Damon Thorn
"Reforçou a segurança da propriedade?", ajeitei o terno, encarando meu beta.
"Sim, meu Alfa."
A sala de jantar principal da propriedade estava pronta para o jantar daquela noite. Velas acesas, taças alinhadas, cristais importados e uma mesa longa, preparada para acomodar os principais alfas da região. Convidados que, apesar de aliados, nunca deixavam de ser potenciais ameaças caso eu demonstrasse fraqueza.
Geralmente, eu suportava esse tipo de reunião. Alianças eram sempre bem-vindas — e minha alcateia era visada.
A cozinheira estava na cozinha, mas eu já conseguia sentir seu cheiro. Estava no ar antes mesmo do jantar ser servido. Eu não precisava vê-la para saber que ela estava ali. Meus sentidos nunca me enganavam.
Eu esperava que ela fizesse a comida como eu havia ordenado.
Os convidados começaram a chegar. Victor, meu beta, estava ao meu lado, como sempre.
"Tudo pronto, Alfa."
Discutimos alguns detalhes. A mesma chatice de sempre: territórios, ameaças, filhos, lobas desobedientes…
A humana surgiu carregando a travessa principal com uma segurança quase irritante. Os cabelos presos num coque baixo, o uniforme perfeitamente alinhado. Elegante. Controlada.
Parei de respirar por um segundo. A aura dela era quente demais. Distraía. Confundia.
Ela colocou o prato principal no centro da mesa com destreza, depois se voltou para os convidados, sem nem ao menos me dirigir um olhar.
"Boa noite, senhores. O prato principal é cordeiro ao molho de vinho com purê de batata trufado e legumes glaceados na manteiga de ervas. Tudo fresco e feito hoje", explicou com a voz firme.
Um silêncio breve se espalhou entre os alfas, seguido por murmúrios de aprovação.
"Cheiro bom, senhorita..." disse Nathaniel, um dos alfas, se inclinando para observá-la com mais atenção.
"Hart", ela sorriu.
"Mas o prato não é a única coisa interessante por aqui."
Ele riu.
Meu sangue ferveu.
"Você sempre esconde essas joias aqui, Thorn?", acrescentou outro, cruzando os braços com um sorriso enviesado.
A mandíbula travou.
Caroline sorriu com educação, mas eu conhecia bem aquele olhar — estava desconfortável. Ela recuou, prestes a sair, mas Nathaniel esticou o braço e segurou o pulso dela com leveza.
"Já pensou em cozinhar em outro território, minha querida?"
A cadeira arrastou bruscamente no chão quando me levantei.
"Ela trabalha aqui, para mim, e só aqui." Minha voz saiu fria, firme, ecoando como uma ordem. "E se alguém mais tocar na minha cozinheira, eu vou arrancar a mão."
O silêncio caiu sobre a mesa.
Todos os alfas voltaram aos seus lugares, evitando me encarar.
"Pode se retirar, senhorita Hart", ordenei.
Caroline hesitou por um segundo, depois se virou e saiu da sala.
Victor me lançou um olhar de canto.
"Está perdendo a cabeça por ela, meu Alfa?", murmurou em tom baixo, só para mim.
"Não diga tolices. Ela é só uma funcionária", respondi entre dentes. "Que precisa aprender a não provocar a matilha."
Mas, no fundo, eu sabia. O que me incomodava não era ela cozinhar para todos eles.
E então aconteceu novamente.
Um dos alfas mais antigos, Harold, riu alto e bateu a taça sobre a mesa.
"Preciso dizer, Thorn, que comida deliciosa. Você deve nos convidar mais vezes para essas reuniões. Nunca comi algo tão bom."
Alguns risos se espalharam pela mesa, mas meu maxilar travou.

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