Capítulo 281 – A Maria que dizer até logo.
Bambina Maria
Acordei no meu quarto. Ouvi um barulho estranho e eu quis ver o papai. Mas aí tinha um moço no corredor e ele era beeeem bonito. Perguntei do papai, mas ele não respondeu e me entregou para o vovô. Fiquei com muito medo, mas o vovô cuidou de mim, depois a tia Lena protegeu a Maria.
A tia Sara queria que eu ficasse com ela, mas eu queria muito ficar com a tia Lena, porque ela é filha do vovô, então ela é minha tia. E aí o papai e o vovô podiam buscar a Maria na casa da tia Lena.
Eu não tinha dormido, porque barulho me acordou, então meu olhinho acabou fechando de sono. Quando acordei de novo, a tia Lena estava dormindo.
Então a gente tem que falar baixinho… Eu falei para moço que entrou no quarto.
Ele era mais bonito do que o outro. Os olhos dele eram cinza. Eu não gosto muito dessa cor, acho ela triste. Mas eu gosto dos olhos dele. Ele chama italiano e fala muito engraçado (tem hora que eu não entendo o que ele fala), mas eu não conto para ele, porque não quero ver ele triste.
O italiano cuida da Maria, faz panquecas, beija e abraça a Maria igual ao papai. Mas aí a tia Lena disse que o papai não ia voltar, e eu não queria que ele me deixasse sozinha.
Eu andei até encontrar o balcão que o papai trabalhava, mas ele não estava lá. Mas o italiano estava e me levou para minha casa. Eu chorei muito, porque eu queria ser especial para ir morar com o papai e com a mamãe lá no céu.
Mas o italiano disse que eu precisava ser mais especial do que já sou, e que ia levar muitoooo tempo pra Maria ser especial, porque eu tenho que cuidar do coração dele, se não ele fica triste… E eu não quero que ele fique triste.
Só que eu não queria ir embora da minha casa, porque, e se o papai do céu viesse me buscar e eu não estivesse em casa? Mas o italiano disse que o papai do céu ia me achar, eu acho, que o italiano vai dar o endereço para ele. Assim ele vai saber onde a Maria tá.
Então… Vou ter que esperar, o italiano disse assim oh: “espero que isso leve muitoooo tempo.” Porque ele precisa que a Maria cuide do coração dele.
E eu não quero ele triste, nem ele nem a tia Lena.
O italiano disse que a Maria mora no coração dele, e ele também mora no da Maria. Então eu vou cuidar muito bem dele, e da tia Lena, igual o papai cuidou de mim. Assim vou ser mais do que especial.
A tia Lena e o italiano estavam conversando, ela disse que queria “soparia” com ele.
E ele quis, agora eu vou ter a tia Lena e o tio italiano.
— Principessina, você está pronta?
— Sim — eu disse, erguendo os braços para ele me pegar no colo. Eu adoro o colo dele.
— Você está bem?
— Eu não sei, a tia Lena disse que hoje tenho que falar tchau para o papai e para o vovô. Mas ainda não sei se quero falar tchau.
— Amore mio, lembra do que conversamos?
Balancei a cabeça para ele saber que sim.
— Hoje você só vai dizer um “até logo” para eles — ele me deu um beijo na testa. A barba dele sempre faz cócegas, mas eu gosto.
— Tudo bem… — eu respondi, mas eu estava triste.
Saímos do quarto e a tia Lena bateu na porta. Aí a tia Elo saiu de lá. A tia Elo tem o mesmo rosto que a tia Lena, mas só o rosto. Chegamos na sala e estava todo mundo lá. Nessa casa mora muita gente, tem até uma bebê. E ela tem mamãe, papai, vovó, vovô e um monte de tio e tia.
A bebê deve ser bem feliz…
— O que foi, amore mio?
— Não é nada… — respondi para ele. Eu estou triste, mas eu não quero falar. O papai fala que quando estamos tristes não podemos guardar esse segredo. Temos sempre que contar, mas ele não está aqui.
Então para quem a Maria vai contar?
