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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 65

Caroline Hart

Sentir que eu não pertencia ali era sufocante. Como se o ar ao meu redor pesasse mais a cada minuto. Como se cada parede daquela casa me observasse, me julgasse. Eu era uma intrusa naquele mundo, e todos sabiam disso.

Caminhei até a janela, abrindo as cortinas lentamente. A floresta lá fora parecia calma, mas eu sabia que havia olhos em cada sombra. Eles me observavam, me analisavam, esperando que eu cometesse um erro. Porque eu era diferente. Eu era humana.

Toquei minha barriga com as duas mãos. Ainda pequena, mas cada vez mais real. O filho de um Alfa crescia dentro de mim. Um herdeiro. Um elo entre dois mundos. E, ao mesmo tempo, um motivo de medo.

Engoli em seco.

Medo do que fariam comigo. Medo do que fariam com ele.

Medo de não ser forte o suficiente.

Me sentei na beira da cama, os dedos trêmulos acariciando o lençol. O quarto era bonito, confortável, mas nunca deixava de parecer uma prisão disfarçada. Um lugar onde me esconderam, onde me afastaram de tudo o que eu era.

Meu nome estava manchado.

Minha carreira, destruída.

Eu já não era mais a chef Caroline Hart. Não podia cozinhar, criar, nem aparecer em público. Tudo o que eu construí com tanto esforço havia sido arrancado de mim. Zion conseguiu. Ele calou a minha voz, apagou minha imagem.

Mas… ainda havia quem lembrasse.

Peguei o telemóvel da mesinha, desbloqueei a tela e abri uma das mensagens mais recentes.

"Sentimos sua falta, Caroline. As suas receitas sempre foram as melhores. Espero que esteja bem."

Uma lágrima caiu antes que eu percebesse.

Apertei os olhos com força, tentando conter a emoção. Eu queria responder, dizer que estava bem, prometer que voltaria. Mas não podia.

Arremessei o telefone de volta à cama e levantei num impulso. Meu corpo se movia sem pensar. Abri o armário, puxei a mala de viagem e comecei a atirar roupas, sapatos, livros. Sem dobrar. Sem organizar. Era um ato de desespero.

Eu precisava fugir. Correr dali.

Não fazia ideia de para onde, nem como. Só sabia que não podia mais ficar naquele lugar.

Estava prestes a puxar o zíper da mala quando ouvi o clique da porta se abrindo atrás de mim.

Minha respiração travou.

"Você vai a algum lugar, Hart?"

A voz era dele. Damon.

Firme. Profunda. Impossível de ignorar. Eu não precisava olhar para saber — ele já estava ali, parado, observando, com aquela presença que dominava qualquer ambiente.

Fechei os olhos por um segundo, tentando controlar a respiração. Girei lentamente para encará-lo.

Ele estava com os braços cruzados, os olhos intensos fixos em mim. Não havia raiva, mas também não havia surpresa. Era como se ele já soubesse. Como se tivesse previsto cada passo meu.

"Eu…Damon... por favor", murmurei, a voz quase falhando.

65. Medo de uma nova vida 1

65. Medo de uma nova vida 2

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