Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 131

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O salão ainda zumbia muito depois do anúncio do Lucian. Murmúrios animados colidiam como faíscas de pederneira, inflamando especulações em todos os cantos.

"O Néctar do Orvalho da Lua... Será que é de verdade?" alguém perguntou, com um tom meio de admiração, meio de descrença.

"O Néctar do Orvalho da Lua não existe," alguém retrucou, a descrença permeando a sua voz. "É lenda."

"Não, eu li artigos sobre ele," outro insistiu, sem fôlego. "A planta é real. A receita? Foi perdida há séculos."

"Como a SDS poderia ter isso?"

"Ou... tudo isso não passa de um truque?"

A especulação se entrelaçava com a admiração até que todo o salão se tornou um sonho febril.

Eu não precisava da audição aguçada para captar palavras como: 'impossível', 'fabricado', 'mítico', 'inestimável'.

As vozes ao meu redor se misturavam entre suspiros admirados, sussurros suspeitos e murmúrios gananciosos.

Minhas mãos apertaram o tecido do meu vestido mais forte do que pretendia, deixando os nós dos dedos brancos.

Este não era um prêmio comum.

Era mais do que glória, mais do que riqueza. Quem o conquistasse teria um verdadeiro milagre nas mãos.

Lucian estava altivo diante do recipiente, sua expressão cuidadosamente composta, mas inconfundivelmente orgulhosa.

Seu terno escuro capturava a luz dourada do ambiente e a sua presença comandava todo o salão. "Dúvidas," ele disse suavemente, sua voz carregando a autoridade de um Alfa nato, "são naturais. Mas a verdade não precisa de crença para existir."

Um murmúrio se propagou novamente, cético, mas atento.

Claro que o Lucian não deixaria espaço para dúvidas. Então, ele levantou a mão. A enorme tela atrás de nós ganhou vida. A imagem ficou nítida com o rosto de um homem que até eu reconheci, um mestre farmacêutico, com cabelos grisalhos e uma reputação intocável no mundo dos lobisomens. Seu trabalho com medicamentos e elixires era frequentemente chamado de revolucionário e o seu nome sussurrado com reverência como se fosse um encantamento.

"Mestre Qadir", Lucian apresentou. "Um nome que dispensa apresentações no nosso mundo. Ele examinou e autenticou o elixir pessoalmente."

O homem ajustou os seus óculos prateados e assentiu para a câmera. "Sim," ele disse, de forma direta. "O material que a SDS apresentou não é uma falsificação. Examinei amostras deste elixir pessoalmente. O Néctar do Orvalho da Lua é real."

Um burburinho percorreu a sala novamente, desta vez tingido de euforia. Céticos ficaram em silêncio e soltaram os braços antes cruzados. E então o salão explodiu. Alguns gritaram de espanto, outros murmuraram febrilmente, enquanto alguns poucos ainda balançavam a cabeça, teimosamente relutantes em aceitar o que os seus olhos e ouvidos lhes diziam. Mas isso já não importava mais. O Lucian tinha apresentado uma autoridade incontestável.

Senti o meu coração acelerar e um calor subir pela nuca. O peso do prêmio pressionava sobre mim, mais pesado do que a expectativa. Agora, eu não competiria apenas por prestígio. Para muitos, o Torneio seria sobre legado, salvação, esperança. Inclusive para mim.

E, ainda assim, apesar do nó de nervosismo no meu estômago, uma estranha chama se acendeu dentro de mim. Empolgação. Determinação. Como se o próprio Néctar estivesse me desafiando: 'Venha e me conquiste, se for digna.'

***

Quando as formalidades da noite finalmente chegaram ao fim, o Lucian apareceu ao meu lado quase instantaneamente e pousou a mão na base das minhas costas com uma facilidade que fez um calor percorrer a minha espinha.

"Venha comigo," murmurou ele, me guiando gentilmente, mas com firmeza, para longe da multidão que se dispersava.

Caminhando no ritmo dele, saímos do grande salão para um terraço privativo ao longo da borda do salão. O ar fresco da noite acariciou a minha pele e trouxe o suave perfume das rosas do jardim abaixo. Acima de nós, fileiras de lamparinas brilhavam como estrelas cativas, sua luz suavizando o mundo e tornando-o quase íntimo.

"Sua expressão te entregou," o Lucian disse suavemente enquanto caminhávamos em direção ao guarda-corpo. Seu tom era brincalhão, mas tinha uma ponta de cautela. "Você ainda tá pensando no Néctar."

"Como não estaria?" Olhei para ele e continuei, com a voz baixa, quase reverente. "O Néctar do Orvalho da Lua é uma coisa lendária. Logicamente não deveria existir. E, ainda assim, aqui está." Balancei a cabeça. "É tão surreal."

Lucian deu uma risada indulgente. "Na verdade, não é tão inacreditável assim. A fórmula não era... minha desde o início." Seu tom carregava uma nota que eu raramente ouvia dele, uma melancolia, acompanhada de algo próximo de... tristeza. "Me foi confiada. Por alguém que conheci."

Lá estava novamente, uma sombra cruzando a sua expressão antes que ele pudesse dominá-la.

Inclinei a cabeça e senti a minha curiosidade se aguçar. "Alguém que você conheceu?"

Seus lábios se comprimiram em uma linha fina. "Ela compartilhou o básico comigo. Mas as tentativas de replicar falharam, centenas delas. Só após incansáveis tentativas e erros que conseguimos o sucesso."

"Ela?" A palavra escapou mais incisiva do que eu planejava.

Um sorriso tênue curvou os lábios dele, mas não chegou aos seus olhos. "Uma amiga."

Uma amiga. Ainda assim, o leve tom de saudade na sua voz revelava que tinha algo a mais naquela história. Percebi isso e guardei a informação na mente para refletir depois.

Antes que eu pudesse aprofundar a conversa, ele mudou o assunto, inclinando-se mais. "Me diz com sinceridade, Seraphina. Você ficou chateada por eu não ter te dado o Néctar diretamente?"

A pergunta me pegou de surpresa e a minha respiração falhou.

Por um instante, me imaginei curada, inteira e muito mais poderosa do que eu poderia sonhar.

E, ainda assim, balancei a cabeça lentamente.

"Não. Eu entendo. Algo tão valioso assim... você não pode simplesmente sair por aí distribuindo. Muitas outras pessoas precisam também. Prefiro conquistar. Assim, será meu, através do meu mérito."

O olhar do Lucian se intensificou e calor e admiração se misturavam nos seus olhos. "Não tenho dúvidas de que você vai conseguir."

"Sério?"

Ele assentiu. "Se a minha amiga estivesse aqui, sei que ela ia gostar que alguém como você recebesse o Néctar. Integridade e coragem. Essas eram as qualidades que ela mais prezava."

As palavras dele me impactaram e foi como se um sino ressoasse no meu peito.

Agora, eu não apenas carregava a convicção do Lucian, mas também a confiança de alguém que eu nem mesmo conhecia.

E então, como se percebesse o peso das minhas emoções, o Lucian pegou minha mão. "Tenho uma coisa pra você."

Ele indicou uma cadeira ao lado de uma mesa coberta com um pano prateado.

Sobre ela, havia uma caixa longa e elegante, cuja superfície era desenhada com traços sutis que brilhavam à luz das lamparinas.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei