POV: Massimo
Os meses haviam se passado com uma rapidez assustadora, transformando a rotina barulhenta e por vezes caótica da mansão em algo que eu não trocaria por nenhum tesouro no mundo. Gabriele e Valentino já não eram mais aqueles recém-nascidos frágeis que cabiam na palma da minha mão. Eles estavam crescendo fortes, espertos, com olhos atentos que pareciam sugar tudo ao redor. E hoje, o dia não era comum. Era o dia da apresentação oficial dos meus herdeiros diante da organização, a nossa Tríade Negra.
O grande salão nobre da nossa sede principal estava impecável. O ambiente exalava o peso da tradição: as paredes revestidas de madeira escura, os grandes lustres de cristal iluminando o espaço com uma luz sóbria e a longa mesa oval de mogno, onde os homens de maior confiança e os líderes dos territórios estavam posicionados. Havia uma solenidade quase religiosa no ar. A fumaça de alguns charutos subia lentamente em direção ao teto alto, e o silêncio respeitoso se instalou no momento em que a porta dupla se abriu.
Eu entrei vestindo um dos meus melhores ternos sob medida, carregando no peito um orgulho que mal cabia dentro de mim. Chiara me acompanhava, elegante e imponente, com um vestido que mostrava a rainha que ela era, mas hoje o papel principal não era nosso. Sentei-me na cabeceira da mesa principal e acomodei meus dois filhos, um em cada uma das minhas pernas. Eles olhavam para os lados, curiosos com tantas faces sérias e de terno escuro voltadas para eles.
Ao meu lado direito e esquerdo, as duas colunas que sustentavam essa organização junto comigo se posicionaram. Matteo e Adrian.
Adrian empurrou sua cadeira de rodas à frente, depois cruzando os braços e correndo os olhos pelos presentes. A voz dele ecoou firme, preenchendo cada canto do salão com a autoridade que o cargo exigia.
— Nós nos reunimos hoje por um motivo que transcende os nossos negócios diários — Adrian começou, o tom sério e focado. — Todos nós aqui acenamos com a cabeça em concordância quando assumimos o comando, e hoje reafirmamos o nosso pacto.
Nesse exato momento, como se entendessem a importância daquele silêncio ou apenas achassem graça das luzes do lustre, Gabriele e Valentino, sentados nas minhas pernas, começaram a bater palmas juntos. Suas mãozinhas gordinhas estalaram no silêncio do salão, arrancando sorrisos de canto até dos soldados mais frios posicionados junto às portas. Sorri, orgulhoso para caralho da petulância natural dos meus meninos. Parecia que eles já aceitavam aquela determinação por instinto.
— Somos irmãos além dos laços sanguíneos — Adrian voltou a falar, estendendo a mão em direção aos meus filhos. — Defendemos o mundo e uns aos outros. A nossa lealdade foi selada com sangue e respeito, e nos reunimos hoje para celebrar a vida e para darmos, formalmente, as boas-vindas a Gabriele e Valentino Capone à nossa mesa.
Os homens ao redor da mesa murmuraram em aprovação, batendo os nós dos dedos na madeira maciça, um sinal tradicional de respeito dentro da Tríade Negra.

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