POV: Chiara
O quarto havia se transformado em um verdadeiro show de alta costura e beleza. O vaivém das profissionais era milimetricamente ensaiado. O profissionalismo daquela equipe contratada por Massimo era impecável. Sentei-me diante da imensa penteadeira, observando o reflexo no espelho enquanto os últimos ajustes na maquiagem eram feitos. A maquiadora usava pincéis macios, destacando os meus olhos com tons terrosos e esfumados e finalizando os meus lábios com um tom nude sofisticado que valorizava o contorno da minha boca. Logo ao lado, o cabeleireiro dava o toque final no meu cabelo. Ele optou por deixar o meu cabelo solto, caindo em ondas volumosas, perfeitamente alinhadas, que cascateavam pelas minhas costas. No topo da cabeça, ele fixou com extremo cuidado uma tiara delicada de brilhantes que reluzia a cada movimento meu.
— Prontinho, senhorita Chiara. A maquiagem e o cabelo estão finalizados. O resultado ficou simplesmente divino — a maquiadora anunciou, dando um passo para trás com um sorriso orgulhoso no rosto.
Olhei para o espelho e mal consegui me reconhecer por um segundo. Eu parecia uma mulher saída de um conto de fadas moderno — ou, mais precisamente, a futura rainha de um império implacável.
— Obrigada. Ficou perfeito — agradeci, sentindo o meu coração dar um solavanco quando o estilista chefe se aproximou com a capa opaca que protegia o meu vestido.
Chegou a hora mais esperada. Com movimentos delicados, o estilista abriu o zíper e revelou a obra-prima que eu usaria para caminhar até o altar. Ele me ajudou a me levantar e, com a ajuda de duas assistentes que seguravam o tecido para que nada encostasse no chão, guiou-me para dentro da peça. O vestido era um modelo sereia deslumbrante, todo trabalhado em uma renda branca finíssima e exclusiva. O corpete era ricamente estruturado, desenhando a minha silhueta com uma precisão milimétrica, abraçando a minha cintura de forma justa antes de se abrir em uma cauda majestosa a partir dos meus joelhos. O decote ombro a ombro exibia o meu colo com elegância, e as mangas longas de tule transparente eram cobertas por aplicações manuais da mesma renda, que subiam delicadamente até os meus pulsos.
O estilista começou a fechar a longa fileira de pequenos botões de pérola nas minhas costas, um a um, garantindo que a peça moldasse as minhas curvas perfeitamente. Quando terminou, ele colocou o véu. Era uma peça imensa, feita de um tule tão leve que parecia flutuar no ar, com bordados de renda na barra que se estendiam por metros atrás de mim no chão do quarto. Ao me olhar no espelho de corpo inteiro, perdi o fôlego. O caimento era impecável; valorizava o meu corpo de uma forma que me fazia sentir poderosa, segura e imensamente bonita.
Enquanto eu ainda tentava processar a minha própria imagem, batidas suaves soaram na porta. O estilista foi até lá e abriu. Para a minha surpresa, Aurora passou pelo batente. Ela vestia um longo vestido de seda cinza-chumbo, discretamente luxuoso, com a sua postura erguida de sempre. Mas, ao colocar os olhos em mim, a expressão habitualmente rígida da matriarca desmoronou por completo. Os seus olhos brilharam com uma emoção contida.
Ela caminhou lentamente até o centro do quarto, fazendo um sinal sutil para que a equipe de estilistas nos desse um momento a sós. Todos se retiraram em silêncio.
— Chiara... — Aurora começou, a voz ligeiramente mais suave do que o normal. Ela me analisou dos pés à cabeça, com um orgulho genuíno. — Você está absolutamente deslumbrante. Eu sabia que você seria uma noiva linda, mas o que estou vendo agora supera qualquer expectativa. O Massimo é um homem de sorte, embora o orgulho dele o impeça de admitir isso em voz alta o tempo todo.
— Obrigada, Aurora. Suas palavras significam muito para mim — respondi, tocada pela sinceridade dela.
— Eu vim até aqui antes que a correria comece porque gostaria de te entregar algo especial — ela disse, estendendo as mãos. Só então notei que ela carregava uma pequena caixa de veludo negro. — Isso pertence à família Capone há três gerações. Passou da mãe do meu falecido marido para mim no dia do meu casamento. E agora, como a tradição dita, eu gostaria que você usasse e ficasse com eles.
Aurora abriu a caixinha. Deitados sobre a seda preta interna, estava um par de brincos de diamantes de tirar o fôlego. Eram peças com lapidação clássica, imensas e brilhantes, que capturavam a luz do quarto e a refletiam em centenas de feixes cintilantes. O valor histórico e financeiro daquilo era incompreensível.
— Aurora, eu... eu não posso aceitar — gaguejei por um segundo, dando um meio passo para trás. — São joias de família. São suas. É uma responsabilidade muito grande.
Aurora deu um passo à frente, fechando os meus dedos ao redor da caixinha com firmeza, mas com uma doçura.
— Você pode e deve aceitar, Chiara. A partir de hoje, você assina o nosso sobrenome. Você será a senhora Capone. O peso e a glória desta família agora também pertencem a você. Não há ninguém mais digna de carregar essas pedras no altar do que a mulher que trouxe de volta a humanidade ao meu filho. Eu insisto. Por favor, use-os hoje.
Olhei para os brincos e depois para ela. Percebendo que recusar seria uma desfeita ao carinho que ela estava me demonstrando, assenti com a cabeça, sentindo os meus olhos marejarem de leve.
— Tudo bem. Eu aceito. Obrigada por tanta generosidade — sussurrei.
Aproximei-me do espelho e, com as mãos ligeiramente trêmulas pela emoção, retirei os brincos simples que estava usando e coloquei os diamantes da família Capone. Eles combinaram perfeitamente com a tiara e deram o toque final de realeza ao conjunto do meu visual. Ao me virar de volta, Aurora abriu os braços e me envolveu em um abraço caloroso. Retribui o gesto com força, sentindo que, naquele momento, ganhei uma família.
— Estou muito feliz por vocês, minha querida — Aurora murmurou perto do meu ouvido antes de desfazer o abraço com um sorriso cúmplice.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Massimo - A Obsessão do Don