POV: Chiara
O sol suave do final da tarde caía sobre o jardim da mansão, cobrindo o gramado verde com uma luz dourada e acolhedora. O clima estava perfeito, com uma brisa leve que balançava as folhas das árvores e trazia o perfume das flores para perto de nós. Sentada em uma grande esteira acolchoada que Bellina havia estendido no chão, eu desfrutava de um dos momentos mais pacíficos da minha rotina. Ao meu lado, acomodado em uma confortável cadeira de vime, meu pai observava a cena com um sorriso terno que me trazia uma sensação profunda de lar.
Nós dois estávamos em silêncio, apenas ouvindo as risadinhas gostosas e agudas dos meus bebês. Gabriele e Valentino estavam completando quase dez meses, e a energia deles parecia se multiplicar a cada dia. Eles eram simplesmente impossíveis juntos. Já faz um tempo que começaram a demonstrar uma dinâmica que me deixava fascinada: os dois “conversavam” entre si o tempo todo através de resmungos, balbucios e gritinhos agudos, como se partilhassem de um idioma secreto que pertencia apenas a eles. Valentino soltava um som gutural, e Gabriele imediatamente observava o irmão e respondia com uma gargalhada alta, batendo as mãozinhas na grama. A cumplicidade entre gêmeos é realmente algo único, uma conexão poderosa que começou no meu ventre e agora se espalhava pelo mundo.
Fiquei olhando as minhas duas crianças engatinharem pelo tapete emborrachado e pela borda da grama, movendo-se com uma agilidade que me obrigava a manter os olhos bem abertos. Valentino liderava a exploração, puxando a ponta de uma folha caída, enquanto Gabriele vinha logo atrás, tentando morder o próprio brinquedo de borracha. Eles estavam descobrindo o mundo, centímetro por centímetro. Meus dois meninos. Minhas vidas inteiras resumidas naquelas bochechas fartas e joelhos ralados de tanto engatinhar.
Meu pai deu um gole lento no seu chá, sem desviar os olhos dos netos. O olhar dele estava marejado, uma mistura de nostalgia e uma paz profunda. Como um homem simples que sempre batalhou honestamente na vida, estar ali vendo aquela imensidão era algo que ele nunca imaginou, mas a sua única prioridade sempre fora a minha felicidade.
— Sabe, Chiara... — ele começou, a voz mansa cortando o som dos balbucios dos meninos. — Se alguém me dissesse, anos atrás, que eu veria você aqui, neste jardim, tão radiante e realizada, eu acharia que era apenas o sonho de um pai que sempre quis o melhor para a sua única filha.
Virei o rosto para ele, ajeitando a minha saia fluida sobre as pernas, e sorri com doçura, tocando em sua mão.
— Eu sou muito feliz, pai. Muito mesmo.
Ele esticou a mão calejada pelo trabalho de uma vida inteira e apertou de leve o meu ombro, olhando bem fundo nos meus olhos verdes.
— Eu tenho tanto orgulho de você, minha filha. Um orgulho que não cabe no meu peito. Eu criei você sozinho, Chiara... Sem a sua mãe aqui para me ajudar, meu maior medo sempre foi falhar na sua criação, medo de não conseguir te dar tudo o que você precisava ou o suporte de que necessitava. Mas olho para a mulher incrível que você se tornou, para a mãe leoa, doce e amorosa que é para o Gabriele e o Valentino, e vejo que cada noite em claro valeu a pena. Você tem um coração de ouro e está construindo uma família linda.
Senti as minhas lágrimas cutucarem os cantos dos olhos, profundamente tocada pela sinceridade das palavras dele e pelo peso das memórias. Como eu nunca havia conhecido a minha mãe, meu pai tinha sido o meu mundo inteiro — ele tinha sido pai e mãe para mim, sacrificando tudo para me proteger e me guiar. Encostei a minha bochecha na mão dele que ainda estava no meu ombro.
— Você nunca falhou comigo, pai. Nem por um segundo. Tudo o que eu sou, e todo o amor que tenho para dar aos meus filhos hoje, eu aprendi com você. Você foi o melhor pai que eu poderia ter no mundo.
Ele sorriu, os olhos brilhando com o reconhecimento.
— Ver você feliz é a minha maior recompensa, minha filha. Olhe para eles — ele indicou o Valentino, que agora tentava engatinhar para cima do meu pé. — Eles são crianças felizes, amadas. E o Massimo... bem, ver o quanto aquele homem, com toda a intensidade dele, se dedica a você e a esses meninos, me deixa completamente em paz. Ele adora você, Chiara. É nítido.

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