Caroline Hart
A sala estava silenciosa, exceto pelo som suave do celular na minha mão. Eu observei a tela, o nome do advogado piscando, e por um momento, hesitei. Mas antes que eu pudesse tomar qualquer decisão, a porta se abriu.
Damon entrou rapidamente, com o olhar pesado, sua expressão séria. Ele não parecia tão calmo quanto antes. Algo estava diferente.
“Problemas?” perguntei, tentando disfarçar a tensão crescente no meu peito.
Ele parou na porta, os olhos cravados em mim por um momento antes de responder.
“Sim, muitos problemas. O advogado me informou que esses homens que querem nossas terras… não vão desistir tão facilmente.” Ele respirou fundo. “Eles têm mais apoio do que pensei. A situação está mais complicada do que imaginávamos.”
Meu estômago se apertou ao ouvir aquelas palavras. O que isso significava para nós? Para ele? Para o bebê?
“Eles vão invadir?” minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.
Damon se aproximou, afastando a cadeira de forma brusca, e se sentou ao meu lado, encarando o chão antes de falar.
“Não é só isso. Eles têm uma estratégia. Vão usar qualquer artifício para tirar o que é nosso. Só que… eu não vou permitir.”
Eu podia sentir a raiva dele, como um peso no ar, e uma parte de mim queria que ele fosse mais suave, mais tranquilo. Mas, no fundo, sabia que ele estava fazendo o que fosse necessário para nos proteger.
“E o que vamos fazer?” perguntei, mais como um sussurro do que uma pergunta.
Ele se virou para mim, os olhos mais claros, mais intensos do que eu lembrava.
“Agora, nós lutamos. Não vamos deixar isso acontecer.”
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, meu celular vibrou novamente. A mensagem apareceu na tela, e eu senti uma onda de frio me invadir.
Era de um número desconhecido.
"Eu sei quem você é. Eu sei quem é seu pai. Tudo o que você precisa fazer é me encontrar. Não fuja do seu destino."
Meu corpo gelou. Aquelas palavras, tão frias, tão ameaçadoras. Eu não sabia o que pensar, mas algo dentro de mim dizia que a verdade que eu temia estava mais próxima do que eu imaginava.
“É outra mensagem… de novo.” Eu disse, tentando não deixar a tremedeira na minha voz transparecer.
Damon pegou o celular da minha mão, os olhos fixos na tela. “Quem está atrás de você agora, Hart?”
“Não sei… mas está me ameaçando. Não sei quem é, mas…” Minha voz falhou. “Eu estou começando a ter medo.”
Ele me olhou com um olhar que misturava preocupação e raiva. Não era mais sobre o que eu sentia sobre Zion, mas sobre o perigo iminente que nos rodeava.
“Deve ser algum doente. Ninguém vai te tocar, nem a você, nem a nossa criança.” Ele disse, a voz baixa, mas com uma firmeza que me tranquilizou de certa forma.
“Mas e o que você vai fazer com Zion? Ele não vai me deixar em paz.” Eu sussurrei, temendo ouvir a resposta.
Ele balançou a cabeça, tentando manter a calma, mas eu podia ver que ele estava distante. “Zion já foi longe demais. Se você deixasse eu…”
Eu me encolhi no colchão, olhando-o com os olhos marejados.
“Não. Violência não resolve nada Damon. Você está me dando força, mas… não sei se consigo aguentar mais.”
“Você vai aguentar, Hart. Porque agora, somos uma família. E ninguém vai destruir isso.”
Eu fechei os olhos, absorvendo aquelas palavras.
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