POV: Massimo
O inverno havia chegado com força total à Itália, cobrindo as paisagens com uma névoa fria, mas dentro dos muros da nossa mansão, o clima não poderia ser mais quente e acolhedor. Era noite de Natal. As luzes da grande árvore instalada no centro do salão principal piscavam em tons dourados, refletindo nas taças de cristal e na prataria disposta sobre a longa mesa de jantar. Para esta noite, decidimos deixar de lado as grandes festas formais da organização; queríamos apenas a presença daqueles que realmente importavam. Estávamos reunidos para comemorar o Natal em um ambiente íntimo, onde apenas a nossa família e os amigos mais próximos vieram celebrar conosco, compartilhando risadas, boa comida e uma paz que, em outros tempos, eu julgaria impossível de existir no meu mundo.
No entanto, por mais bonito que o salão estivesse decorado, nada chamava mais a minha atenção do que a mulher que se movia graciosamente entre os convidados. Chiara estava absolutamente linda, vestindo um vestido vermelho longo de tecido fluido que contrastava perfeitamente com a sua pele clara e os seus cabelos escuros. O corte do vestido se ajustava perfeitamente às suas novas curvas, deixando a barriguinha de gravidez do nosso terceiro filho já bem despontando. Alessio. Esse era o nome do nosso próximo herdeiro, outro menino que viria para somar forças ao nosso clã. Olhar para ela daquele jeito, grávida e radiante, fazia o meu peito se encher de um orgulho primitivo e avassalador.
Eu mal conseguia acreditar em quão rápido o tempo passou. Parecia que ontem eu estava segurando aqueles dois pacotinhos vermelhos na sala de parto, e agora, os gêmeos já estavam com dois anos de idade. Gabriele e Valentino corriam pelo salão, vestidos com pequenos ternos escuros feitos sob medida, parecendo duas miniaturas minhas perfeitas, tanto na aparência física — com os mesmos traços marcantes e cabelos densos — quanto no temperamento forte e obstinado. Eles eram geniosos, teimosos e já demonstravam aquela postura territorialista típica dos homens da minha linhagem. Os soldados e os poucos amigos presentes observavam os dois com respeito, sabendo que ali estava o futuro do nosso sangue.
Porém, por mais durões e geniosos que os pequenos Capone estivessem se tornando, eles eram completamente loucos e obcecados pela mãe. Eu observava de longe, encostado perto da lareira com um copo de uísque na mão, enquanto os dois tentavam puxar um dos enfeites mais baixos da árvore de Natal. Eles estavam prestes a quebrar a peça quando Chiara apenas deu um passo na direção deles e os chamou com aquela voz mansa, mas firme. Bastou um único olhar semicerrado e doce de Chiara para que os dois parassem instantaneamente qualquer “arte” que estivessem fazendo. No mesmo segundo, Gabriele soltou o enfeite e Valentino abriu um sorriso banguela, e ambos correram na direção dela, abraçando as suas pernas e balbuciando palavras carinhosas para agradá-la, implorando por sua atenção. Era uma cena quase cômica. Era como se a minha esposa dominasse algum tipo de mágica secreta que deixava os três homens da vida dela completamente rendidos e desarmados aos seus pés. Eu incluso.
Enquanto acariciava as cabecinhas dos meninos, os olhos verdes de Chiara se ergueram pelo salão e encontraram os meus à distância. Minha esposa abriu um sorriso cúmplice, aquele que ela guardava apenas para os nossos momentos de total intimidade. Eu entendia perfeitamente o que ela me dizia com aquele simples olhar, sem precisar pronunciar uma única palavra. Era um olhar carregado de cumplicidade, paixão e uma gratidão silenciosa. O olhar de uma mulher que sabia que tinha tudo, que se sentia plenamente realizada e segura dentro do império que havíamos construído juntos.
Mais tarde, após o jantar e a troca de presentes, o salão começou a esvaziar sutilmente à medida que os convidados se dispersavam. Caminhei calmamente em direção à grande janela que dava para o jardim de inverno, onde Chiara estava de pé, observando os gêmeos brincando de carrinho no tapete felpudo com os avós. Minha mãe e o pai dela estavam sentados juntos no sofá, rindo das traquinagens dos netos, enquanto Matteo e Adrian observavam a cena de canto, garantindo que a segurança daquele momento fosse impenetrável.
Aproximei-me dela sem fazer barulho, mas Chiara sentiu a minha presença antes mesmo que eu a tocasse. Encaixei o meu corpo por trás do dela, abraçando-a com firmeza e trazendo as suas costas contra o meu peito largo. Deslizei as minhas mãos grandes pela sua cintura até pousá-las com carinho em cima da sua barriga redonda, sentindo o calor que emanava dali. Chiara relaxou imediatamente nos meus braços, tombando a cabeça para trás para apoiá-la no meu ombro.
— Eu sou a mulher mais feliz do mundo, Massimo — ela sussurrou, a voz macia carregada de uma emoção genuína enquanto olhava para os nossos filhos correndo logo adiante.
— Não, você está errada, mia bella — respondi perto do seu ouvido, a minha voz saindo rouca e profunda, enquanto apertava o abraço com uma possessividade mansa. — Eu é que sou o homem mais sortudo e feliz deste mundo, porque tenho você na minha vida, minha esposa. Você me deu um propósito que o sangue e as guerras nunca puderam me dar.
Chiara virou levemente o rosto, colando os seus lábios nos meus em um beijo lento, terno e cheio de promessas.
— Eu te amo, Massimo. Amo tanto você... e amo infinitamente os nossos filhos — ela declarou, com os olhos brilhando sob a luz baixa do ambiente.
Nesse exato momento, como se quisesse participar da conversa e reivindicar o seu espaço, sentimos Alessio dar um chute firme e nítido bem contra a palma da minha mão que estava espalmada na barriga de Chiara. Nós dois congelamos por um segundo antes de sorrir.
— Mamãe ama você também, Alessio — Chiara murmurou com doçura, descendo uma das suas mãos para cobrir a minha, acariciando o ventre. — Eu e o seu papai estamos tão ansiosos para ter você em nossos braços, meu pequeno... para complementar o nosso amor e a nossa casa.
— Sim, meu filho — juntei a minha voz à dela, inclinando-me um pouco para pressionar os meus lábios contra a curvatura da sua barriga, falando diretamente com o bebê que crescia ali. — O papai está muito ansioso para te conhecer, para te ensinar a ser forte... e também para colocar mais um irmãozinho ou irmãzinha na barriga da mamãe logo em seguida.
Nós dois rimos baixo, o som ecoando de forma descontraída contra o vidro da janela. Chiara soltou um suspiro fingindo indignação, jogando a cabeça para trás com um sorriso vitorioso nos lábios.

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