquela noite.

Mas agora… agora eu precisava ser outra. Talvez uma versão de mim que ele não conseguisse destruir tão facilmente.

Demorei longos minutos para me preparar. O toque da seda contra a pele era como fogo e gelo ao mesmo tempo, escorregadia, provocante, quase viva. Quando o fecho se encaixou nas costas, o vestido moldou-se ao meu corpo com perfeição assustadora, como se tivesse sido feito sob medida. O tecido abraçava minhas curvas, fluía ao redor das pernas, e quando caminhei até o espelho, o vermelho pareceu ganhar vida, uma segunda pele, perigosa e irresistível.

Tentei me convencer de que não era sobre ele. Era sobre mim. Sobre o que eu precisava fazer para manter Sofia viva. Mas o espelho não mentia.

A mulher refletida ali não era a mesma que entrou naquele iate.

Penteei o cabelo com cuidado, prendi-o em um coque elegante, deixando algumas mechas soltas caírem ao redor do rosto. Passei um batom discreto, um toque de perfume. As mãos tremiam o tempo todo.

Quando terminei, o relógio marcava 19:58.

O silêncio era absoluto. Tão profundo que o som do meu próprio coração parecia ecoar no quarto.

Eu estava prestes a sair quando três batidas, firmes e compassadas, ressoaram na porta.

Meu corpo inteiro ficou rígido e por um segundo, pensei em fingir que não estava ali. Mas o medo veio junto com a certeza: ele sabia.

Caminhei até a porta e a abri devagar.

Capítulo 5 -  O Vestido Que Ele Escolheu 1

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