Pisquei algumas vezes, processando a informação, mas mantive a minha voz suave e acolhedora, sem demonstrar choque.
— Você acha? Não tem certeza do que sente?
— Sim... Quer dizer, eu acho — ela gesticulou com as mãos, visivelmente exasperada. — Chiara, você me conhece, sabe que eu sempre gostei de homens, a minha vida inteira foi assim! Mas... uma mulher específica acabou despertando um interesse totalmente diferente em mim. Uma coisa magnética que eu nunca senti antes por nenhuma outra pessoa e que está mexendo seriamente com a minha cabeça.
Analisei o rosto dela por um breve segundo, juntando as peças do que tinha visto no corredor do clube na noite anterior, as tensões abafadas e o jeito que ela e Sofia se comportavam perto uma da outra quando achavam que ninguém estava prestando atenção. A resposta estalou na minha mente.
— Giulia... essa mulher que despertou o seu interesse por acaso seria a Sofia? — perguntei, direta, sem rodeios.
Giulia ficou completamente corada na hora. O vermelho subiu pelo pescoço até as orelhas dela, confirmando absolutamente tudo antes mesmo que ela conseguisse abrir a boca. Eu insisti, inclinando o meu corpo um pouco mais para a frente para passar cumplicidade.
— É a Sofia, não é?
— É... sim, é ela — Giulia confessou finalmente em um fio de voz, escondendo o rosto entre as mãos por um segundo antes de me olhar de volta, desarmada. — A Sofia mexeu completamente com os meus pensamentos, Chiara. Desde que isso começou, eu não consigo focar em mais nada. Estou aérea, confusa.
— E esse sentimento... é recíproco? A Sofia sente o mesmo por você ou é algo unilateral? — indaguei, genuinamente curiosa com o desenrolar daquela trama sob o teto dos Capone.
— A Sofia está muito confusa também — Giulia explicou, soltando um longo suspiro. — Porque ela também tem sentimentos e atração por homens. Mas ela me confessou que tem um certo interesse em mulheres também, que sempre teve essa curiosidade recolhida e esse lado oculto guardado para si mesma. Estamos as duas perdidas, sem saber muito bem o que fazer ou como agir perto do restante da família.
Dei uma risada leve, achando graça da tempestade que elas estavam criando em um copo d'água por algo tão natural, e estiquei o braço para segurar a mão da minha amiga, apertando-a com firmeza.
— Mas gente, na verdade isso é muito simples e não precisa de tanto drama. Vocês duas são bissexuais.
Giulia arregalou os olhos, balançando a cabeça de forma hesitante.
— Ai, eu não sei ainda, Chiara... Eu mesma sempre me considerei totalmente hétero até isso acontecer. É tudo muito novo, assustador.


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