Deixamos o quarto e descemos as grandes escadarias em direção à sala de jantar principal. O som de vozes firmes já ecoava pelo ambiente. Quando entramos, a cena se desenhou diante de nós: meu pai estava de pé perto da cabeceira da mesa, conversando de forma descontraída com Massimo. Sentadas à mesa estavam a senhora Aurora, com a sua postura sempre impecável, e Sofia, que mantinha um olhar atento à conversa.
— Pai! — chamei, atraindo a atenção de todos.
Meu pai se virou imediatamente, e um sorriso terno surgiu ao me ver. Aproximei-me e recebi o seu abraço apertado, sentindo o conforto familiar que eu tanto precisava naquele dia.
— Bom dia, minha filha. Você está linda — ele disse, beijando o meu rosto.
— Bom dia, pai. Fico feliz que tenha chegado cedo — respondi. Em seguida, virei-me para a mesa para fazer as honras, já que Sofia ele já conhecia de outra ocasião, quando ela foi comigo visitar ele no hospital. — Pai, deixa eu te apresentar formalmente. Esta é a senhora Aurora Capone, mãe do Massimo. E senhora Aurora, este é o meu pai, Marco Rossi.
Meu pai deu um passo à frente com extrema elegância, estendendo a mão e fazendo uma reverência respeitosa para a matriarca dos Capone.
— É uma honra conhecê-la finalmente, senhora Aurora.
Aurora esboçou um sorriso polido, apertando a mão dele com firmeza.
— A honra é minha, senhor. Seja muito bem-vindo. Espero que a sua estadia e os seus preparativos sejam confortáveis. O meu filho tem o mais alto respeito pelo senhor, e agora o senhor faz parte da nossa família.
Massimo apenas observava a interação com um olhar de aprovação silenciosa, enquanto nos acomodávamos para o café da manhã. A conversa seguiu fluindo tranquilamente.
Mais tarde, o movimento na mansão triplicou. Eu já estava de volta ao meu quarto, sentada na beira da cama, tentando manter os pensamentos organizados, quando ouvi batidas suaves na porta.
— Pode entrar! — autorizei em voz alta.
A porta se abriu devagar e Bellina passou por ela, segurando uma bandeja de prata pesada com duas xícaras fumegantes e alguns biscoitos finos. Ela mantinha aquela postura humilde e dedicada.
— Achei que você precisaria de combustível antes que a equipe de maquiadores e cabeleireiros invadisse esse quarto e te fizesse de refém pelas próximas seis horas — Bellina brincou, arriscando um sorriso leve enquanto colocava a bandeja sobre a pequena mesa redonda perto da janela.
— Você leu os meus pensamentos, Bellina. Obrigada, de verdade — sorri, levantando-me e aproximando-me da mesa. Peguei uma das xícaras quentes, sentindo o aroma forte do café me dar um choque de realidade. Notei que ela permaneceu de pé, encolhida perto da mesa. — Sente-se comigo, por favor.
— Ah, não, senhorita Chiara... Eu não gostaria de incomodar... — ela respondeu timidamente, dando um passo para trás.
— Não é incômodo nenhum. Por favor, sente-se — insisti, apontando para a poltrona estofada. Servi a segunda xícara de café e estendi em sua direção. — Tome um pouco comigo.
Bellina hesitou por um segundo, mas aceitou a xícara, segurando-a com as duas mãos. Ela se sentou na ponta da poltrona, olhando para o líquido escuro como se estivesse tentando encontrar as palavras certas ali dentro. Ela soltou um suspiro longo, os ombros caindo um pouco, abandonando a rigidez profissional por um instante.

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