Capítulo 288 – Três segundos…
Thomas
Assim que acabei de conversar com os caras, decidi que precisava falar com a Aline. Eu sabia que ela não receberia muito bem a ideia de eu viajar sem ela. Mas era impossível levá-la comigo dessa vez.
Por um momento, até me esqueci de toda essa confusão, porque ali na minha frente estava um dos amores da minha vida. O pequeno Andrew, ou melhor, pequeno Jack, porque se Jackson nos escuta chamar o menino pelo nome verdadeiro, ele vira um bicho.
— Cadê o bebê mais lindo desse mundo? — Eu dizia para aquela miniatura da Sophia.
Ele era tão miudinho, mas agora respirava com facilidade, e hora ou outra até esboçava uns sorrisos.
— Nunca imaginei que meus garotos tão durões que eram, fossem um dia virar uns molengas e ainda falar com essas vozinhas com um bebê — disse Amélia, rindo.
— Ainda somos durões, Amélia, só não com as nossas vidinhas.
Nós dois rimos.
— Onde está a pequena? — perguntei enquanto ainda brincava com meu menino.
— Jack pediu para mim e Catharina cuidarmos do bebê enquanto conversava com ela.
— Ele ia contar para ela?
— Parece que sim — Amélia me respondeu.
— E você, já contou para a Aline?
Suspirei antes de responder.
— Ainda não, estou buscando as palavras. Não sei como ela vai reagir à hora que descobrir.
— Descobrir o que? — A voz de Aline soou atrás de mim.
— Vou deixar vocês conversando — Amélia disse, saindo da sala com o pequeno Jack.
Me virei para minha mulher, envolvi meus braços por sua cintura, colando nossos corpos.
— Estava ouvindo atrás da porta, doutora?
Ela passou os braços pelo meu pescoço.
— Não, capitão, estava vindo atrás de você e acabei ouvindo.
— Hum… — disse, depositando um beijo em seu ombro. — Posso saber o motivo de estar à minha procura?
— Claro que pode — respondeu se afastando de mim. Aline colocou a mão na cintura e me encarou.
— Era para perguntar em que momento pretendia me contar que vai viajar? E ainda sem mim?
Claro que era isso. A cabeça desse clube da luluzinha já sabia, e jamais deixaria as amigas sem saber.
— Eu ia te contar, mas Alexander contou a Evie antes de todos nós.
— Ia me contar, mas não contou. E eu só descobri porque minha amiga me disse, e pior: você já viaja amanhã.
— Amor… — eu disse, mas ela me interrompeu.
— Sabe por que aceitei o emprego que o Alex me ofereceu? Por que larguei o hospital que eu tanto amava trabalhar?
Aline me perguntou, mas eu sabia que ela não esperava por uma resposta.
— Por você. Porque essa sua vida maluca e perigosa sempre me dá aquela sensação de que vai ser o último dia. E eu não suportaria isso, então aceitei trabalhar com você. Para estar perto de você. Mas isso é algo meu, né? É só eu quem quer isso.
— Aline, não é assim. É perigoso demais. Alex e Enzo nos convenceram disso. E, no fundo, eles estão certos, o que tem lá é pior do que qualquer coisa que enfrentamos até hoje.
— Esse seu comentário era para me acalmar? Ah, não, claro que não, é para me convencer.
— Amor, por favor — Me aproximei dela, segurando seu rosto entre minhas mãos. — Porque, em vez de a gente brigar, não aproveitamos esse tempo juntos? Eu viajo amanhã e não sei quanto tempo vou ficar por lá.
Ela se desvencilhou do meu toque.
— Me manda a localização, vou chamar os caras e te encontramos lá.
Olhei para meu celular e vi que ela já tinha chegado ao tal café.
— Eu espero não ser possessivo assim como vocês com a minha mulher, cara. Chega a ser bizarro saber que vocês rastreiam elas — disse Chen.
— Espera chegar a sua vez, aí falamos sobre bizarrices — Alex respondeu, e Chen riu.
Mandei a localização como Alex pediu, e eu e Chen fomos na frente.
— Qual é a desse Kevin? Não foi ele quem a abandonou, e ainda por cima, pela melhor amiga?
— Síndrome do cachorro arrependido — respondi para o Chen. Assim que estacionei o carro, me virei para ele. — E eu adoro castrar esse tipo de animal — conclui.
— Acha mesmo que ele viria atrás dela?
— Tenho certeza. Nós temos o Hugo e, o Kevin tem a inteligência do FBI. A essa hora, ele já sabe que ela está aqui, bem perto dele. E a ocasião…
— Faz o ladrão — Chen completou.
— Exatamente.
— Tá aí, duas coisas que gostamos de fazer, capitão: castrar animais e matar ladrões — ele concluiu, e nós dois rimos.
De onde estávamos, vimos Aline, a mãe e Lyu. Decidimos sair do carro, e foi nesse momento que eu o vi.
Kevin Callahan.
O maldito que estava seguindo minha mulher. Chen e eu fomos em direção a onde elas estavam, mas ele chegou até ela primeiro. Vi quando colocou a mão em seu braço, e ela se desvencilhou dele.
E no instante em que ela deu as costas para ele, e foi caminhando com a mãe e a amiga, o cretino envolveu um braço na cintura dela, puxando-a de volta. Sem me importar que estávamos bem em frente ao prédio do FBI, e muito menos em quem esse cretino era. Me aproximei por trás, saquei minha arma e encostei na cabeça dele.
— Te dou exatos três segundos para soltar a minha mulher — engatilhei a arma. — Ou seus miolos vão voar.

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