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Meu noivo Morreu e me deixou para o Inimigo romance Capítulo 283

Capítulo 283 – Seguindo em frente

Elena

Meu corpo doía, meu coração sangrava e minha alma… gritava por socorro.

Enzo criou uma conexão com a Maria, que era linda e admirável. Mas o que ele estava prestes a fazer ia além do limite da razão, e mesmo achando linda a ligação deles eu não ia aceitar aquilo.

Eu estava sofrendo, e, em vez de me apoiar, de diminuir o meu sofrimento, ele só estava piorando as coisas.

— Enzo, não faz isso…

— Respeito sua dor, Elena, mas peço que respeite a dela — Ele me respondeu, e eu simplesmente não quis participar daquele momento.

Alessa e Evelyn vieram atrás de mim e tentaram me acalmar. E quando aquilo acabou e Enzo veio até mim, eu não consegui, não agora. Sem dizer uma única palavra, ele pegou a Maria e foi embora.

Depois disso, a cerimônia foi rápida, e o enterro também. Elo e eu não quisemos postergar, ali só estava um corpo, porque meu pai… já tinha partido.

Voltamos para o apartamento. Evie e Amélia haviam preparado um buffet completo. Eu nunca entendi essa cultura de confraternização após os enterros, porque, na verdade, tudo que eu mais queria após dizer adeus era ficar sozinha.

— Elena… — A voz de Sara chamou minha atenção, e me virei para cumprimentá-la.

— Agradeço por ter vindo, e por ter ajudado o Enzo naquele momento difícil.

— Não precisa agradecer. E aproveito para me desculpar por ontem. Eu realmente pensei que tirar a Maria de vocês seria o melhor. — Sara suspirou antes de continuar. — Mas depois de ver os dois juntos hoje, percebi que ninguém nunca mais vai conseguir tirar a Maria do senhor Mancini.

Acabei dando um sorriso para suas palavras. Mesmo em meio às circunstâncias, essa era uma realidade. Maria e Enzo estão conectados para sempre, e eu nem sei explicar como aconteceu, e nem dizer o momento exato em que aconteceu.

— Ei, garota — Ethan disse se aproximando e me deu um abraço de lado, mantendo seu braço em mim.

— Sara — ele disse.

— Ethan, que bom vê-lo bem — Ela respondeu, e notei um brilho em seus olhos.

— Tudo graças a você. Sou muito grato a vocês pela ajuda.

— Que isso, não precisa agradecer — Sara disse sem graça. O celular dela apitou, ela o pegou, pareceu ler uma mensagem e notei sua expressão mudar.

— Algum problema? — perguntei, preocupada.

— Ah, nada demais. Meu irmão viria me buscar, mas teve um contratempo.

Olhei para Ethan, que ainda estava abraçado a mim.

— Você poderia levá-la.

— Claro — ele respondeu sem hesitar.

— Não quero incomodar… — ela começou, mas ele a interrompeu.

— Para com isso, não é incômodo. Vou pegar a chave de um dos carros — Ethan disse e logo saiu.

Sara e eu continuamos nossa conversa por mais uns minutos até Ethan voltar. Assim que ele se aproximou, os dois seguiram para o elevador. E eu fiquei ali, os olhando e pensando como seria bom ele arrumar alguém. Sara era bonita, corajosa e determinada. O tipo perfeito para meu amigo. Quem sabe, tudo isso seja um plano muito bem orquestrado pelo universo.

— Perdida em seus pensamentos? — Sorri antes de me virar.

— Sabe bem como eles são, capitão. — Tom me puxou para um abraço e deu um beijo em minha cabeça.

— Sei muito bem como essa cabecinha funciona. — Envolvi meus braços por sua cintura e me permiti ter aquele carinho.

— Espero não estar atrapalhando? — Aline perguntou. Tom e eu nos separamos, ele a puxou pela cintura.

— Estamos fazendo isso para chamar sua atenção — eu respondi.

— Funcionou muito bem da última vez — Ela disse com um sorriso.

— Aquele dia foi memorável — Tom disse, me fazendo rir, e a Aline corar.

Eu não queria mais confraternizar. Por mais que amasse cada um deles, eu só queria desligar por um momento. Mas também não queria ir para o quarto. Não estava pronta para enfrentar Enzo depois da minha atitude, e nem olhar para a Maria depois de praticamente tê-la abandonado.

Encostei na parede do corredor e fiquei encarando a porta do meu quarto, que estava a poucos metros dali. Senti alguém se aproximando e parando ao meu lado. Ele não disse nada e nem precisava, só a presença dele valia mais que mil palavras.

— Vamos ficar quanto tempo aqui encarando a porta? — ele perguntou, quebrando o silêncio e me arrancando um sorriso.

— Ainda não decidi.

— Ok, não tenho nada interessante para fazer mesmo — Olhei para ele, que me encarava com aqueles olhos azuis e um brilho travesso que eu conhecia bem.

Eu não tive tempo de responder, porque ouvimos passos e, quando olhamos, era Alex, que parou e encostou do meu outro lado.

— O que estão fazendo aqui? — ele perguntou, e foi Brandon quem respondeu.

— Encarando a porta do quarto dela.

— Interessante — Foi só isso que ele falou, antes de ficar em absoluto silêncio, assim como Brandon.

Passaram alguns minutos, e não consegui mais ficar calada.

— Ciao, amore mio.

Coloquei a mão em seu rosto.

— Me desculpa pela minha atitude mais cedo.

— Está tudo bem, você estava sofrendo.

— Mas não justifica a forma como eu agi. Eu fui egoísta. Pensei só na minha dor, e não na dela e muito menos na sua.

— A minha dor não é nada, comparada à de vocês duas, amore mio. Ambas perderam os pais.

— Sofrimento não se mede, Enzo. E, mesmo sofrendo por ver nós duas sofrer, você se manteve firme por nós. E eu te amo mais ainda por isso.

Ele passou o nariz pelo meu rosto, me fazendo fechar os olhos. Senti minhas lágrimas escorrerem.

— Também te amo, mia vita.

Enzo se ajeitou na cama, e eu deitei sobre seu peito. Nenhuma palavra mais foi dita, ficamos ali juntos da nossa bambina, em um silêncio confortável.

Alex está certo: cada um conhece sua dor, e a intensidade dela.

A minha é tão forte, que chega a rasgar o peito.

Só que tem outra coisa que ele disse:

“Eles respeitarão a sua, se você fizer o mesmo com a deles.”

E é nisso que esse dia se resume.

Respeitar a dor.

Porque é respeitando a dor um do outro que vamos conseguir nos curar.

E depois que a cura vier, só vai nos sobrar uma coisa…

Seguir em frente.

E o que nos espera lá na frente?

Vamos precisar viver… para descobrir.

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