A gente foi no carro do italiano. O tio Giuseppe que estava dirigindo. Eu não queria conversar com ninguém, então fiquei deitada no peito do italiano. Chegamos a um lugar bonito, tinha flores, uma foto do papai e uma do vovô.
Eu desci do colo do italiano e fui correndo até ela.
— Olha, italiano, esse é o papai.
— Eu sei, mia vita.
Peguei na mão dele e comecei a puxá-lo.
— Então agora a gente pode dizer até logo? Eu quero ver o papai, vamooooos… — Puxei ele, mas ele era muitooo pesado, e eu não conseguia puxar.
— Principessina…
Soltei a mão dele e coloquei minhas mãos na cintura. Eu sempre faço isso quando quero dizer alguma coisa para o papai e ele não me ouve. Ou quando estou muito, muito brava.
— Italiano, você prometeu que íamos falar até logo!
Ele abaixou para ficar do meu tamanho, porque ele era muito grande.
— Sim, amore mio. Eu prometi, mas é que o papai não está acordado.
— Então vamos acordar ele! Eu acordo ele bem devagarinho, igual quando quero que ele faça panquecas e ele está dormindo.
Ele olhou para mim e depois para a tia Lena, que estava em pé ao lado dele, chorando.
— Tia Lena, por que você está chorando? Olha — Mostrei a foto do vovô. — O vovô também está aqui, você também vai poder dizer até logo.
Ouvi alguém fazer um barulho, e quando olhei, a mamãe da bebê estava chorando, e o papai dela estava escondendo os olhos, mas ele também estava. Comecei a olhar para todo mundo, era muita gente, mas todos pareciam tristes. Senti a mão do italiano em meu rosto.
— Amore mio… Onde o papai está dormindo, não tem como você acordá-lo.
— Vem, tia Lena, vamos dizer até logo.
— Meu raio de sol, a tia Lena pode ir depois? — Ela me perguntou.
— Lena… — O italiano disse.
— Desculpa, amor, não consigo fazer isso…
— Tá tudo bem, tia Lena. Eu falo para o vovô te esperar. — Olhei para a tia Jo. — Então vamos, tia Jo. Eu vou te mostrar o meu papai, quem sabe ele não faça panquecas para a gente antes de ir com o papai do céu.
Os olhos da tia Jo ficaram tristes, e os do italiano também.
Quando chegamos ao lado das caixas, o papai estava dormindo em uma, e o vovô, em outra. Mas tinha travesseiro dentro, e um paninho em cima deles para ficarem quentinhos.
Coloquei a mão na boca para falar bem baixinho.
— Eles estão mesmo dormindo? Que horas a gente pode acordar eles?
O italiano colocou a mão em meu rosto, e vi uma lágrima escorrer pelo rosto dele e eu a sequei, porque eu tenho que cuidar dele para ser especial.
— Mia vita, você vai ter que dizer até logo com ele dormindo. Porque o papai nunca mais vai acordar.
O peito da Maria doeu. Coloquei a mão nele para não doer, mas doía demais. Eu não podia deixar o papai ir com a mamãe sem ele me dar um abraço, sem dizer até logo.
Então, abaixei um pouco do colo do italiano e coloquei a mão no rosto do papai, como sempre faço para acordá-lo para as panquecas.
— Papai, tá na hora de acordar… A Maria quer um abraço.
Ele não respondeu, mas eu tentei de novo. Ele devia estar muito cansado.
— Papai, vamos… A Maria quer falar até logo, por favor, acorda!
O papai tava gelado, e mesmo a Maria chamando ele e pedindo por favor…
Ele não acordou.
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Gostaria de agradecer pelas mensagens de carinho de cada uma de vocês, estou melhor e retorno amanhã com três capítulos por dia.
Gostaria de aproveitar só para deixar um recadinho, para algumas pessoas a minha escrita não está sendo direta, nem objetiva, e até monótono. Peço desculpas por isso, dou o meu melhor, e tento fazer as minhas narrativas, e diálogos o mais humanos possíveis, para que os leitores possam realmente se concectar com os personagens.
Agradeço por quem chegou até aqui, e pelas mensagens de vocês que ajudam muito no crescimento do livro. Um beijo no coração de cada uma.

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