Damon Thorn
A estrada estava escura, silenciosa demais.
A mão de Hart ainda estava entrelaçada à minha enquanto eu dirigia.
Eu acreditava que a felicidade estava fielmente estampada em meu rosto. Nunca fui o tipo de Alfa que sonhava em ter uma família, fui ensinado apenas que as fêmeas serviriam para me procriar um herdeiro e comandar o resto do bando, e só.
Mas Hart me fazia sentir feliz por me unir a ela. Ela era única.
Ela me encarou com aquele sorriso nos lábios.
"Você sabia o que estava fazendo quando me marcou."
Eu segurei o volante, e procurei uma resposta. Mas ela já estava na ponta da minha língua.
"Não foi proposital Hart, foi instinto. Eu soube que você seria a minha loba, desde que pisou os pés nessa fazenda."
"E como você não sentiu meu cheiro? Se eu estava na sua mansão naquela manhã e depois fui ao bar quando nos conhecemos…"
"Boa pergunta. Alguma coisa mascarou o seu cheiro."
"Deixe-me pensar…" suspirou." Eu acredito que foi a sálvia."
"Pode ser. Mas que danado é o destino,se eu soubesse que eu era seu chefe,não dormiria com você."
"HMM." Ela debochou."
"Estou falando sério, nunca transei com funcionárias, você foi a exceção."
Quando vi as pedras organizadas no meio da pista, meu pé foi direto no freio.
Esse humano de merda já passou da hora.
“Fique no carro.” Minha voz saiu mais baixa, mas carregada do meu instinto de Alfa.
Hart assentiu, o olhar fixo na silhueta que surgiu poucos segundos.
O desgraçado apareceu como se tivesse sido cuspido pelo inferno. A mesma arrogância no andar. A mesma postura de sempre como se o mundo lhe pertencesse.
“Sentiram minha falta?” Ele disse, os olhos brilhando, a voz impregnada de veneno.
“Você devia estar atrás das grades, junto com o velho que serviu, humano idiota.” Me mantive entre ele e Hart, o corpo tenso.
Zion riu, um riso curto, quase sem som.
“Richard caiu, sim. Mas eu? Eu sempre caio em pé, Thorn. Você devia saber disso, sua mulherzinha não te contou?”
“Cair é o que vai acontecer de novo se não sair da minha frente.” Meus olhos já queimavam em dourado. Eu não tinha paciência para ameaças mal feitas.
Mas foi então que senti.
O cheiro.
Doce. Apodrecido.
Ferroso.
Bruxa.
Elora estava perto. Não dava para vê-la, mas eu sabia, o cheiro dela era inconfundível. Um cheiro que me levava de volta à infância, à floresta, à noite em que quase morri… e que minha mãe quase se sacrificou por mim.
Zion notou minha tensão e sorriu, como se tivesse ganho um jogo.
“Ela te manda lembranças. Disse que está ansiosa para conhecer o filhote de vocês. Que espécie de poder nasce de um amor entre lobo e humana? Ela está curiosa e disse que o pequeno bebê vale muito mais que vocês dois.”
Meu sangue ferveu. Dei um passo à frente, mas Hart saiu do carro antes que eu pudesse impedi-la.
“Você nunca mais toca no nome do meu filho.” A voz dela era afiada. Fria. Forte. “Nunca mais.”
Zion apenas inclinou a cabeça, divertido.
“Elora não precisa se aproximar, Caroline. Ela só precisa que ele exista. E agora que existe… tudo mudou.”
"Como você se associou a essa vagabunda?"
"O mundo é bem pequeno, Damon."
"Por que está fazendo isso?" Hart cuspiu. "Por vingança? Por orgulho? Eu não tenho mais nada a oferecer."
“Porque vocês destruíram tudo o que eu tinha. E agora… eu vou destruir o que vocês amam. Lentamente.” Ele sorriu. “Um corte por vez.”
"Cala a boca." eu avancei em cima dele, o jogando contra o tronco esmagando seu pescoço."
Mesmo sem ar, ele debochou." Era assim que eu apertava o pescoço dela, enquanto transávamos, ela gemia como uma cachorra."
Eu me segurei. Não ia cair na provocação de um idiota.

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